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9.6.21

COMEÇAR DE NOVO - PARTE XVII

 


No umbral estava um homem mais ou menos da sua estatura, de pele clara, cabelo castanho aloirado, e olhos cinzentos. Vestia umas calças de ganga e um T-shirt imaculadamente branca.

Os dois cumprimentaram-se com um aperto de mão.

-Entra - disse Gonçalo afastando-se para deixar entrar o amigo.

 Fechou a porta ao mesmo tempo que dizia:

-Vamos para a cozinha. Podemos conversar enquanto preparo qualquer coisa para comer. Esqueci-me de jantar. Suponho que tu já jantaste.

- Claro. E tu deves estar pior do que eu pensava para te esqueceres de jantar. Podes começar, que sou todo-ouvidos.

Gonçalo abriu o frigorífico, retirou uma embalagem de queijo, outra de presunto que colocou em cima da mesa. De uma caixa sobre o balcão retirou uma carcaça, abriu-a colocou-lhe dentro uma fatia de presunto e outra de queijo e colocou o pão na tostadeira. Voltou a abrir o frigorífico e tirou um refrigerante.

-Queres tomar alguma coisa? Uma cerveja, ou algo mais forte? – perguntou ao amigo.

- Por agora não. Não me digas que isso vai ser o teu jantar?

-Mais logo, antes de me deitar, como mais qualquer coisa, por agora isto chega, - disse sentando-se à mesa

Fernando não respondeu. Conhecia o amigo desde criança e sabia que alguma coisa tinha acontecido. Alguma coisa que ele tardava a contar o que demonstrava bem como estava perturbado. Paciente esperou que ele desabafasse. Coisa que ele não fez até acabar de comer. Então levantou—se e disse:

-Desculpa ter-te estragado a noite. Dá para perceber que estou meio perdido. Anda vamos para a sala que já te conto tudo. Não queres mesmo tomar nada? -perguntou quando entraram na sala.

A ver o aceno negativo do amigo, esperou que ele se sentasse no sofá e sentou-se no cadeirão em frente. Então Gonçalo começou a falar de todo o desassossego que tomara conta dele desde que duas semanas atrás aquela desconhecida chocara com ele, até aos acontecimentos desse mesmo dia.  Falava baixo, como se estivesse sozinho apenas pensando em voz alta. Fernando não se atreveu a interrompê-lo.

Depois de alguns segundos em silêncio, perguntou:

 - O que pensas disto? O sério e responsável Gonçalo Bacelar, está ou não ficando louco?

- Dizes que a sua presença te perturba, mas, no entanto, isso não te trouxe nenhuma memória dela? O seu rosto não te diz nada?

-Não. Todavia quando ela levantou os olhos para mim naquele dia, foi como se o meu corpo, tivesse sido atravessado por uma descarga elétrica. E hoje? Via-a aflita com a filha e não podia encará-la para que não lesse no meu olhar o desejo que tinha de abraçá-la e consola-la.

-E ela? Parecia---te perturbada?

- Como não? Tu não estarias perturbado, se tivesses um filho doente?

-De certo que sim, mas e no primeiro encontro? Disseste que te pareceu ler surpresa e medo no seu olhar.  Porque ela teria esses sentimentos se não te conhecia de lado nenhum?


