Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta documento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta documento. Mostrar todas as mensagens

20.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE VIII




- Muito bem. Esta tarde, organizarei com o Paulo o trabalho, e amanhã de manhã, começarei com o teu caso. Preciso de uma cópia do tal documento que elaboramos aquando da recolha. Outra coisa, como é que está o caso do estagiário que precisamos?
-Estou a tratar disso. Os Recursos Humanos selecionaram três perfis. Já os analisei e qualquer dele parece-me interessante. Vamos fazer um estágio com os três, e vamos ver se correspondem às nossas exigências, e qual deles se adapta melhor ao vosso trabalho. Sendo certo que precisamos apenas de um, se os outros dois forem bons, podemos recomendá-los a algum dos nossos clientes. Tudo depende das provas dadas durante o estágio.
- Muito bem. Passo por aqui ao fim do dia para apanhar o documento. Agora se me dás licença regresso ao trabalho.
-Vai-me pondo ao corrente das tuas diligências sobre o caso.
- Fica descansado. Até logo.
O advogado levantou-se e saiu. Olga preparava-se para sair quando o empresário disse:
-Espera, Olga ainda preciso de ti.
Levantou-se, foi até ao cofre que abriu e retirou um envelope castanho. Fechou o cofre, voltou para a secretária e estendeu a Olga o envelope.
- Tira uma cópia desse documento, para dares ao Afonso quando ele vier à tarde. E volta a trazer-me o original.
Ela saiu e minutos depois estava de volta com o envelope.
-Pronto. Precisas mais alguma coisa?
-Avisa o Nicolau que passarei mais tarde. para ver se resolvemos de vez, o final do jogo.
-Mas, não tinham já finalizado?
- Um jogo, que é uma sequela de outro, que foi um êxito mundial, tem que ser qualquer coisa de excecional, para que suplante o primeiro, sob pena de se tornar um fracasso. O final não me agradava, resolvi fazer uma alteração. Dei ontem o esquema dos códigos ao Nicolau, mas parece que ele não está a conseguir aquilo que quero. Faz-me falta o Carlos. Por falar, nele, quando estará de volta?
- Para a semana. Termina esta sexta feira, o tempo que a lei lhe permite para estar com a família após o nascimento do filho. Porquê?
- Ele está mais sintonizado com as minhas ideias. E o trabalho avança mais depressa e melhor do que com o Nicolau. E não nos pudemos atrasar com o lançamento. Já está tudo programado, vai ser lançado em simultâneo em vários países. A propósito, como está a preparação da festa de lançamento aqui?
- Tudo em marcha, não te preocupes com isso.
- Muito bem. A partir deste momento não me passes nenhuma chamada. Qualquer coisa que tu mesma não consigas resolver, diz que telefonem mais tarde, que eu saí. Preciso de um tempo para assimilar as consequências desta situação.
-Muito bem, ligou o engenheiro Rui, diz que precisa que vás lá à secção de hardware, tem uma coisa para te mostrar. Pareceu-me muito entusiasmado, mas não me quis dizer o que tinha acontecido. Vais fazê-lo hoje?
- Não. Diz-lhe que estou muito ocupado, mas que amanhã vou lá logo de manhã. Ele estava a tentar conseguir fazer um microprocessador com o dobro da potência, e metade do  custo. Esse  entusiasmo provavelmente  quer dizer que o conseguiu.
- Bom, antes de saíres avisa-me: 
-Queres jantar comigo hoje? Preciso de companhia - disse ele
- Mas não vais jantar com a Glória? Queres que lhe ligue?
-Não. Terminei a relação. Dei-me conta de que os meus sentimentos pouco lhe importavam. O que lhe interessava era a minha conta bancária.
- Sendo assim fizeste bem. Conta comigo para o jantar. E para alguma confidência que queiras desabafar.
- Obrigado. És uma mulher excecional. Não percebo porque nunca te casaste. Os homens deste país devem estar cegos.
- Bom se não precisas de mais nada, deixo-te só, tenho muito trabalho à espera.
E Olga saiu fechando a porta, e deixando o empresário a sós com as suas recordações.


