12.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XXIX




-Tonta. Como foi possível pensares que eu te ia deixar por causa disso? - Perguntou, sem deixar de olhá-la com imensa ternura.
-Dizes isso agora, mas quando os anos passarem, vais recriminar-me. E não vou aguentar. Morro de desgosto.
- Escutei-te. Escuta-me tu agora. Nasci numa aldeia do norte. Minha mãe morreu de parto, e fui criado pelo meu pai e por uma sua irmã, viúva, que vivia lá em casa. Não me lembro de um único afago do meu pai. Creio que ele me culpava pela morte da minha mãe. A minha tia, também não era muito carinhosa, pelo que as minhas recordações de infância, não são como deves calcular muito boas. Fui crescendo com mais sonhos, que dinheiro para concretizá-los, pois lá em casa ele rareava. Aos catorze anos, farto daquela vida, fugi para a cidade. Mas na cidade, ninguém ligava a um miúdo, ninguém lhe dava trabalho. Vagueei pelas ruas durante vários dias. Cheio de fome, entrei numa igreja, disposto a roubar a caixa das esmolas para comer. Faltou-me a coragem e sentei-me num banco a chorar. Depois de algum tempo senti que uma mão me afagava a cabeça, e vi que era o padre. Tentei fugir, mas ele segurou-me o pulso com força, falou-me com tal suavidade, que quase sem dar por isso, acabei por lhe falar da minha vida, dos meus sonhos, da fuga, enfim uma verdadeira confissão. Então ele levou-me a um pequeno café que havia perto da igreja, e pagou-me uma refeição. Depois disse que ia tomar conta de mim, que me ia ajudar a realizar os meus sonhos.  Pediu a morada do meu pai e escreveu-lhe a dizer que eu estava bem e que ia estudar. Depois levou-me para casa de uma irmã que tinha dois filhos, um da minha idade, e outro um pouco mais velho. Eles acolheram-me muito bem, partilharam comigo, roupa, alimentação, e carinho. O padre Miguel, e algumas senhoras da catequese, pagaram-me os estudos e obrigaram-me a estudar. Graças a eles, não sou hoje um vadio. Era aplicado e cheguei a fazer dois anos num. Depois fui para a faculdade. Na primeira semana na faculdade, o padre Miguel, trouxe-me um bilhete de comboio e informou-me que meu pai tinha morrido. Voltei à terra para o funeral, cheio de pena, de não ter conseguido ganhar o seu amor. Depois regressei para a minha verdadeira família. O padre Miguel e os seus. E para a faculdade.  Queria ajudar nas despesas, mas eles não me deixavam trabalhar. Eu tinha um incrível jeito para o desenho e comecei a vender alguns desenhos, aos amigos, e a fazer ilustrações para editoras, e jornais. O que ganhava, não era muito, mas dava tudo ao padre Miguel, para ajudar nas despesas. 


  

21 comentários:

✿ chica disse...

Enfim ele também abriu seu coração.Por quantas passou!! Vamos aguardando! bjs, chica

Majo Dutra disse...

Que surpresa!!
Mais interessante do que nunca!
Abraço, Elvira.
~~~~~~~~~~

redonda disse...

Gostei. Ele também se está a abrir e o passado dele parece que o irá a ajudar a aceitar (fico à espera do próximo capítulo)
um beijinho e boa-noite

AvoGi disse...

Será que não há nada na manga do rapaz? Uma violação..?
A ver...
Kis =}

Gaja Maria disse...

Tem um bom coração :)

Pedro Coimbra disse...

Finalmente a abrirem o coração.
Um abraço

Tintinaine disse...

Estou a ver que ainda vai ser o padre Miguel a casá-los e resolver o problema da falta de filhos.
Vamos em frente!

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

bom dia
nem podia ser de outra maneira.
Suspense !!!!
JAFR

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Em tempo de "confissões".
Estou a gostar.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Edumanes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edumanes disse...

David, homem do norte,
lá na igreja ele chorou
mas, foi lá onde a sorte
do Padre Miguel encontrou!

Agora tem a Daniela,
para na vida mais amar
olhando para os olhos dela
com vontades dos seus lábios beijar!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Gostei da surpresa querida Elvira, não esperava isso não.
Adorei!
Beijinhos no coração e até amanhã.

Anete disse...

Os dois estão se conhecendo melhor e conversando com sinceridade, que coisa boa!
Vamos adiante... Um bom relacionamento se faz com perseverança e compreensão...

Bjs

Bell disse...

Oi amiga

A vida difícil por vezes faz com que a gente perca o carinho e romantismo. Afinal temos que ser fortes pra vencer!!!

bjokas =)

O meu pensamento viaja disse...

Seguindo expectante.


Cerveira é V.N. de Cerveira.
Bj

Emília Pinto disse...

Ainda há gente muito boa neste nosso mundo, Elvira! Não estava à espera desta " confissão " mas continuo a achar que a criança vai chegar e talvez seja adoptada não? Isso só tu sabes. Beijinhos, amiga e boa noite.
Emilia

Cantinho da Gaiata disse...

Bom parece que se vão entender lindamente, perante as confissões.
Estou a gostar imenso, só pode ter um final feliz.
Bjs

Rosemildo Sales Furtado disse...

Comida boa é a do vizinho, vida boa é a do vizinho, só que é bom lembrar que cada um tem seus problemas.

Abraços,

Furtado

Os olhares da Gracinha! disse...

Desabafar ajuda na relação!!! Bj

Berço do Mundo disse...

Cada um com o seu fardo. Porque não há vidas perfeitas