13.1.20

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XXV





Quem seria aquele homem e que faria por ali. numa noite em que nem o diabo se atreveria a sair à rua? – interrogava-se mentalmente a mulher, no seu quarto, enquanto trocava o pijama e o robe molhados por outra roupa seca. Voltou ao corredor,  tentando ouvir os ruídos na casa de banho, por medo de que o homem voltasse a desmaiar, ou adormecesse de cansaço na banheira e se afogasse.
A sua casa ficava isolada a mais de três quilómetros da vila, a uns quinhentos metros da margem do rio.  Era um sítio ermo e por isso sujeito a certos perigos, especialmente para uma mulher que vivia sozinha, mas ela adorava o local, rico de paisagens e cor, ideal para os seus quadros. Não tinha medo. Durante três anos tivera aulas de defesa pessoal, sabia bem como se defender. Depois tinha um excelente cão e um bom sistema de alarme ligado diretamente ao posto da polícia na vila.
Há alguns minutos que não ouvia qualquer ruído e assustada bateu levemente na porta perguntando:
- Precisa de alguma coisa?
A porta abriu-se e o homem apareceu. Agora o rosto livre da lama, ela pôde observar que se tratava de um homem novo e bem parecido embora tivesse um golpe no lado direito do rosto que descia desde a testa, quase no início do cabelo até ao canto dos lábios. Felizmente já não sangrava e não parecia muito profundo.
- Venha comigo - disse levando-o para o quarto do irmão. Desapertou-lhe o roupão e ajudou-o a meter-se na cama, enquanto reparava que as calças do pijama, estavam curtas e a parte de cima, desapertada. Não era de admirar, o homem era bem mais alto e encorpado que o seu irmão.
-Vou preparar um copo de leite quente e desinfetar essa ferida – disse antes de sair.
Ele devia estar completamente exausto, porque quando voltou, encontrou-o profundamente adormecido. Com um antissético desinfetou a ferida, que tal como pensara não era muito profunda, e, colocou uma pomada cicatrizante e um penso sem que ele acordasse. 
Saiu fechando a porta atrás de si, e foi à casa de banho. Apanhou as roupas encharcadas, e procurou uma carteira, ou algum documento que lhe dissesse quem era aquele homem, mas os bolsos estavam vazios. Porém analisando a  qualidade das peças, pensou que o desconhecido podia ser qualquer coisa, menos um mendigo. Levou as roupas para a cozinha onde as meteu na máquina de lavar. Esperava que não fossem daquelas que encolhiam imenso ao lavar, ele precisaria das roupas para se ir embora, e as roupas masculinas que ela tinha em casa pertenciam ao seu irmão, que não tinha a mesma estatura do desconhecido. Estava muito cansada. Precisava com urgência de uma cama.  Apagou as luzes e foi para o seu quarto. Não teve problemas em adormecer. Apesar de ter um estranho no quarto ao lado.
Tejo, não só não atacara o homem, como ajudara a salvá-lo. Ela confiava no instinto do animal. Se o homem fosse perigoso, ele tê-lo-ia atacado..
Lá fora o vento continuava a soprar enraivecido e a chuva recomeçara a cair.

