Nessa mesmo dia, depois do almoço, que pela primeira vez desde que se mudara para aquela casa, Teresa fez mais cedo, para comer à mesa com João, ele lembrou a promessa que ela fizera de tomar uma decisão após os três meses.
- Muito bem, - disse ela – promessas são para se cumprir.
Se tiveres um tempo livre, podemos fazê-lo em seguida, na sala.
- Mas não te queres deitar agora, para descansares um
pouco?
- Não. Há seis semanas que praticamente não saio da cama.
Estou cansada do descanso, - disse sorrindo. Vou só ao quarto para tomar as vitaminas, e
avisar a Sandra de que pode ir almoçar, uma vez que ela não quis vir almoçar
connosco. Espera-me na sala.
Ele ficou ali, a vê-la afastar-se pelo corredor, o olhar
perdido na saia rodada de flores miudinhas, dançando à volta das esbeltas
pernas da jovem.
Pouco depois as duas estavam de volta, e enquanto Sandra se
dirigia à cozinha, Teresa encaminhou-se para ele que lhe deu o braço e disse:
-Vamos para o escritório. Tens lá o mesmo conforto e temos
maior privacidade. Sandra, – disse dirigindo-se à enfermeira - pode usar a sala
depois do almoço, se quiser ver TV ou ler. Não precisa estar metida no quarto,
uma vez que a Teresa lá não está.
Já no escritório-biblioteca, depois da jovem se ter
acomodado no sofá, ele puxou um cadeirão e sentou-se frente a ela.
Por momentos ficaram os dois calados, como se nenhum deles
soubesse como começar uma conversa, que punha em jogo a vida de cinco pessoas. Então
Teresa começou:
-Há uns meses atrás, eu tinha um sonho. Queria muito ser mãe, mas por tudo o que já te contei, e não vou repetir, decidi ser mãe solteira. Tinha e tenho uma boa situação financeira, uma habitação que embora não se possa comparar com esta casa é um bom apartamento como viste, e está situada numa excelente zona.
Tenho uma casa e um terreno numa aldeia no Norte, perto do rio e a menos de um quilómetro de umas termas bastante frequentadas. Cheguei a pensar vender a pastelaria, e a casa e construir nesse terreno, uma pensão rural. Nas termas existem bons hotéis, mas há muitos locais perto, que são cada vez mais procurados pelo turismo e não há nada de turismo rural nem lá nem nas localidades mais próximas.
Claro que eu não estava a pensar conhecer o pai do
meu filho, nem dividir com ele a sua educação e muito menos, que em vez de um bebé, viessem três e, portanto, sinceramente não sei como dar volta a esta situação.
E tu, que pensas?
- Durante estas seis semanas conversámos muito, contei-te coisas que nunca me atrevera a contar a ninguém de modo que me conheces suficientemente bem para que não te escandalize o que vou dizer. Quando entraste no meu escritório e me disseste que trazias no ventre o meu filho, imediatamente pensei que iria propor-te casamento.
Acredito que a educação de uma criança não fica completa, vivendo apenas com um dos progenitores. Por razões que bem conheces, não acreditava no amor, não confiava nas mulheres, e pensei que quando chegasse a hora te proporia o casamento como se de um negócio se tratasse. Era bom para o bebé viver com os dois, e a relação de amizade de que falavas não me convencia, pois, amigos não vivem juntos, e eu não aceitaria ver o meu filho, apenas quando tu estivesses disposta a permiti-lo.
Por outro
lado, imaginava que em qualquer altura, podias arranjar um companheiro, ou muito simplesmente mudares de ideia e desaparecer com
a criança e eu não queria o meu filho a ser criado por outro homem, muito menos ver-me envolvido numa longa batalha judicial pela guarda da criança.
Amigos, estive ontem e vou estar hoje a descansar os olhos.
Espero que no sábado, já esteja suficientemente bem para
voltar ao vosso convívio.




