23.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE VII


Três dias depois, no início da tarde, o telemóvel tocou. Não conhecia o número. Com mão tremente atendeu.
- Estou!
- Isabel Antunes?
-Sim
- Hélder Figueiredo. Está disponível para vir a minha casa, agora?
- Sim, claro. Vou já para aí.
Virou-se para a avó.
- Chamou-me. Não te esqueças que não deves dizer a ninguém, que estou cá.
 -Isto não está certo, filha. As pessoas conhecem-te. Vens para cá todos os anos. 
- Não te preocupes. Desde que não o digas ao casal que vive com ele, não estou a ver ninguém que lho vá dizer.
Pouco depois estava no escritório.
- Boa-tarde, senhor.
- Boa-tarde, Isabel. Se ainda está interessada no emprego, ele é seu. Pode começar amanhã às nove? O meu advogado deve trazer ainda hoje o contrato. Ou talvez amanhã de manhã. Tenho uma boa parte do meu próximo livro, gravado e espero que o consiga redigir rapidamente.
- Darei o meu melhor, senhor.
- Por favor, esqueça o senhor. Trate-me por Hélder.
- Se desejar, poderei começar agora mesmo a redigir, o livro. Não tenho nada para fazer de momento e posso adiantar já. É só dar-me o gravador.
Ele parecia surpreso.
-O gravador está na gaveta da direita.
- Redijo só para documento, ou deseja que imprima também?
- Preciso de uma cópia impressa, além da cópia em documento que deve ficar no computador.
- Muito bem
Ela dirigiu-se ao computador que abriu, verificou a impressora, pôs-lhe papel, retirou o gravador e ligou-o. Começou a escrever, aquilo que ouvia. Segundos depois ouviu a porta bater e reparou que estava sozinha no escritório.
Trabalhou sem descanso durante duas horas, e depois deu-se um pequeno descanso. Continuava sem saber o pseudônimo dele, mas o que tinha ouvido era muito interessante, e o estilo lembrava-lhe o do seu escritor favorito, Tomás Reis.
Tomás Reis, o escritor mistério cujos livros eram  “best-seller” mas que ninguém conhecia. Seria Helder o misterioso autor? Seria pelo facto de ter cegado que não se deixava conhecer? E que acontecera para ter perdido a visão?
Teria sido um acidente? Doença? Como ela desejaria saber. Porém de uma coisa tinha a certeza. Se queria manter-se junto dele, não podia fazer perguntas. Teria que ganhar a sua confiança para que as confidências pudessem chegar.
Retomou o trabalho, e ainda teclava quando às seis horas ele regressou ao escritório.


16 comentários:

✿ chica disse...

Bah! Que situação essa de não poder se mostrar e dar a entender quem ela é... Estou adorando! bjs, chica

Odete Ferreira disse...

Muito questionamento a que, na hora certa, a narradora responderá.
A seguir, com a curiosidade habitual.
Bjinho, Elvira

Pedro Coimbra disse...

O mistério adensa-se...
Um abraço, bfds

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
como sempre uma descrição espetacular pondo os leitores em pulgas á espera do capitulo seguinte.
claro que já começamos a fazer as nossas previsões , mas há sempre algo de novo que nos surpreende.
uma boa noite de S. João para quem puder e até amanhã .
JAFR

Tintinaine disse...

Faço minhas as palavras do comentador que me antecedeu. Que poderia eu dizer melhor do que ele disse?

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Interessante e continuo a acompanhar.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Manu disse...

A história está a ficar cada vez mais empolgante.
Vamos ver o desfecho.

Abraço Elvira

Os olhares da Gracinha! disse...

Haverá uma aproximação e o amor pode acontecer!!! Bj

Anete disse...

Os dois juntos, porém ainda bem distantes...
A vida com os seus mistérios e sensações diversas...
Bjs e bom fim de semana

UIFPW08 disse...

Lindo post. Boh fin de Sesana
Morris

Gaja Maria disse...

Estou a gostar muito desta história Elvira e aguardo ansiosamente os desenvolvimentos :)

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Edumanes disse...

Há coisas que eu não entendo. Porque penso não haver motivo para que se mantenham em segredo. Se é que Isabel amou e ainda ama Hélder, não deve fazer o que está fazendo. Deve sim ser sincera com Hélder, e dizer-lhe quem na realidade é, e o que pretende dele! Não acho que o problema seja a diferença de idade. Eu tenho mais nove anos do que a minha mulher, estamos casados há mais de quarenta anos. Porque se, no casamento, Deus nos uniu só a morte nos há-de separar!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, a distancia entre os dois vai começar a encurtar e mistério ganha mais interesse, boa historia.
Feliz fim de semana,
AG

Jack Lins disse...

Muito interessante, estou amando.

redonda disse...

Voltei e tenho três capítulos, dois, porque já li este, para ler :)

Estou a gostar muito desta história!