12.11.15

FOLHA EM BRANCO - PARTE XXVI


                                          foto do google
. -Muito bem doutor. Mas, eu não posso ficar mais tempo na cidade. É imperioso que regresse a Lisboa. Posso viajar com a Mariana?- Perguntou Miguel.
- Do ponto de vista médico, claro que pode. Em Lisboa existem bons médicos, ela pode perfeitamente ser acompanhada lá. Pode inclusive ser melhor para o restabelecimento da normalidade cognitiva da paciente, se o factor causa-efeito, estiver nesta cidade. O afastamento do local, de uma tragédia, não faz com que ela seja menor, mas faz com que pareça menos trágica. Agora, do ponto de vista legal, pode ser problemático, uma vez que uma pessoa em amnésia, não tem vontade própria, e segundo me disse, a paciente não é sua parente. Mas isso, claro, não é comigo.  E sim com o senhor e as autoridades.
-Compreendo. E o doutor poderia recomendar-me algum colega, em Lisboa?
- Claro que sim. Se quiserem aguardar um pouco na sala, eu vou escrever uma carta a um colega meu. Convém que levem a RM. Se não puder esperar, passe pela clínica, deixe a morada que eles enviam-na pelo correio. Se não o fizer, o colega vai pedir-lhe para ir fazer outra e não há necessidade disso.
-Muito obrigado, doutor.
- Boa sorte! - Respondeu o médico.
Aguardaram alguns minutos na sala, até que a assistente, lhes veio trazer uma carta endereçada a um tal doutor João Serra, na rua António Augusto de Aguiar.
Consulta paga, e já na rua, Miguel perguntou:
-Está desiludida, Mariana?
-Não devia estar? Retorquiu com amargura.
- Não. Já sabemos que não tem nada físico, o que podia tornar irreversível o seu estado. Então é preciso não perder a esperança.
Amanhã vou despachar as telas para Lisboa, e depois seguimos nós. Precisamos comprar uma mala para as suas coisas. Vai gostar da minha casa em Lisboa. Fica num sítio muito bonito, e tem outras condições que esta não tem. E, preciso contratar alguém para ir consigo ao médico e lhe fazer companhia. Vou estar muito ocupado nos próximos tempos. Tenho uma exposição para fazer, e estou muito atrasado. Tenho que ver o espaço, na galeria, escolher as telas que vou expor, mandar fazer os folhetos de apresentação, os convites,  contactar a imprensa, um sem fim de coisas.
Calou-se ao ver que a jovem chorava.
- Mau. O que é isso agora?
- Estraguei a sua vida. Deixou de pintar, de ir às suas tertúlias, está farto de gastar dinheiro comigo. Devia ir-se embora sem mim.
Estacou, zangado:
-Não digas, asneiras, - disse tuteando-a pela primeira vez




Amigos, porque amanhã é Sexta-Feira 13, o Miguel e a Mariana estarão de folga. Mas se quiserem passar por aqui, tenho a certeza que gostarão da história que tenho para vos contar. Trata-se de uma história verídica, alusiva ao dia.

15 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

...seguindo o preenchimento, da folha em branco, com imenso interesse. Um abraço, Elvira!

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira!
Coitada, agora ela ficou envergonhada!
Mas tudo vai se acertar.
Fico aguardando!
Abraços!

Amanhã eu volto!

Berço do Mundo disse...

Li os últimos episódios e espero mais reviravoltas.
Não sei como a Elvira arranja tempo para escrever tanto numa semana.
Abraço
Ruthia d'O Berço do Mundo

Edumanes disse...

Mais para ali, mais para acolá,
não se zanguem nunca nem agora
se tudo bem a encaminhado está
porque tanto a verdade se demora?

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Vera Lúcia disse...


Olá Elvira,

A jovem está deprimida, o que é natural nas circunstâncias. Não há como negar que a presença dela virou a vida de Miguel de cabeça para baixo. Contudo, se Deus escreve certo por linhas tortas, também no conto haverá um motivo válido para a aproximação dos dois.

Beijo.

lua singular disse...

Oi Elvira.
Preciso que o conto tenha um final feliz para me alegrar
Beijos
Lua Singular

Pedro Coimbra disse...

Temos o caldo entornado.
Bfds

esteban lob disse...

¡Qué de historias Elvira! Tienes una imaginación impresionante.Y gran facilidad para adaptar la realidad a la ficción.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Como diz o Pedro temos o calo entornado.
Esperemos pelos próximos capítulos.
Um abraço e bom fim de semana.

Ana S. disse...

Já li tudo desde a ultima vez que comentei.
O médico é a solução mais acertada para recuperar do trauma e voltar a ter a memória de volta.
bom fim de semana.
Abraço

Odete Ferreira disse...

Seguindo a narrativa bem urdida.
Bjo, amiga

Laura Santos disse...

Agora para Lisboa...Quero ver o que isto irá dar!...
xx

Socorro Melo disse...


Parabéns pela riqueza de detalhes!

Zilani Célia disse...

LENDO AINDA ENQUANTO O SONO NÃO ME DERRUBA.

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Rosemildo Sales Furtado disse...

Quem sabe, em Lisboa, mesmo não sendo a sua cidade, acontece algo que a faça lembrar de tudo? Aguardemos!

Abraços,

Furtado.