7.11.15

FOLHA EM BRANCO PARTE XIX

Cerca das dez e meia, Adélia bateu à porta. Uma, duas vezes. Como ninguém abriu, pensou que a casa estava vazia. E como tinha a chave abriu a porta. A primeira coisa que viu, foi a porta do quarto, aberta, logo pensou que a tal jovem já estava acordada e decerto tinha saído com Miguel.
Dirigiu-se à cozinha, e nesse momento a porta da casa de banho abriu-se e Adélia viu a jovem. Deveria ter acabado de tomar banho, vestia um robe branco e tinha enrolada uma toalha em volta da cabeça, como se fora um turbante. Estacou surpreendida com a intrusão de uma estranha lá em casa.
A mulher apressou-se a dizer:
-Bom dia! Sou Adélia, e venho fazer a limpeza da casa. Estive cá de manhã, mas o Menino pediu para não fazer barulho, para não a acordar e por isso fui embora. Voltei agora. Como bati e não me abriram a porta, pensei que tinham saído.
- Bom dia, Adélia. Quando acordei, o Miguel já não estava em casa. Mas ele já me tinha falado de si. Fique à vontade. Decerto conhece melhor a casa do que eu. Vou trocar de roupa.
Dez minutos passados, Adélia dirigiu-se ao quarto, com roupa limpa para a cama. Viu que esta se encontrava arrumada e disse:
- Não precisava, ter feito a cama. Costumo mudar a roupa sempre que venho fazer a limpeza. E se a menina tiver roupa para lavar, ponha no cesto que está ao pé do tanque. Eu depois levo e meto tudo na máquina. Trago já passada a ferro.
 Calou-se. Se esperava que a jovem respondesse enganou-se. Ela continuava no sofá, com um livro nas mãos, mas Adélia teve a nítida sensação, que não lia. Parecia ausente.
Pouco depois insistiu:
-Sabe, a minha máquina, foi o Menino Miguel, quem ma ofereceu o ano passado. Antigamente eu lavava a roupa aqui mesmo, no tanque do quintal.
A jovem não respondeu e Adélia acabou por desistir da conversa.
Miguel dissera que a jovem estava doente. O que teria ela? Não parecia doente. Talvez estivesse um pouco magra de mais. Mas isso agora parecia moda. A gente nova estava cada dia mais esquelética. Enquanto prendia o lençol, deu uma breve mirada para a jovem. Parecia ausente. Talvez até nem a tivesse ouvido.  Terminou de arrumar o quarto, enrolou a roupa suja e com ela nos braços, parou na sala, bem em frente da jovem.
-A menina já comeu? Quer que lhe prepare alguma coisa?
A jovem olhou-a com estranheza. Como se regressasse de um lugar distante.
- Não tenho fome.
-Ó menina, mas precisa comer. Vou buscar um copo de leite.
-Não. Leite, não. 
-Então, trago-lhe um sumo?
-Pode ser. Obrigado


17 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Parece que a jovem consegue controlá-los a todos.
Agradável leitura uma história intrigante.

São disse...

Continuando a acompanhar

Bom serão e abraços, amiga

Edumanes disse...

Tantas perguntas sem resposta,
terá Adélia de algo desconfiado?
No retrato parece estar bem disposta
leite não, um sumo pode ser obrigado!

Assim terminou mais um episódio,
tenho esperanças de ver uma luz
lá no fundo do túnel no próximo!

Tenha um bom fim de semana, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Muito estranha está menina...
É aguardar pelo próximo texto.
Bom fim de semana amiga.
Bj.
Irene Alves

✿ chica disse...

Cada vez mais aumenta a curiosidade sobre o que tem essa moça! Instigante ! bjs, tudo de bom,chica

Andre Mansim disse...

Me sinto mal, quando venho aqui aos sábados e vejo que perdi alguns capítulos de um conto tão bem escrito e elaborado. Essa minha vida deveria ser menos corrida, mas não vejo meios para desacelerar.
Me perdoe minha amiga escritora!

Andre Mansim disse...

Obrigado Elvira! És uma grande amiga!

Zé Povinho disse...

Não podia deixar de vir ler mais estes textos deliciosos.
Abraço do Zé

Rogerio G. V. Pereira disse...

Adélia
merece a confiança dela

Janita disse...

A cada episódio que leio mais intrigada fico.

Por onde andará o Miguel? Espero que traga novas....Isto está a ficar um caso de Polícia!

Um abraço Elvira e bom fim-de-semana

Isa Sá disse...

A história promete.

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

ONG ALERTA disse...

Suspiro...
Bjbj Lisette.

Vera Lúcia disse...


Passando para atualizar a leitura, que continua instigante.
Vou para a postagem atual.

Beijo.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Eu não aguentaria essa situação e ele corre o risco de ser preso por ter em casa uma jovem com amnesia e sem documentos.
Beijos
Lua Singular

Rosemildo Sales Furtado disse...

Quem sabe, a insistência de Adélia em querer conversar, traga algo novo à memória da jovem? O melhor é aguardar.

Abraços,

Furtado.

Socorro Melo disse...


Penso que Adélia será de grande ajuda.

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
DE VOLTA.

http://zilanicelia.blogspot.com.br/