17.6.20

ISABEL - PARTE XXVI



 Apesar disso, o livro foi um grande êxito, já ia na décima edição, e toda a gente andava meio doida, para saber quem era o escritor mistério. 
 E tinha já agendado a data de lançamento do segundo livro, para o fim do mês. Pelo meio ficava o projecto de reunir em livro algumas das suas reportagens, como documento histórico. E, no momento encontrava-se às voltas com uma telenovela, que o seu editor lhe fizera chegar, encomenda de um canal de TV. 
 Esses projectos e a idade avançada dos pais, tinham-no levado a comprar casa em Lisboa e a estacionar por tempo indeterminado a autocaravana, sua companheira e seu refugio nos últimos anos, pensando que desta vez, talvez ficasse mais tempo do que habitualmente. Ou até quem sabe aquele fosse o tempo de acabar com a vida de aventureiro, e criar raízes.
Começava a pesar-lhe a solidão. Como agora. Não é que estivesse a pensar em casamento ou constituir família. Não. Não era isso. O seu desespero ainda não tinha chegado a esse ponto. 
O que ele queria, era  ter dois ou três amigos com quem sair, beber um copo, trocar ideias. Apenas isso. Era muito jovem quando partira de Portugal, e depois disso, sempre que vinha era de passagem, apenas para ver e abraçar os pais. 
Dos amigos da faculdade, que não via há quase vinte anos, nem sabia se estavam no país, se tinham emigrado, ou mesmo se ainda se lembravam dele. E dos miúdos da sua rua, os seus companheiros de brincadeiras na infância, todos tinham casado, e partido para outros pontos da cidade, alguns até para o estrangeiro, atraídos por uma perspectiva de vida melhor. Parecia impossível, mas era a realidade. Tinha amigos espalhados por meio mundo, mas ali, na cidade onde nascera, não tinha um único amigo. E era disso, que ele sentia falta naquele momento. Alguém com quem assistir a um jogo de futebol, ou trocar dois dedos de conversa durante um jantar.
Deu uma volta pela Praça do Comércio, totalmente diferente da última vez que ali estivera, foi até ao cais das colunas, admirou o manto de águas serenas, que a lua cheia beijava descarada, a ponte 25 de Abril, o Cristo-Rei, do outro lado do Tejo,  e murmurou:
- Tanta beleza meu Deus!
Olhou o relógio. Era quase meia-noite. Lançou um último olhar para o Tejo, e regressou ao hotel, fechando a gaveta das memórias, e interrogando-se sobre
quem era e onde viveria, aquela Isabel Mendes que tanto o impressionara.


Peço desculpa pelas ausências, vou comentando sempre que possa. Como sabem cuido de duas netas a mais nova com 10 meses. Elas deixam-me sem tempo nenhum senão à noite, e nessa altura os olhos não me dão muitas hipóteses. Actualizarei os comentários ao fim de semana pois nessa altura tenho os dias livres.


24.7.19

LONGA TRAVESSIA - PARTE VI




- Vens almoçar, Teresa?- perguntou Luísa espreitando à porta do seu gabinete.
- Se esperares dois minutos para acabar isto, vou. Não queres entrar?
- Não vale a pena. Vou indo para o refeitório. Espero lá por ti. – Disse fechando a porta.
Teresa acabou de imprimir o documento, procurou uma pasta e arquivou-o.  Pôs-se de pé. Era uma mulher muito bonita. Alta, esguia, sem ser demasiado magra, morena, de cabelo castanho doirado, que nesse momento tinha preso no alto da cabeça, num elegante carrapito. O rosto oval, os olhos amendoados, a boca pequena e carnuda, o ar sereno que ostentava, tudo contribuía para fazer dela uma mulher muito bonita. Vestia um camiseiro vermelho, e uma saia justa preta, que lhe moldava o corpo até aos joelhos, deixando à mostra um perfeito par de pernas. Completava o conjunto com uns sapatos pretos de salto alto que estilizavam ainda mais a sua figura.
Alisou a saia, e saiu do gabinete em direção ao refeitório, onde a amiga já a esperava.
Esta era também uma mulher bonita, embora junto de Teresa, a sua beleza ficasse um tanto ofuscada. Porém Luísa não se importava. Era a sua melhor amiga, a madrinha do seu filho, e sua confidente.
Eram amigas de longa data. Teresa tinha partilhado um quarto com a amiga, muitos anos atrás, quando estava na Faculdade, e Luísa já trabalhava na "Tudilar". Depois Teresa apaixonou-se e foi viver com o namorado, Luísa casou, pouco depois, mas sempre continuaram amigas. Anos mais tarde, teve a sorte de se empregar na mesma empresa, embora tivessem posições diferentes. Luísa era a secretária do chefe, Teresa a Gestora de Recursos Humanos.
- Sabes que vamos reunir esta tarde com o novo dono? – Perguntou Luísa, enquanto cortava uma porção do seu bife.
Teresa respondeu com outra pergunta:
-Então sempre é verdade que a empresa vai  ser vendida?
- Não tem outra hipótese. É vender ou declarar falência.
- E tu sabes quem são os novos donos?
-Não. Até agora, só conheço o advogado do homem.  Sei que se chama Mário qualquer coisa, que não lembro. Eu chamo-lhe o senhor Mistério.
- Porquê senhor Mistério?
- Porque nem o chefe parece saber muito sobre ele. Dizem que vive a maior parte do tempo no estrangeiro onde tem diversos negócios, embora o advogado diga que ele tem um escritório em Lisboa, mas parece que pouco pára por cá. Deve ser um velho excêntrico, que não sabe o que fazer ao dinheiro.
- Sabes se vai remodelar alguma coisa, prescindir de pessoal ou isso?
- Não. O advogado não deixou transparecer nada sobre as intenções do seu cliente. Deus queira que não seja daqueles que despedem toda a gente e metem pessoal novo.
-A que horas vêm?- Perguntou Teresa
Às dezassete. O advogado diz que ele quer conhecer todos os empregados ainda hoje, - retorquiu Luísa.
Tinham acabado a refeição e dirigiam-se para os seus gabinetes.



