9.11.15

FOLHA EM BRANCO PARTE XXII




Na manhã seguinte, Miguel voltou à falésia, na companhia da jovem. Na verdade não precisava ir, a tela inacabada, ia ficar assim mesmo. Estava quase pronta. O que faltava, podia acabar em estúdio. O que ele desejava, era saber se a visão daquele local, tinha alguma influência, na memória perdida de Mariana.
Além do mais, se ela autorizasse,  desejava, fazer uns esboços da jovem, como a vira naquele dia. Para trabalhar quando voltasse ao seu estúdio em Lisboa.
Infelizmente a jovem não teve qualquer reacção que suscitasse interesse. Manteve-se calma, fez algumas perguntas, aceitou que ele fizesse vários esboços dela, cumprindo as suas ordens relativamente à mobilidade e posição do corpo.
Quando finalmente deu por terminado o trabalho e lhe estendeu a mão para a ajudar a levantar, ela permitiu-se até brincar, dizendo que não conseguia levantar-se porque tinha criado raízes.
Nos dias que se seguiram, saíram várias vezes juntos, fizeram compras, foram ao ginásio, visitaram o mercado e o museu. Influência ou não da medicação, a jovem não voltara às suas crises de choro, nem de revolta, como se estivesse resignada, ou tivesse perdido o interesse pelo seu passado.
Respondia pelo nome de Mariana, com naturalidade, como se toda a vida o tivesse ouvido.
E assim os dias foram correndo, Outubro chegava ao fim, Miguel tinha agendada uma exposição para meados de Novembro, era altura de voltar para a sua casa de Lisboa, e não sabia como fazer com a jovem. Se não lhe passava pela cabeça abandoná-la, também considerava arriscado levá-la para Lisboa. 
Na véspera, tinham ido a Portimão, fazer a Ressonância Magnética, e agora tinham que esperar uma semana, pelo resultado.
Naquela tarde, estavam sentados numa esplanada na marginal quando se ouviu o silvar de uma ambulância.
De súbito, Mariana ficou lívida, uma expressão de terror surgiu nos seus olhos, o corpo começou a tremer, e foi escorregando na cadeira até ficar toda encolhida. Grossas gotas de suor, surgiram na sua testa e deslizaram pela face como se fossem lágrimas. Levantou as mãos, e apertou a cabeça entre elas. Miguel ficou assustado.
Que se  estava a acontecer com ela? Porquê aquele desespero repentino? Não sabia o que podia fazer para a ajudar. A atitude da jovem e a sua atrapalhação, chamaram a atenção das outras pessoas que estavam na esplanada,e que se foram aglomerando à sua volta.
Alguns minutos depois, que a Miguel pareceram horas, lentamente a jovem foi voltando ao normal. Porém parecia não saber o que tinha acontecido e mostrava-se tão envergonhada que só queria sair dali.







17 comentários:

Edumanes disse...

Algo de muito grave se terá passado, para que a jovem se assustasse assim dessa maneira ao ouvir a sirene de uma ambulância. Mais um episódio e tudo na mesma, por isso mais depressa se deseja que cheque o próximo!

Tenha uma boa tarde de segunda-feira, amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

✿ chica disse...

Algum sinal está aparecendo..o que teria lembrado ao ouvir a ambulância? mais curiosidade! Está ótima! bjs,chica

Janita disse...

Santo nome de Maria...E o Miguel que não toma atitude alguma, sujeito a que dê algum desmaio à jovem e se veja em apuros!! Uma ida ao hospital impunha-se, nesta situação!
Nem a ida à falésia despertou qualquer sobressalto na jovem, mas ela devia conhecer o local ou não?
Bem, pelo menos já sabemos que a sirene da ambulância trouxe alguma reacção à Mariana...Aguardemos!!

Um abraço, Elvira!

aflores disse...

Sempre atento ao que por aqui se vai contando.
Tudo de bom.

Vera Lúcia disse...


Olá Elvira,

Li o capítulo anterior e vim direto para este.
Então, a jovem gostou do nome Mariana e se adaptou bem a ele. Quem sabe não é este mesmo o nome dela?
Tudo indica que a jovem perdeu a memória em vista de algum trágico acidente, provavelmente incluindo ela e a família.

Feliz semana.

Beijo.

XicoAlmeida disse...

Intensa a sua escrita.
Sublinho o "...porque tinha criado raizes...".
Parabens sinceros.

Donetzka Cercck L. Alvarez disse...

Oi,Elvira.Estou adorando seu conto,agora com mais mistérios sobre essa moça.

Preciso ler todos!

Estou sem computador de mesa que está no conserto e usando um lap top que vejo muito mal nele.Assim que o outro estiver consertado,voltarei,com certeza.

Obrigada pela visita,linda semana de paz profunda.

Beijos sabor carinho

Donetzka

lis disse...

Oi Elvira
Consegui ler os capítulos anteriores e parece-me uma boa história
A qualquer momento a memória virá a tona e saberemos o que temos pela frente.
É instigante,a leitura.
grande abraço.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Mais esta página e... sigo

Odete Ferreira disse...

Continuando a acompanhar... Agora com mais um ingrediente a abrir hipóteses!
Bjo, amiga :)

Pedro Coimbra disse...

Se tiver tanto horror a ambulâncias como eu.....

Mariangela do Lago Vieira disse...

Acontenceu alguma coisa para se assustar com o barulho da ambulância...
Vamos ver...
Abraços!
Mariangela

Laura Santos disse...

Algo de extremamente traumático lhe terá acontecido com uma ambulância...talvez um acidente?...
xx

Vieira Calado disse...

Amiga Elvira, como tem passado?
Espero que tudo esteja bem.
Para mais, por ora, vimo-nos livres dos gangsters...

Beijinhos para si!

Socorro Melo disse...


Nossa, até eu fiquei assustada. Não saberia fazer nada numa situação assim.

Zilani Célia disse...

MUITO BOM.

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Rosemildo Sales Furtado disse...

A reação da Mariana ao ouvir a sirene da ambulância já é um grande passo. Aguardemos!

Abraços,

Furtado.