17.12.18

UMA ESTRELA NA NOITE




Matias sentou-se, muito encolhido. Todos os pastores tinham partido e ele ficara sozinho.
— Ficas a tomar conta das ovelhas — dissera o velho Simão antes de se fazerem ao caminho. — Já és suficientemente crescido.
O seu colega Tobias ainda lhe metera medo, sussurrando:
— E quando os lobos vierem, não fujas.
O facto é que Matias tinha medo. Há já alguns dias que o uivar do lobo ecoava até ao vale e aquela noite parecia-lhe agora mais escura do que as outras…
Mas talvez fosse por causa da luz estranha que brilhara há pouco, por volta da meia-noite.
De um momento para o outro, o céu ficou muito claro e brilhante. As estrelas começaram a dançar e a lua deu uma cambalhota. Os pastores ficaram cheios de medo e até o velho Simão começou a tremer. Só que, depois, aparecera no céu uma figura de luz que lhes disse:
— Não tenham medo. Trago-vos uma boa notícia. Alegrem-se, pois hoje nasceu Jesus Cristo, o Salvador. Que a paz esteja na terra!
Matias ouvira muito bem: a voz falara de um menino envolto em panos que estava deitado numa manjedoira e dissera que tudo tinha acontecido em Belém.
De repente, o céu inteiro tinha brilhado qual manto de ouro. Ouviram-se sons maravilhosos, uma música ímpar soara. E os pastores partiram: queriam ver o menino no presépio e levar-lhe prendas.
Só Matias é que ficou para tomar conta dos rebanhos.
A luz apagara-se há muito tempo, e agora encontrava-se sozinho na escuridão. Na mão direita segurava o cajado de pastor, e apertava com força no punho esquerdo um dente de leão. Matias partira na primavera com os pastores e, na despedida, o pai oferecera-lhe aquele canino de leão.
— Quando tiveres medo – dissera — aperta o dente com força. Alguma da força do leão vai passar para ti.
Matias ainda só pedira ajuda ao dente por duas vezes. A primeira, quando tivera de procurar sozinho um cordeiro perdido. Da segunda, quando uns ladrões andaram a rondar a cerca das ovelhas (mas os pastores conseguiram afugentá-los). Nessa altura, o dente de leão também o ajudara. E, de ambas as vezes, o medo de Matias desaparecera…
Nessa noite, também começou, aos poucos, a sentir a força do dente. Levantou-se e foi até junto do rebanho. Os pastores tinham construído um muro de pedras grossas, com uma entrada muito estreita por onde só passava uma ovelha de cada vez. E, todas as noites, as ovelhas eram conduzidas de volta a casa.
Matias tinha recebido de Simão uma tarefa importante: devia contar as ovelhas quando passavam para dentro da cerca. Colocava-se de pernas abertas em cima das pedras que estavam à direita e à esquerda da porta e, de cada vez que uma ovelha passava, dava-lhe uma palmada e contava em voz alta. Ia de um a duzentos e trinta e um. Quando estavam todas dentro da cerca, a saída era fechada com silvas.
— Eu conheço-as e elas conhecem-me a mim — dizia ele com orgulho.
Matias subiu para o muro. As ovelhas tinham-se deitado. De repente, soou bem perto um longo uivo. Mas as ovelhas não ergueram as cabeças. Matias agarrou com mais força no cajado. Pareceu-lhe sentir que o dente de leão ficara muito quente. Olhou fixamente para a escuridão. O olhar não via muito longe, mas não avistou sombra alguma de lobo. Admirou-se que as ovelhas não se tivessem erguido de um salto nem balissem de medo e se juntassem, como faziam sempre que os lobos se aproximavam.
Ter-se-ia enganado? Não haveria lobo nenhum?
Mas as dúvidas dissiparam-se e então pode ver com nitidez: perto dele, seis, sete sombras escuras deslizaram furtivamente e entraram, saltando o muro. Os lobos! Matias foi então tomado pelo medo.
Fugir, foi a primeira coisa que pensou, mas ficou como que paralisado em cima do muro. Reinava um silêncio invulgar. As ovelhas tinham-se levantado mas estavam calmas, e os seus balidos baixos não soavam a gritos de medo. Matias apertou o dente de leão com quanta força tinha! Caminhou com passos pequeninos por cima do muro de pedra e aproximou-se do local por onde os lobos tinham saltado. Tinha o cajado levantado, pronto para bater. Depois, olhou melhor. Seria verdade, ou estava a ter um sonho bonito?
O rapazinho bateu com o cajado na própria cabeça. Não, não estava a dormir. Fascinado, olhava para uma cena tão bela quanto pacífica: os lobos tinham-se colocado em círculo, com as caudas juntas, e os focinhos virados para as ovelhas. Estas farejavam os lobos e não mostravam o menor sinal de medo. Em seguida, uma após outra, voltaram a deitar-se. Os lobos também se deitaram e ali estavam, lobo ao lado de ovelha, ovelha ao lado de lobo….
Matias baixou o cajado. E foi então que ouviu um velho carneiro perguntar aos lobos:
— Porque é que vocês se lançam sobre nós nas outras noites? Porque nos querem comer?
Um dos lobos respondeu:
— Só fazemos isso quando a fome nos atormenta. Vocês comem erva e verdura. Nós vivemos da carne dos animais.
— Que pena! — suspirou o carneiro. — Que pena que não seja tudo sempre tão pacífico como nesta noite!
O lobo disse:
— Na nossa alcateia conta-se que antes era diferente. No paraíso, todos os animais se davam bem uns com os outros, e isso voltou a acontecer quando Noé construiu a arca e salvou os animais do grande dilúvio. Também nessa altura o leão e o cordeiro, o lobo e a ovelha, o tigre e o vitelo se deram bem e não fizeram mal uns aos outros. Hoje é uma dessas horas em que a paz reina por todo o lado.
O carneiro abanou a cabeça e disse:
— Pena que não seja sempre assim.
O lobo tentou consolá-lo, dizendo:
— Já ouvimos que um dia a paz há de voltar a reinar entre os animais e também entre os homens.
O carneiro não conseguiu deixar de sorrir.
— Isso seria maravilhoso — disse. — Só esperemos que essa paz venha antes que os homens nos dizimem e antes que vocês nos tenham comido…
O lobo rosnou e mostrou a dentadura afiada. O carneiro assustou-se. Não sabia que os lobos rosnam e mostram os
dentes quando se riem.
Matias ainda se encontrava de pé, em cima do muro. De repente, os lobos levantaram-se e espetaram os narizes no ar.
— Estamos muito inquietos… — rosnou um.
Galgaram o muro e desapareceram na escuridão. Logo de seguida, Matias ouviu Simão e os outros pastores que regressavam.
Matias contou-lhes o que vira e ouvira. Tobias riu-se dele e disse:
— Preguiçoso, de certeza que adormeceste e sonhaste.
— Cala-te! — disse Simão a Tobias. — Já te esqueceste que os anjos anunciaram a paz? Já te esqueceste de tudo? Matias viu um lampejo dessa luz da paz com os próprios olhos.
— Mas não vi o menino na manjedoura — disse Matias.
— Consegues ver aquela estrela clara, ali, no céu? — perguntou-lhe Simão.
— Claro, Simão, tem um brilho muito mais claro do que nas outras noites.
— Se quiseres, Matias, corre na direção que a estrela te indica. Vais encontrar o estábulo e a manjedoira, o menino, Maria e José.
— Assim sozinho, pela noite escura?
— Só se tu quiseres — respondeu-lhe Simão.
Matias ainda hesitou, mas depois lembrou-se do dente do leão.
Segurou-o com força e partiu.
Desta vez, a força do leão parecia servir de pouco: Matias estava cheio de medo e começou a tremer…
— Se tivesse ficado ao pé das ovelhas… — lamentava-se.
Estava para dar meia volta quando viu, desviado do caminho e não muito longe dele, o estábulo.
E nele entrou.
Maria embalava o menino. José sentara-se a um canto e dormia. O boi e o burro, que também estavam no estábulo, fungavam e tinham os olhos semicerrados. Maria reparou no jovem pastor e acenou-lhe com a mão para que se aproximasse. Matias chegou muito perto do menino. Maria pegou-lhe na mão que apertava o dente de leão, e disse:
— Se quiseres, podes acariciá-lo.
Matias poisou o dente no cobertor e tocou cautelosamente com um dedo na cabeça do menino. Foi percorrido por uma enorme alegria e sentiu o seu medo a desaparecer…
E ficou a contemplar o menino.
— Tenho de voltar para junto do rebanho — sussurrou por fim a Maria.
— Não te esqueças do dente de leão — lembrou-lhe ela.
Matias hesitou um instante. Depois disse, baixinho:
— É a minha prenda para o menino.
Abandonou o estábulo e saiu para a noite.
No céu, a este, a luz do novo dia mostrava-se timidamente. Matias desatou a correr. Todo ele rejubilava. O medo tinha desaparecido por completo.
Os pastores dormiam e só Tobias estava sentado perto do fogo.
— Então? — perguntou. — Tiveste medo? O teu dente ajudou-te?
— Já não preciso do dente do leão. Deixei-o ao menino. Já não tenho medo.
Willi Fährmann; Astrid Krömer
Es leuchtet hell ein Stern in dunkler Nacht
Würzburg, Edition Buchbär, 2001
(Tradução e adaptação

