29.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE XVIII


- Esperava esclarecer tudo na volta. Mas então fugiste e não me atendias o telefone. Fui ter com a tua avó e abri-lhe o coração. É por isso que estou aqui.
- Meu Deus! – Exclamou a jovem, incapaz de entender, tudo o que ele lhe dizia.
- Desnudei-te a minha alma, Isabel. Agora é a tua vez. Porque foste até mim, com um nome falso? Porquê, abandonares a tua carreira de advogada, para estares ao pé de mim?
- Tenho mesmo que to dizer? Não basta a humilhação que sofri há dez anos?
Pôs-se de pé. Doía-lhe o peito, ardiam-lhe os olhos, tremiam-lhe as mãos. Ele pôs-se igualmente de pé, aproximou-se dela, pôs-lhe as mãos nos ombros e fitou-a com seriedade.
- Santo Deus, Isabel! Que querias que eu fizesse? Que tomasse o que com tanta generosidade me oferecias? Seria monstruoso. Eras uma menina. Tinhas só dezasseis anos.
- Mas nunca mais me procuraste. E passaram dez anos, - queixou-se ela.
- Nos primeiros cinco anos esperei com ansiedade que voltasses. Telefonava aos amigos, perguntava por ti. Se me tivessem dito que tinhas regressado, eu voltaria imediatamente. Para ti, para o teu amor.  Mas tu não voltaste. Então, pensei que o que te tinha movido, tinha sido apenas um impulso, uma criancice de menina que desponta para a vida e se confunde com o que sente. Pensei que estarias arrependida, e nem me querias ver. Tentei esquecer e dediquei-me à escrita. Depois tive o acidente, e já não fazia sentido procurar-te. Fiquei tão feliz quando apareceste. Tentei que falasses, logo no primeiro dia, quando te perguntei se não nos conhecíamos. Mas fingiste que não. Que podia eu fazer senão seguir o teu jogo, e aguardar?
-Mas disseste que eu era uma irmã, - queixou-se
- Foi por isso que fugiste? Porque eu disse que dez anos atrás, tinha tido uma amiguinha a quem amava como irmã? Não te parece uma maluquice, ter ciúmes daquela miúda?
-Não foram ciúmes. Foi o pensamento de que nunca, seria mais do que isso, para ti.


Nota: Mais logo sairá o final desta história.  A partir de amanhã, será publicado  Rosa, o único trabalho publicado em livro, até hoje. Porque o livro esgotou e muitos de vós me têm manifestado o desejo de o ler, aqui estará a partir de amanhã. 


13 comentários:

Cantinho da Gaiata disse...

Passar a esta hora e deparar com mais um capítulo,é maravilhoso.
Este final mesmo só meu jeito....Obrigada Elvira.
Ficarei atenta ao final.
E anciosa para ver o próximo ROSA.
Beijinho grande.

✿ chica disse...

Gostando do encaminhamento ao final e já sei que sentirei falta desse enredo. Beijos, lindo dia! chica

Roaquim Rosa disse...

bom dia
vou esperar até amanhã para fazer o ultimo comentário deste lindo sonho.
JAFR

AvoGi disse...

Fim de uma começo de outra. Uma MAquina está mulher! Uma máquina bem oleada uma verdadeira mulher
Kis :=)

Edumanes disse...

Depois de esclarecidos os dez anos de desencontros. Tudo indica de que a paz, o amor e a felicidade vão continuar nas suas vidas para sempre!

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Preparando para belo final! Bj

Anete disse...

Ops, o final será feliz e caliente!...
E que venha o Rosa, livro que conhecerei alegremente...
Bjs

Tintinaine disse...

Não esperava um fim assim tão apressado!
Mas quem conta é que sabe.
Vou ficar à espera da Rosa que imagino vai dar para muitos capítulos, se calhar até ao Natal.

redonda disse...

Acabei de ler este capítulo e gostei muito :)
Fiquei contente pela oportunidade de poder vir a ler Rosa, obrigada :)

um beijinho

Majo Dutra Rosado disse...

Muito bom, Elvira.
Goatei.
Vou seguir Rosa.
Abraço
~~~

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Adorei de sobremaneira esta história.
Beijinhos,
Ailime

Jack Lins disse...

Louca para saber o final desse belo romance, e já ansiosa para acompanhar Rosa.
Beijos

Duarte disse...

Isto vai tomando proporções de romance. Vais-nos deixar com a mel nos labios?
Este ano não acabamos de ler Paula, mas seguiremos no próximo curso. Está a gostar muito como já te disse.
Faremos o mesmo que com Rosa e, se queres, extensivo aos amigos teus que o desejem.
Abralos de vida, querida amiga