2.11.15

FOLHA EM BRANCO PARTE XII





Pouco passava das dez da manhã, quando um raio de sol, poisou sobre a face de Miguel, acordando-o.
De momento estranhou ter dormido vestido no sofá, mas logo a lembrança do que tinha acontecido na véspera, e de que não estava sozinho em casa o trouxe à realidade.
Levantou-se, sacudiu as calças, bastante enrugadas, passou a mão pelos cabelos e deu uma olhada rápida ao quarto, cuja porta se encontrava aberta. Estava vazio, a cama feita. Logo, a jovem teria acordado cedo.
Encontrou-a na cozinha
-Bom dia, - saudou olhando-a directamente, nos olhos, uma muda pergunta.
-Bom dia Miguel. Está tudo na mesma, como se tivesse a cabeça completamente oca.
Admirou-se com a sagacidade da jovem. Tinha lido nele como num livro aberto.
- Já comeu alguma coisa?
-Fiz umas torradas e um sumo de laranja.
-Bom. Vou tomar um duche e depois falamos.
- Algum tempo depois, regressou, envolto num roupão, o cabelo pingando, o rosto recém-barbeado.
- Tenho que ir ao quarto. Desculpe, mas é lá que guardo toda a minha roupa.
- Não precisa pedir desculpa. O quarto é seu. Aqui a intrusa sou eu, - respondeu a jovem. Preparo-lhe o pequeno-almoço. Torradas?
-Não. Só um sumo de fruta e café.
Quando voltou, já a jovem tinha o sumo pronto e preparava a cafeteira para o café.
Miguel sentou-se, rodou o copo entre os dedos e perguntou:
- Já tomou alguma decisão?
-Que decisão - retorquiu ela em sobressalto.
- Bom suponho que não estará disposta a ficar o resto da vida, sem  
memória. Penso que o melhor será procurar-mos ajuda especializada. Que me diz de consultar um psiquiatra? Ontem disseram-me que existe um, muito bom, aqui mesmo na cidade, - disse enquanto levava o copo de sumo aos lábios.
Reparou que a jovem estava lívida, os lábios trementes, e os olhos rasos de água..
Sentiu pena dela, mas que raio, ele não sabia como ajudá-la, e o tê-la trazido para casa talvez tivesse sido um erro. Ela era muito bonita, e ele era um homem. Quando os vizinhos soubessem que estava lá em casa, iam começar a falar. Ele nunca se preocupara com a sua reputação, mas ela era diferente. Era quase uma menina. Naquele momento, com o cabelo preso num gracioso rabo-de-cavalo, ninguém diria que tinha mais de dezasseis anos. Sobressaltou-se. E se era menor? Ainda se ia ver metido nalgum imbróglio.




18 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Pois é está-se mesmo a preparar um imbróglio.
Um abraço e boa semana.

Edumanes disse...

Menina bonita, cabeça oca,
não se lembra do seu passado
no cabelo tem rabo-de-cavalo
não precisa de usar toca!...

Fico aqui esperando,
para mais desse conto saber
porque estou imaginando
o amor é que vai vencer!

Tenha uma boa tarde de segunda-feira, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

O Miguel carrega todas as perguntas possíveis, mas parece-me que não está a seguir o caminho mais correcto...

Silenciosamente ouvindo... disse...

Ai, ai, deixa esperar pelo desenvolvimento, mas a amiga
tem uma capacidade de nos surpreender. Aguardo.
Bjs. e desejo que se encontre bem.
Irene Alves

✿ chica disse...

A coisa entre eles parece evoluindo! Lindo! bjs, chica

Vera Lúcia disse...


A preocupação de Miguel é valida, tanto no fato de considerar a hipótese dela ser menor de idade quanto à necessidade de procurar ajuda médica para ela.
Torcendo para que ela aceite consultar o especialista para ajudá-la a redobrar a memória. De resto, restará lidar com o afeto que já surge entre eles.

Beijo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

...gosto do cheiro do pão torrado...

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
O MIGUEL ESTÁ CERTO, UMA SITUAÇÃO QUE PRECISA SER ESCLARECIDA, QUEM É A MENINA?
MUITO BOM AMIGA.
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Pedro Coimbra disse...

Está a preparar-se a tempestade perfeita???
Boa semana

lis disse...

Oi Elvira querida
Passando logo cedinho só pra deixar um abraço e volto logo mais para ler seu conto e comentar,ok?
Feliz em retornar aos meus amigos e voce está incluidissima.
abraços e obrigada pelo carinho

Ana S. disse...

Pois, é preciso ter cuidado com essas coisas. com menores não se brinca! mas talvez se ela recuperar a memória possa dizer que idade tem.
Abraço

Mariangela do Lago Vieira disse...

É verdade! Pode dar confusão... Mesmo que ele seja bem intencionado.
Muito bom Elvira.
Abraços, uma boa semana!
Mariangela

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Se ela for menor ele está e maus lençós, melhor é deixar a menina em casa até dar um estalo na sua memória e começar a lembrar das coisas.
Beijos
Minicontista

Olinda Melo disse...


Acho que o Luís tem razão.Talvez houvesse outros caminhos Talvez tivesse sido melhor dar parte às autoridades.Enfim, nem sempre procedemos da melhor forma e não é por mal. É a nossa complexidade como seres humanos. Ele mostra as suas boas intenções propondo-lhe uma ida ao psiquiatra...Esperemos para ver.

Bj
Olinda

LopesCa Blog disse...

Ui ai pois é ainda se arrisca a confusões.


Blog LopesCa | Facebook 

Rosemildo Sales Furtado disse...

O Miguel está no caminho certo ao querer procurar ajuda de um especialista. Eu, particularmente, procuraria também, informações sobre a existência de alguma ocorrência de desaparecimento, já que se passaram as 24 horas. E a curiosidade aumentando.

Abraços,

Furtado.

Laura Santos disse...

Pois é, uma decisão terá de ser tomada. A rapariga não pode ficar ali indefinidamente sem saber quem é!
xx

Socorro Melo disse...


Que bela confusão essa que o Miguel se meteu, hein? Mas, que gesto lindo o de ajudar uma pessoa necessitada, desinteressadamente.


Socorro Melo