30.11.18

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE XX


Durante um longo minuto, o silêncio caiu sobre eles. Por fim Ana falou.
- Eu queria sentir esse amor. Queria que me ensinasses a ser feliz, e a fazer-te feliz. Mas tenho medo Simão. Um medo irracional, que me sufoca.
- E de que tens medo, querida?
- De não ser capaz de corresponder às tuas expectativas. De não conseguir fazer amor contigo, porque de repente me lembro, que somos irmãos.
- Tu sabes que não é verdade, Ana.
 – Por favor, não me interrompas. Deixa que te exponha todos os meus receios. Supõe que não dá certo. Vou perder-te para sempre, magoar os nossos pais, e isso aterroriza-me.
Com imensa ternura, contornou os olhos brilhantes, numa carícia suave.
- Já chega. Não te atormentes. Eu não tenho medo. Acredito em nós, e na força do amor. Vieste ter comigo. Sabes o que sinto e o que desejo. Só tens que decidir se vieste para ficar, e viver este amor que tenho para te oferecer, ou se te vais embora agora, e dás outro rumo à tua vida. 
Era o momento derradeiro, a última hipótese de virar costas e procurar um caminho que lhe parecesse mais seguro, ou fechar os olhos e saltar o abismo em que o medo se transformara. Lembrou-se da mãe. “Às vezes é preciso correr riscos”
Prendeu-lhe o rosto entre as mãos, e  disse baixinho:
- Fico.
Ele engoliu em seco. A emoção era um garrote que lhe sufocava a garganta. Apertou o corpo tremente nos braços, e começou a beijá-la. Lentamente, como quem saboreia um doce, foi-lhe beijando os olhos, e o rosto, até aflorar os lábios femininos. As suas mãos pareciam ter vida própria. Percorriam-lhe os braços, as costas, infiltravam-se sob a blusa, em suaves caricias que a enlouqueciam.
O beijo, tornou-se mais intenso, atrevido e urgente. Simão concentrava toda a sua energia, todo o seu amor,  toda  a sua experiência e conhecimento do corpo feminino, na tarefa única, de a levar pelos secretos labirintos da paixão, até à mágica saída, na apoteose final.
As roupas desapareceram, como por magia, e os corpos livres, uniam-se, na mais famosa dança de todos os tempos, num reconhecimento que vinha desde os primórdios da humanidade.
Mais tarde, apaziguada a loucura que os envolvera, num gesto cheio de ternura, ela tocou com a ponta dos dedos, o rosto masculino. Ele segurou-lhe a mão e beijou-os.  Simão, era um homem experiente, sabia reconhecer quando a mulher que tinha nos braços, estava com ele na entrega sublime do amor. Ana tinha estado. Tinha-se entregado de corpo  e alma. Ele sentiu-o. Mas precisava ouvi-lo da sua boca. Saber até que ponto ela tomara consciência do que acabara de acontecer, saber se conseguira matar todos os seus fantasmas. 
- E, então, querida?- Perguntou num sussurro 
- Amo-te.
- Sem medos, nem fantasmas?
- Sim
-Tens a certeza?
- Nunca tive tanta certeza de nada na minha vida. É… incrível. Sei que é um lugar-comum, mas não me ocorre outra maneira de to dizer. Sinto-me a mulher mais feliz do mundo.