12.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXV




Três dias mais tarde, Helena recebeu uma chamada de um número identificado, mas que não conhecia. Atendeu.
-Estou!
- Menina Helena?
-Sim.
- Fala Jorge Noronha. Seu tio telefonou-me ontem de manhã, dizendo que tem uma coisa para me entregar. Estou em Viseu. Pode encontrar-se comigo?
-Claro. Estou no hotel Avenida. Pode passar por cá?
- A que horas?
- Quando quiser ou puder. Peça na receção para me avisarem que eu desço.
- Certo. Estou muito perto, dentro de minutos estou aí. Até já.
-Até já.
A jovem desligou o telemóvel, foi à casa de banho, escovou os cabelos, deu uma olhadela ao espelho, meteu na bolsa as certidões e a caixinha com a joia, e desceu para a salinha no átrio. Estava ansiosa e emocionada. Como seria o homem que lhe dera o ser?
Minutos mais tarde, viu entrar um homem de meia-idade, alto e magro. Caminhou com segurança até ao balcão de receção e falou com a empregada. Esta apontou na sua direção e o homem voltou-se e olhou-a. Depois disse qualquer coisa à empregada, que a jovem supôs ser um agradecimento e dirigiu-se para ela. A tremer a jovem via-o aproximar-se sentindo vontade de desatar a correr e ir-se embora. Porém não se mexeu. Os dois tinham direito a conhecer a verdade. O que acontecesse depois, se o homem ia ou não rejeitá-la já era outra história e ela tinha que estar preparada para tudo.
Cumprimentaram-se com um aperto de mão, e sentaram-se.
- Não percebo o que pode ter o Alberto de tão importante para me mandar que não o pudesse fazer pelo correio.
-Já vai entender, - disse a jovem tirando do envelope a certidão de casamento e estendendo-lha.
Ele deu uma olhada rápida ao documento, e franziu o sobrolho.
- Que quer isto dizer? – Perguntou
A jovem não respondeu. Em vez disse passou-lhe o registo do divórcio.
- Cada vez entendo menos. Para que é que o Alberto me mandou isto?
- Não foi o tio que lhas mandou. Fui eu que quis vir. Nessa certidão de divórcio a data é de vinte e oito de Novembro de mil novecentos e noventa e um. É correta essa data?
- Sim, mas continuo sem entender. Quem a mandou vir? A Natália? O que é que ela pretende agora?
- Vim por minha espontânea vontade, senhor. Vai entender se lhe disser que encontrei esses papéis, no quarto da minha mãe, Natália Trindade, exatamente há vinte e cinco dias após o seu funeral.
-A Natália morreu? 
-Vitima de cancro, no dia doze do mês passado. 
-Lamento. Apesar de tudo, não lhe desejava mal. Mas continuo sem entender, porque guardou  esses documentos, durante tantos anos, E porque a menina faz questão de mos entregar.
- Vai entender se lhe disser que eu nasci cinco meses e vinte dias após esse divórcio.
Fez-se silêncio. Um silêncio interminável, enquanto os dois se olhavam. A jovem expiando as reações no rosto do homem, enquanto ele tentava digerir a informação.
- Isso quer dizer que a menina é minha filha, - disse por fim. Era uma afirmação, não uma pergunta.
- Penso que sim. Por isso vim. Para lhe pedir que fizesse comigo um exame de ADN. Ambos temos o direito a saber a verdade.


