Helena estava na estrada que levava à casa paterna na manhã seguinte, pouco passava das oito da manhã. Enquanto isso ela ia recordando, o que acontecera no dia anterior.
Emocionada com o sofrimento que Gonçalo expressara nas
confidências que lhe fizera, ela decidira aceitar o convite dele para jantar. Assim
ligara à filha e depois de saber que ela estava bem, dissera-lhe que só
regressaria de manhã, estava com dores de cabeça e achava melhor não conduzir
de noite. O mesmo dissera a sua mãe, quando Matilde passara o telefone à avó.
De seguida mandou uma mensagem à Rita dizendo-lhe que tinha
seguido o seu conselho e por isso estava em Lisboa. Não precisava mais explicações
a amiga compreenderia, e ela não corria o risco de que Rita telefonasse para
saber da afilhada, e dissesse alguma coisa que não devia.
Não que ela quisesse enganar deliberadamente a família, porém
não era algo que se dissesse pelo telefone. Contar-lhes-ia tudo no dia
seguinte.
Jantaram num pequeno restaurante perto da praça do Chile.
Durante o jantar, Gonçalo não se cansava de fazer perguntas sobre a sua filha,
que ela fora respondendo com todo o amor e orgulho que sentia pela filha.
Depois ele falara da sua família.
Da irmã, tão jovem e já viúva, do quanto ela sofrera com a
morte súbita do marido, quando se encontrava grávida do segundo filho, dos pais
que continuavam a viver em Braga.
Depois ele dissera que ia contar à família sobre elas, e
que gostaria que mais tarde o acompanhassem de modo a que se conhecessem.
“Deves saber que a minha mãe e a minha irmã, vão querer
logo marcar a data do casamento assim que te conheçam. Há mais de dez anos que
tentam casar-me. Principalmente a minha mãe. Creio que já me apresentou todas
as jovens em idade de casar, desde Braga ao Porto. Imagina agora sabendo da
nossa história.” Dissera-lhe ele sorrindo.
Ela sabia que quando contasse aos pais e a Rita, o que ele
lhe contara e a proposta de casamento que lhe fizera, eles também iam exercer
pressão para que aceitasse.
Mais tarde, ele voltara a perguntar se ela não tinha fotos
da filha, para que através delas ele pudesse acompanhar o crescimento da menina.
E para mostrar à família.
Ela respondera que sim. Tinha muitas fotos e vídeos de
várias fases do crescimento de Matilde em formato digital.
Trocaram então os endereços eletrónicos, e ela prometeu que
nessa mesma noite lhos enviaria.
Quando chegara a Lisboa, para se encontrar com Gonçalo,
Helena deixara o seu automóvel estacionado à sua porta e fora de metro. Não sabia
o que ele lhe ia dizer, e não queria que ele soubesse onde morava, coisa fácil
se fosse de carro e ele a seguisse.
Porém depois do jantar, ele ofereceu-se para a levar a
casa, e ela tivera que lhe dar a morada.
Quando Gonçalo estacionou junto à sua porta, e antes que
ela saísse do carro, ele segurou a sua mão entre as dele e murmurou um
emocionado obrigado.
Com o coração acelerado ela apressou-se a sair do carro,
prometendo que lhe telefonava quando contasse toda a história à filha.
Agora, a caminho de casa, preparava-se para contar à filha
e depois à restante família tudo o que Gonçalo lhe contara.