reedição









6.8.18

FOLHA EM BRANCO- PARTE VIII


                                      


Enquanto a jovem arrumava a cozinha, na sala, Miguel foi testando as telas e juntando as que já estavam secas, tentando libertar um pouco o espaço. Nunca se tinha preocupado com isso, pois nunca levava ninguém lá a casa, e ele próprio pouco parava por lá. Agora era diferente.
Tinha de sair. Esquecera de comprar roupa para a jovem dormir. 
Se ela quisesse sair, podiam ir às compras.
Minutos depois apareceu na cozinha.
- Quando acabar, podemos sair. Quem sabe se recorda de alguma coisa algum lugar.
- Não,- quase gritou a jovem. Depois mais calma acrescentou:
Se não se importa, eu prefiro ficar. Pelo menos hoje. Tenho medo do que posso encontrar. Por favor!
-Você é que sabe. Mas não pode encerrar-se num casulo e ficar a hibernar. Mais cedo ou mais tarde terá que enfrentar o seu medo, e procurar encontrar o seu passado.
- Eu sei. Mas como fazer isso se não me lembro de nada?
- Pode encontrar alguém que a conheça. Que lhe diga quem é.
- E terei que viver segundo o que me dizem, sem saber se é verdade ou mentira? O senhor mesmo, disse que não me conhece e não sabe quem sou. Mas, eu estava sozinha consigo, quando acordei. Como fui lá parar? Quem me levou? E como é que o senhor não viu nada?
- O que lhe disse é verdade, mas parece-me que não confia em mim. A única coisa que posso acrescentar, talvez sirva para a pôr mais confusa ainda. Por isso não lho disse antes. Mas talvez o devesse ter feito. Você preparava-se para saltar da falésia. Eu impedi que o fizesse, desmaiou e quando acordou foi o que sabe. Não há mais nada que eu saiba, ou que esteja a esconder.
Ante a palidez da jovem, calou-se, ajudou-a a sentar-se e preparou-lhe um copo de água com açúcar.
-Eu… eu, ia matar-me? - Balbuciou incrédula.
- A menos que tivesse algum paraquedas escondido, -brincou Miguel tentando desanuviar a tensão da revelação.
- Mas porquê? O que é que eu fiz de tão errado, para querer acabar com a vida?
- As vezes, não fazemos nada. A vida é alegria e dor, e às vezes a dor é tão grande que acaba com a própria existência. Um dia saberemos o que aconteceu, não se martirize mais.
 - O senhor é um anjo.
-Longe disso, menina, longe disso. E por favor, o meu nome é Miguel.
A jovem levantou para ele os olhos rasos de água, e murmurou
- Obrigado Miguel.






20.1.17

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE XX


Durante um longo minuto, o silêncio caiu sobre eles. Por fim Ana falou.
- Eu queria sentir esse amor. Queria que me ensinasses a ser feliz, e a fazer-te feliz. Mas tenho medo Simão. Um medo irracional, que me sufoca.
- E de que tens medo, querida?
- De não ser capaz de corresponder às tuas expectativas. De não conseguir fazer amor contigo, porque de repente me lembro, que somos irmãos.
- Tu sabes que não é verdade, Ana.
 – Por favor, não me interrompas. Deixa que te exponha todos os meus receios. Supõe que não dá certo. Vou perder-te para sempre, magoar os nossos pais, e isso aterroriza-me.
Com imensa ternura, contornou os olhos brilhantes, numa carícia suave.
- Já chega. Não te atormentes. Eu não tenho medo. Acredito em nós, e na força do amor. Vieste ter comigo. Sabes o que sinto e o que desejo. Só tens que decidir se vieste para ficar, e viver este amor que tenho para te oferecer, ou se te vais embora agora, e dás outro rumo à tua vida. 
Era o momento derradeiro, a última hipótese de virar costas e procurar um caminho que lhe parecesse mais seguro, ou fechar os olhos e saltar o abismo em que o medo se transformara. Lembrou-se da mãe. “Às vezes é preciso correr riscos”
Prendeu-lhe o rosto entre as mãos, e  disse baixinho:
- Fico.
Ele engoliu em seco. A emoção era um garrote que lhe sufocava a garganta. Apertou o corpo tremente nos braços, e começou a beijá-la. Lentamente, como quem saboreia um doce, foi-lhe beijando os olhos, e o rosto, até aflorar os lábios femininos. As suas mãos pareciam ter vida própria. Percorriam-lhe os braços, as costas, infiltravam-se sob a blusa, em suaves caricias que a enlouqueciam.
O beijo, tornou-se mais intenso, atrevido e urgente. Simão concentrava toda a sua energia, todo o seu amor,  toda  a sua experiência e conhecimento do corpo feminino, na tarefa única, de a levar pelos secretos labirintos da paixão, até à mágica saída, na apoteose final.
As roupas desapareceram, como por magia, e os corpos livres, uniam-se, na mais famosa dança de todos os tempos, num reconhecimento que vinha desde os primórdios da humanidade.
Mais tarde, apaziguada a loucura que os envolvera, num gesto cheio de ternura, ela tocou com a ponta dos dedos, o rosto masculino. Ele segurou-lhe a mão e beijou-os.  Simão, era um homem experiente, sabia reconhecer quando a mulher que tinha nos braços, estava com ele na entrega sublime do amor. Ana tinha estado. Tinha-se entregado de corpo  e alma. Ele sentiu-o. Mas precisava ouvi-lo da sua boca. Saber até que ponto ela tomara consciência disso, saber se conseguira matar todos os seus fantasmas. 
- E, então, querida?- Perguntou num sussurro 
- Amo-te.
- Sem medos, nem fantasmas?
- Sim
-Tens a certeza?
- Nunca tive tanta certeza de nada na minha vida. É… incrível. Sei que é um lugar-comum, mas não me ocorre outra maneira de to dizer. Sinto-me a mulher mais feliz do mundo.


