- Que queres que diga? É a coisa mais disparatada que já ouvi. Se não te considerasse minha amiga diria que estás a divertir-te à minha custa.
- É claro que não. Estou a falar muito a sério. Tenho que me ir embora e queria ficar descansada com respeito às minhas sobrinhas. Eu falo com o meu irmão. Tenho a certeza que ele vai aceitar, se eu lhe disser que és minha amiga e que pode confiar em ti como confia em mim. Só preciso que me digas que aceitas.
Francisca escondeu a cara entre as mãos. A proposta da amiga, era a coisa mais estúpida que ouvira na vida. Como podia ela aceitar casar com um homem que nunca vira? Por outro lado supondo que as coisas fossem como a amiga dizia, tinha o futuro dos filhos assegurado. Mas e se tudo desse certo e depois de casados um deles se apaixonasse por outra pessoa? Como iam resolver isso? Não sabia que fazer, nem dizer.
-Então Francisca? Não dizes nada?
- Não sei que dizer. Continuo a achar a proposta descabida e irreal. Mesmo que tudo acontecesse como dizes. Supõe que casamos e depois de casados nos apaixonamos…
-Ó isso é que era, ouro sobre azul, - interrompeu Graça
- Não me interrompas. Eu perguntava se depois de casados, ele ou eu nos apaixonamos por outra pessoa. É possível, ou não?
-É possível mas improvável. Meu irmão era muito apaixonado pela mulher. Não será fácil esquecê-la. Tu pelo que contaste, sofreste demais com o teu casamento, para que estejas a pensar em novas experiências. O mais provável é que com o tempo, a convivência e o conhecimento mutuo, vocês se apaixonem um pelo outro. Mas para isso será preciso que ambos consigam esquecer a experiência anterior. Acredita, por muito descabida que te pareça hoje esta proposta, é a tua tábua de salvação. Olha, tenho que ir. Tens aqui o meu telefone. Pensa bem e depois telefona-me.
Francisca guardou o número que a amiga lhe estendera, enquanto esta pagava a conta. Na rua Graça perguntou:
-Queres que te leve a algum lado?
- Não. Tenho ali a paragem do autocarro.
- Então não te esqueças. Espero a tua resposta esta tarde.
Despediram-se com um beijo. Depois Graça entrou no carro e arrancou. Francisca ficou parada no passeio até vê-lo desaparecer no fundo da rua. Lentamente dirigiu-se à paragem do autocarro.
Ora bem, esta história vai passar em passo de corrida. Porque os mais antigos já a leram e sabem que esta história teve continuação vinte e tal anos depois. Na Prática, entre as duas são 52 capítulos, e como os mais antigos sabem eu deixo de passar novelas pelo menos 10 dias antes do Natal. Espero que não se importem. Já que em Janeiro haverá histórias novas.

