Quem
seria aquele homem e que faria por ali. numa noite em que nem o diabo se
atreveria a sair à rua? – interrogava-se mentalmente a mulher, no seu quarto, enquanto trocava o pijama e o robe molhados por outra roupa seca. Voltou ao corredor, tentando ouvir os ruídos na casa de banho, por medo de
que o homem voltasse a desmaiar, ou adormecesse de cansaço na banheira e se
afogasse.
A
sua casa ficava isolada a mais de três quilómetros da vila, a uns quinhentos metros da margem do rio. Era um
sítio ermo e por isso sujeito a certos perigos, especialmente para uma mulher
que vivia sozinha, mas ela adorava o local, rico de paisagens e cor, ideal para
os seus quadros. Não tinha medo. Durante três anos tivera aulas de defesa pessoal, sabia bem como se defender. Depois tinha um excelente cão e um bom sistema de alarme
ligado diretamente ao posto da polícia na vila.
Há
alguns minutos que não ouvia qualquer ruído e assustada bateu levemente na
porta perguntando:
-
Precisa de alguma coisa?
A
porta abriu-se e o homem apareceu. Agora o rosto livre da lama, ela pôde
observar que se tratava de um homem novo e bem parecido embora tivesse um golpe
no lado direito do rosto que descia desde a testa, quase no início do cabelo
até ao canto dos lábios. Felizmente já não sangrava e não parecia muito
profundo.
-
Venha comigo - disse levando-o para o quarto do irmão. Desapertou-lhe o roupão
e ajudou-o a meter-se na cama, enquanto reparava que as calças do pijama,
estavam curtas e a parte de cima, desapertada. Não era de admirar, o homem era bem mais
alto e encorpado que o seu irmão.
-Vou
preparar um copo de leite quente e desinfetar essa ferida – disse antes de
sair.
Ele devia estar completamente exausto, porque quando voltou, encontrou-o profundamente adormecido. Com um antissético desinfetou
a ferida, que tal como pensara não era muito profunda, e, colocou uma pomada
cicatrizante e um penso sem que ele acordasse.
Saiu
fechando a porta atrás de si, e foi à casa de banho. Apanhou as roupas encharcadas,
e procurou uma carteira, ou algum documento que lhe dissesse quem era aquele homem,
mas os bolsos estavam vazios. Porém analisando a qualidade das peças,
pensou que o desconhecido podia ser qualquer coisa, menos um mendigo. Levou as
roupas para a cozinha onde as meteu na máquina de lavar. Esperava que não
fossem daquelas que encolhiam imenso ao lavar, ele precisaria das roupas para
se ir embora, e as roupas masculinas que ela tinha em casa pertenciam ao seu irmão, que não tinha a mesma estatura do desconhecido. Estava muito cansada. Precisava com urgência de uma cama. Apagou as luzes e foi para o seu quarto. Não teve problemas em adormecer. Apesar de ter um
estranho no quarto ao lado.
Tejo, não só não atacara o homem, como ajudara a salvá-lo. Ela confiava no instinto do animal. Se o homem fosse perigoso, ele tê-lo-ia atacado..
Lá fora o vento continuava a soprar enraivecido e a chuva recomeçara a cair.
Tejo, não só não atacara o homem, como ajudara a salvá-lo. Ela confiava no instinto do animal. Se o homem fosse perigoso, ele tê-lo-ia atacado..
Lá fora o vento continuava a soprar enraivecido e a chuva recomeçara a cair.