18.1.17

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE XVIII


Encontrou a mãe na sala, tricotando uma camisola para a neta. Recebeu o beijo que a filha lhe dava e disse.
- Senta-te. Esperava-te de manhã
Não se admirou. A mãe sempre sabia quando algo a atormentava. E também sabia que recorreria a ela com a mesma fé com que o naufrago se agarra à tábua de salvação que lhe estendem.
-Sabes o que se passa?
 Assentiu com a cabeça.
- Sabia-lo há muito tempo?
Voltou a acenar com a cabeça.
- Desde quando mãe?
- Pois não tenho a certeza, quando começou. Eu descobri-o nos seus olhos há cinco anos, na cerimonia de casamento dos teus irmãos.
- Era assim tão evidente?
- Para o coração de uma mãe, sim.
-Sabes que ele não regressa por minha causa?
- Sei.
- E não me odeias?
- Que ideia é essa, Ana? Sabes que sempre te amei como uma filha, muito embora não o sejas. Se tivesse que odiar alguém talvez tivesse de o fazer comigo. Pensas que não me sinto culpada? Se não tivesse fomentado entre vós esse arreigado sentimento de fraternidade, talvez agora estivéssemos todos mais felizes. Simão diz que não o consegues ver, senão como irmão.
- Desde ontem que o tento mãe. Contou-te que me beijou?
Negou com um movimento de cabeça.
 - Pois fê-lo. E esse beijo mexeu comigo como nada nem ninguém o tinha feito até hoje.
Abraçou a mãe e escondeu a cabeça no seu regaço, exatamente como quando era menina, e alguma coisa a preocupava. Francisca estendeu a mão e acariciou a cabeça da filha.
- Tenho medo, mãe.
- Medo de quê, Ana?
-Medo de me deixar embarcar numa ilusão que nos traga muito sofrimento. Ou que afunde a família.
- Pensas que não o amas, ou que podes vir a amá-lo?
-Não sei. O meu coração está desnorteado, a minha cabeça confusa. O Simão foi por mim o mais amado dos irmãos. Por isso estava tão zangada, por achar que já não gostava de mim. Mas nunca até ontem o vi como homem, nem nunca passou pela minha cabeça pensar nele como tal. Muito menos como o homem da minha vida. Mas desde que me beijou, tudo mudou. Imagino-o de mil maneiras, menos como irmão. Se isso é amor, não sei. Sinto-me desorientada.
É natural, Ana. Espera um pouco. O tempo ajuda a clarificar sentimentos.
- Sabes que não quero só alguém que me ame e me proponha casamento. Se fosse só isso, há anos que me tinha casado. Eu quero alguém que partilhe tudo comigo. A sua vida, os seus sonhos,  o seu amor. Que me enlouqueça.  Imagina que isso não acontece com o Simão. Perdi o irmão e não ganhei o amante. Entendes?
Acenou afirmativamente.
- É disso que tenho medo. De me expor, e de expor toda a família ao sofrimento. No fundo, o que eu queria, era viver um amor como o teu com o pai. Nunca conheci ninguém tão feliz como vocês.
- Nem sempre foi assim, Ana.
- Não? – Perguntou admirada.
-Vou contar-te como conheci o teu pai. É um segredo que nunca contei a nenhum dos teus irmãos, e que espero fique entre nós.  
E Francisca, falou do estranho contrato, celebrado com o marido, que estivera por base do seu casamento. 
Ana estava verdadeiramente espantada. Custava-lhe a aceitar a história que a mãe lhe contava.
- Foi muito arriscado. E se nunca se tivessem apaixonado?
 Viveriam uma vida sem amor, só por nossa causa?
- Era uma boa causa. Mas eu amei o teu pai desde o primeiro dia. E tinha a esperança de que um dia me correspondesse. E às vezes, para chegar ao cume da montanha,não basta ter um bom equipamento.   É preciso correr riscos.
Ana olhou a mãe tentando entender a mensagem.



