18.1.17

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE XVIII


Encontrou a mãe na sala, tricotando uma camisola para a neta. Recebeu o beijo que a filha lhe dava e disse.
- Senta-te. Esperava-te de manhã
Não se admirou. A mãe sempre sabia quando algo a atormentava. E também sabia que recorreria a ela com a mesma fé com que o naufrago se agarra à tábua de salvação que lhe estendem.
-Sabes o que se passa?
 Assentiu com a cabeça.
- Sabia-lo há muito tempo?
Voltou a acenar com a cabeça.
- Desde quando mãe?
- Pois não tenho a certeza, quando começou. Eu descobri-o nos seus olhos há cinco anos, na cerimonia de casamento dos teus irmãos.
- Era assim tão evidente?
- Para o coração de uma mãe, sim.
-Sabes que ele não regressa por minha causa?
- Sei.
- E não me odeias?
- Que ideia é essa, Ana? Sabes que sempre te amei como uma filha, muito embora não o sejas. Se tivesse que odiar alguém talvez tivesse de o fazer comigo. Pensas que não me sinto culpada? Se não tivesse fomentado entre vós esse arreigado sentimento de fraternidade, talvez agora estivéssemos todos mais felizes. Simão diz que não o consegues ver, senão como irmão.
- Desde ontem que o tento mãe. Contou-te que me beijou?
Negou com um movimento de cabeça.
 - Pois fê-lo. E esse beijo mexeu comigo como nada nem ninguém o tinha feito até hoje.
Abraçou a mãe e escondeu a cabeça no seu regaço, exatamente como quando era menina, e alguma coisa a preocupava. Francisca estendeu a mão e acariciou a cabeça da filha.
- Tenho medo, mãe.
- Medo de quê, Ana?
-Medo de me deixar embarcar numa ilusão que nos traga muito sofrimento. Ou que afunde a família.
- Pensas que não o amas, ou que podes vir a amá-lo?
-Não sei. O meu coração está desnorteado, a minha cabeça confusa. O Simão foi por mim o mais amado dos irmãos. Por isso estava tão zangada, por achar que já não gostava de mim. Mas nunca até ontem o vi como homem, nem nunca passou pela minha cabeça pensar nele como tal. Muito menos como o homem da minha vida. Mas desde que me beijou, tudo mudou. Imagino-o de mil maneiras, menos como irmão. Se isso é amor, não sei. Sinto-me desorientada.
É natural, Ana. Espera um pouco. O tempo ajuda a clarificar sentimentos.
- Sabes que não quero só alguém que me ame e me proponha casamento. Se fosse só isso, há anos que me tinha casado. Eu quero alguém que partilhe tudo comigo. A sua vida, os seus sonhos,  o seu amor. Que me enlouqueça.  Imagina que isso não acontece com o Simão. Perdi o irmão e não ganhei o amante. Entendes?
Acenou afirmativamente.
- É disso que tenho medo. De me expor, e de expor toda a família ao sofrimento. No fundo, o que eu queria, era viver um amor como o teu com o pai. Nunca conheci ninguém tão feliz como vocês.
- Nem sempre foi assim, Ana.
- Não? – Perguntou admirada.
-Vou contar-te como conheci o teu pai. É um segredo que nunca contei a nenhum dos teus irmãos, e que espero fique entre nós.  
E Francisca, falou do estranho contrato, celebrado com o marido, que estivera por base do seu casamento. 
Ana estava verdadeiramente espantada. Custava-lhe a aceitar a história que a mãe lhe contava.
- Foi muito arriscado. E se nunca se tivessem apaixonado?
 Viveriam uma vida sem amor, só por nossa causa?
- Era uma boa causa. Mas eu amei o teu pai desde o primeiro dia. E tinha a esperança de que um dia me correspondesse. E às vezes, para chegar ao cume da montanha,não basta ter um bom equipamento.   É preciso correr riscos.
Ana olhou a mãe tentando entender a mensagem.



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O SEXTA AMANHECEU SEM LISTA DE BLOGUES NÃO SEI PORQUÊ. LEVEI DUAS HORAS PARA ENCONTRAR OS LINKS QUE SE ENCONTRAM NA LISTA.  PEÇO A QUEM ME VISITA, PARA DAR UMA OLHADA E SE O SEU BLOG NÃO CONSTAR DA LISTA, POR FAVOR DEIXE-ME O LINK NO COMENTÁRIO. 
OBRIGADA





16 comentários:

Isa Sá disse...

Acompanhando a história...

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Tintinaine disse...

A mãe é uma boa professora e a Ana, apaixonada como está, vai aprender tudo direitinho.
Pelo menos é nisso que eu acredito e se o autor não me quiser contrariar é assim que vai acontecer!

António Querido disse...

Pois é, por vezes as pessoas não estão preparadas para subir a montanha sem arranhões, mas quando o amor sobe mais alto respira-se ar puro!

Com ar bastante frio vai o meu abraço, derivado às temperaturas na A1.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar e o meu Link está lá não desapareceu de vez em quando acontecem destas coisas para nosso desespero.
Um abraço e boa semana.
Andarilhar || Dedais de Francisco e Idalisa || Livros-Autografados

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia Elvira!
Estou a ler seu conto desde o primeiro dia e nem preciosa dizer que estoua adorando, né?
Adorei, 25 anos depois de uma história de amor tão linda.
Parabéns querida amiga, beijinhos. <3

(www.dialogodamore.blogspot.com.br)

Rui disse...

Estou a adorar, Elvira !
É extraordinário de cumplicidade o amor entre uma mãe e sua filha . Creio que mais ainda que mãe e filho !
Finalmente alguém mais, sabe da situação (anormal, ou estranha) passada com Francisca e creio que isso será uma questão importante para motivar a Ana, na sua futura relação com o "irmão morto", Simão !

Aguardemos ! :))

Abraço ! :)

Os olhares da Gracinha! disse...

E conselho de mãe é sempre válido!
Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

muito bem encaminhado....aguardemos ...

beijinho Elvira


:)

O meu pensamento viaja disse...

Subir montanhas é, por vezes, excessivamente desafiante!Bj

Socorro Melo disse...


Admiro Francisca. Uma mulher serena, sábia, conhecedora do Universo de cada filho, em particular, e grande conciliadora. Grande personagem.

Gaja Maria disse...

Tudo se vai compor e o Simão é correspondido :)

Edumanes disse...

O beijo de Simão mexeu com a Ana, diz que está desnorteada! O que ela está é apaixonado por Simão. Se nascem um para o outro, o destino os juntará!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Pedro Coimbra disse...

Eu não dizia que a conversa com a mãe ia mudar tudo??
Um abraço

maria disse...

que bom Ana poder contar com o apoio da mãe... tudo se vai resolver!

Odete Ferreira disse...

Seguindo e a gostar imenso...
Dei uma vista de olhos, não me "vi" mas devo estar pois estou na lista de seguidores.
Bjinho, Elvira

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira
Agora que estou entendendo.Muito triste
Beijos
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