3.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XV





Tinham-se passado os dois dias de prazo, e Pedro tinha de novo Joana na sua frente.  
- E então, - perguntou depois da saudação inicial, quando a jovem se sentou na sua frente, procurando não parecer ansioso. Qual é a tua resposta?
-Aceito, com algumas condições.
Ele não manifestou surpresa. Limitou-se a esperar.
-Mandarás redigir o tal documento, em que te comprometes a cumprir aquilo que me prometeste. A minha mãe, precisa de um tratamento urgente, por causa de uma doença grave no rim esquerdo. Esse tratamento é recente e só está disponível num hospital privado. Ela já teve cancro na mama, fez mastectomia parcial e reconstrução mamária. Está muito fragilizada, não só pela doença, como pela morte da minha irmã. A alternativa a este tal tratamento é a quimioterapia, mas o médico acha que ela está demasiado frágil para isso, além de estar com as plaquetas muito baixas em consequência da quimioterapia anterior.  Deverá iniciar o tratamento logo após o nosso casamento, que tratarás de que seja o mais depressa possível. 
-É tudo?
-Não. A minha mãe nunca consentirá neste “negócio”. Por isso temos que inventar uma história, e fazer-lhe acreditar que estamos apaixonados.  O menino será adotado pelos dois, como desejas, poderás sem dúvida dar-lhe uma educação que lhe permita ter um futuro melhor, muito mais facilmente do que eu, independentemente de fazeres ou não dele teu herdeiro. És ainda muito novo, não podes prever se no futuro, vais ou não mudar de ideias.
Que fique claro, que não quero nada além disto, e que não vou viver à tua custa.Tenho uma pequena empresa de doces e salgados para festas de aniversário ou de empresas, estou a começar, mas já tenho alguns clientes e espero vir a ter muitos mais. Por enquanto tenho trabalhado em casa, não tenho meios ainda para alugar um espaço onde possa montar a minha cozinha, por isso terei de passar várias horas lá em casa, não só para executar as encomendas, como para  criar e testar novas receitas, e acompanhar a minha mãe nesta fase critica da sua saúde. Se estiveres de acordo, podemos avançar com o negócio.
Apesar de não ter gostado do facto de ela rejeitar o seu dinheiro, Pedro não se mostrou surpreendido. Desde o primeiro momento, tinha percebido o seu amor pelos seus e a sua grande dignidade.
- Muito bem. Dispões de tempo agora, para começarmos a tratar de tudo, ou marcamos para amanhã?
- Se tu tens tempo, eu pedi a uma vizinha amiga, para ficar com a minha mãe. Ela a ajudará a cuidar do bebé quando ele acordar.
Pedro pegou no telemóvel e marcou um número.
- Ricardo, estás no escritório? Sim? Ótimo, estou a caminho com a Joana. Preciso daquele documento  de que te falei. Podemos ir aí agora para tratar disso? Obrigado, até já.
Desligou o telemóvel, guardou-o no bolso do casaco e pegando nas chaves disse:
-Vamos, Joana. O advogado espera-nos.
Saíram e seguiram para o elevador, depois do empresário ter dado instruções à sua secretária.  
Vinte minutos mais tarde entravam no escritório de Ricardo Araújo. Que já os esperava.
Pedro fez as apresentações, e depois explicou ao amigo o que desejava. 
Ricardo tomou alguns apontamentos, esclareceu alguns pontos jurídicos, pediu os documentos para o registo de identificação.
- Temos muita pressa,- disse Joana. A minha mãe precisa iniciar logo o tratamento.
-Amanhã estará pronto. Mas um casamento leva tempo a preparar.
Talvez seja melhor que a sua mãe inicie o tratamento logo que os dois assinem o documento.
- Falaremos disso, depois. A que horas tens, o documento pronto?
-Amanhã às dez podem vir assiná-lo.
Em seguida despediram-se e saíram