HELP
O SEXTA AMANHECEU SEM LISTA DE BLOGUES NÃO SEI PORQUÊ. LEVEI DUAS HORAS PARA ENCONTRAR OS LINKS QUE SE ENCONTRAM NA LISTA.  PEÇO A QUEM ME VISITA, PARA DAR UMA OLHADA E SE O SEU BLOG NÃO CONSTAR DA LISTA, POR FAVOR DEIXE-ME O LINK NO COMENTÁRIO. 
OBRIGADA





3.10.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE XII





Pouco tempo depois, uma bola embateu violentamente nas suas pernas e ficou a rodar um pouco à sua frente. Resmungando, pousou o livro a seu lado e apanhou a bola. Ao olhar em volta, viu um rapazinho de olhos claros que o olhava a medo.
- Anda cá pequeno! Toma a tua bola.
- Como sabe que é minha?
 – Deduzi.
- Do...quê? - Perguntou admirado, lutando contra o desejo de se aproximar, e o receio de o fazer.
Pedro sorriu, e enquanto lhe estendia a bola acrescentou:
- Sabes que me bateste com força?
 – Não fui eu que a joguei – desculpou-se. Foi a minha irmã. Ela quer mostrar que como é maior que eu tem mais força, por isso joga sempre a bola para longe...
 – Ah! Ela é maior que tu! Mas olha, diz-lhe que os homens não se medem aos palmos.
- Olha, diz-lhe tu. Vais ver como fica zangada.
- Ora, ora, e a tua irmã é perigosa quando se zanga? - Perguntou divertido
 – Se é. Até assopra como os gatos.
Pela primeira vez, desde há muito, Pedro soltou uma sonora gargalhada. E perguntou:
- Como te chamas?
 –Pedro. E tu?
 – Engraçado. Também me chamo Pedro. Acreditas?
 – Se tu o dizes.
O garoto tinha perdido qualquer espécie de receio, e estava agora à vontade, como se o conhecesse desde sempre.
- Ora este rapazinho! Aposto que tem estado a maçá-lo.
A voz que soara atrás de Pedro era tão doce, tão maviosa, que o levou a interrogar-se mentalmente, enquanto se voltava, se os anjos teriam voz.
Na sua frente estava a mais bela figura feminina que Pedro algum dia vira. E ele já tinha visto várias. Não era nem de longe, nem de perto o santo que a mãe dizia que era. Verdade, porém, que as belas mulheres com que se relacionara não seriam nunca daquelas que ele apresentaria à sua velha mãe. Porém aquela era diferente. Tinha tal candura no sorriso, tal pureza no olhar, que mentalmente voltou a associá-la aos anjos. Olhou-a de alto a baixo, maravilhado. Trazia uma blusa vermelha e umas calças pretas que modelavam o seu corpo. Calçava sandálias sem salto e tinha os cabelos apanhados num gracioso rabo-de-cavalo. Apercebendo-se do olhar analítico do homem, a jovem corou. "Santo Deus, era só o que me faltava ver", pensou ele.
- Não maçou nada, é um rapazinho encantador.
- Ora, se lhe dá confiança, nunca mais o deixa em paz...
 – Mana, este senhor também se chama Pedro, e sabes uma coisa? Ias-lhe partindo a perna, com a bola – a voz do miúdo, veio quebrar o encanto e devolver normalidade ao encontro.
- Oh! Desculpe. Não queria atingir ninguém. - Estendeu-lhe a mão, e acrescentou:
- Chamo-me Rita. Estou perdoada?
 – Perdoadíssima – disse ele sorrindo e retendo a mão feminina na sua.


4.11.15

FOLHA EM BRANCO - PARTE XV




Terminada a refeição que decorreu em amena camaradagem, como se os dois se conhecessem desde sempre, tomaram o rumo do centro da cidade.
Miguel estava espantado. A jovem que o acompanhava em nada se parecia com a do dia anterior, ou mesmo dessa manhã. Que se passara entretanto para uma mudança tão radical. Era como se a jovem se tivesse esquecido do seu problema. Mas a pergunta que lhe fizera, antes de entrarem no restaurante, demonstrava o contrário. Apesar de gostar de a ver assim, estranhava-lhe, a atitude da jovem.
Na baixa, Miguel procurou o consultório do tal psiquiatra, que lhe tinha sido recomendado. Infelizmente não tinha vagas para toda aquela semana. Miguel insistiu, era urgente, se fosse possível uma vaga. Não era possível. Só na próxima semana. Segunda-feira às 15 horas. Miguel acabara de marcar a consulta, quando o telefone tocou. A empregada atendeu e depois chamou-os ,quando os dois já se preparavam para sair..
- Parece que é o seu dia de sorte, disse sorrindo. A marcação das dezassete horas, acaba de desistir da consulta. Pode ficar para os senhores . Em que nome fica a marcação?
E agora? Miguel procurou os olhos da jovem e só viu neles medo. Decidido deu o seu nome.
-Miguel Fernandes
-Então senhor Fernandes, a consulta está marcada para as dezassete.
- Obrigado. Voltarei a essa hora.
Uma vez na rua, disse.
- São duas e vinte. Vamos lá comprar os chinelos. Entretanto, talvez precise de outras coisas. Um creme, um perfume, eu sei lá. Não entendo nada das vossas necessidades.
Esperava um sorriso da jovem, mas o rosto dela tinha voltado a ficar taciturno.
Compraram os chinelos, e umas calças que lhe despertaram o interesse.  Depois parou junto de uma montra, cheia de bonitas malas de senhora. Porém quando Miguel lhe disse para escolher uma, a jovem encolheu os ombros e respondeu com tristeza:
-Para quê? Não tenho nada para pôr lá dentro.
Por fim, foram a uma perfumaria e depois de vários testes, escolheu o Angel, de Thierry Mugler.
Miguel, olhou o relógio. 16,30. Tinham apenas tempo para um bolo ou gelado antes da consulta. Porém a jovem estava demasiado nervosa e não quis nada, pelo que se dirigiram para o consultório



20.11.14

ROSA ------------- FINAL

Foto de um grupo de retornados. Em 74, em poucos meses, meio milhão de portugueses regressaram das colonias. Chegavam de barco ou de avião, na sua maioria de "mãos vazias". Fugiam da guerra deixando para trás tudo o que tinham. Esta foto não é minha, (até porque nessa altura eu estava em Luanda) Foi retirada da net

                                       XVI

Para Rosa tudo era novo e diferente, ela não entendia muito bem o que se passava no País mas o que ela notava é que o povo estava mais alegre, mais feliz
Por outro lado, João recuperara o emprego, o filho conseguira trabalho na Siderurgia Nacional, a filha mais nova fora trabalhar para a Timex, até o filho doente, estava melhor agora, graças a uma bomba que o médico já tinha receitado à muito, mas que ela nunca conseguira dinheiro para comprar. A sua vida estava muito melhor, ela podia enfim descansar um pouco, deixando o trabalho a dias e ficando em casa a cuidar do marido e dos filhos solteiros. Podia também cuidar dos netos, deixando as filhas mais descansadas e mais libertas de despesas. Porém, sobre ela pairava, como uma sombra, o medo pelo filho ainda lá longe. Principalmente porque não havendo a P.I.D.E, nem censura, tudo o que se passava em África chegava a Portugal. Rosa sabia que o governo, estava a negociar a independência, mas todos os dias chegavam a Portugal “os retornados” que falavam do medo que sentiam, da guerrilha entre os movimentos de independência, e alguns residentes pró colonialistas.  falava-se de mortes, do recolher obrigatório, da incapacidade dos militares impedirem os indígenas que os saqueavam. E o seu filho continuava lá em Angola. Por outro lado, os políticos pareciam não se entender, os governos provisórios sucediam-se, e Rosa tinha muito medo que tudo voltasse ao mesmo, ou como diziam alguns, que a seguir à ditadura fascista, se seguiria uma ditadura comunista. O marido dizia-lhe, que isso sim seria um sonho, mas Rosa, que era uma mulher sem instrução, e tudo o que aprendera na vida, ficara-lhe  gravado na memória pelo sofrimento, achava que ditadura nunca seria coisa boa, fosse ela fascista ou comunista. E lembrava-se do que a avó sempre dizia quando ela era pequena e nem bem sabia o sentido das palavras. “Atrás de mim virá, quem bom me fará” Tinha medo. Muito medo de ainda vir a achar que os anos para trás, é que tinham sido bons. Naquele verão, mais de um ano após a revolução, o país parecia caminhar para uma guerra civil, e ela tinha medo do que o futuro lhe podia ainda reservar.  Medo que só perdeu, quando em Novembro de 75, pode enfim abraçar o filho que regressara são e salvo, após a Independência de Angola. E quase no final desse mesmo mês,  a viragem histórica do país, que afastou o espectro da guerra civil.
Agora sim, Rosa era uma mulher feliz.

                                         
 Fim

Maria Elvira Carvalho


Bom, agora o pedido do costume, aos que acompanharam a história da Rosa. Gostaram da história?  Não gostaram? Não se acanhem. É com as vossas criticas que posso melhorar para o próximo.