17.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXXIII







Cláudio, levantou-se antes do nascer do sol. Foi à cozinha, tirou um café, que bebeu e de seguida saiu para os vinhedos. O sonho que tinha tido perturbava-o. Claro que ele já tinha tido, sonhos eróticos. Como qualquer jovem teve a sua fase de sonhos eróticos e de molhar o lençol. Mas era um adolescente. Era normal. O que não era normal era isso acontecer-lhe aos trinta anos. E o que lhe fazia mais confusão, é que a cena fora tão real, que ainda agora, passadas tantas horas, lhe custava a encará-la como um sonho. Procedeu à recolha dos cachos para a análise que levou para a adega, onde encontrou o Manuel Carreto a tratar dos barris de carvalho, que eles iam usar para a maturação do próximo vinho. Cumprimentou-o, trocaram umas palavras sobre o processo e despediu-se entrando em casa para tomar o pequeno-almoço.
-A mãe já se levantou?- Perguntou à empregada.
- A enfermeira está a cuidar dela. Ainda vai levar muito tempo a ficar bem?
- Segundo sei, está tudo a correr bem, mas é preciso cuidado para a costura não reabrir. E o pai já saiu?
- Já sim menino, - disse pondo em cima da mesa um jarro de sumo de laranja, um cesto com pão fresco, queijo e doces.
Cláudio cortou uma fatia de pão, espalhou sobre ela, uma fina camada de manteiga, e uma fatia de queijo. Colocou sobre o queijo outra fatia de pão, e iniciou a refeição.
Quando acabou de comer, foi ver a mãe. Encontrou-a sentada na cama, recostada sobre várias almofadas.
- Bom dia, mãe. Como te sentes hoje, - perguntou inclinando-se para a beijar.
- Farta de não fazer nada, -respondeu ela levantando a mão para lhe acariciar a face.
-Tem paciência. As pressas às vezes dão mau resultado. E se não queres problemas tens que seguir à risca o que te dizem. Tenho de ir. Se precisares de mim, manda a Rosa chamar-me.
Ia a sair de casa quando o seu telemóvel tocou. Atendeu.
-Estou…
- Doutor Cláudio, estou a ligar para informar que acabou de chegar a nova bomba de trasfega que encomendou. Pode vir buscá-la quando quiser.
- Obrigado. Vou agora mesmo.
- Muito bem. Então até já.
Voltou ao quarto, Mudou de roupa, avisou a mãe de que ia a Viseu buscar a bomba e saiu. Tinha acabado de colocar a bomba no carro, quando ao levantar a cabeça, viu o pai sair de um prédio no passeio contrário umas três portas mais à frente. Preparava-se para ir ter com ele, quando viu a jovem que saía do mesmo prédio. Ficou sem ação ao reconhecer a jovem, e ver como o pai lhe passava um braço pelos ombros e assim seguiam pelo passeio. Entrou no carro, ligou o motor e seguiu muito lentamente, na mesma direção.  Uns bons metros adiante, viu-os entrar no hotel Avenida.
Parou o carro tentando acalmar-se. Tremia de raiva. Ele tinha percebido que o pai lhe escondia alguma coisa. Até pensara numa aventura. Mas o hipócrita, afirmara que amava a mulher e nunca seria capaz de a trair. Mentira. Um homem vai buscar uma mulher e leva-a para um hotel para outra coisa que não seja irem para a cama? Uma miúda! E ela? Fugira dele, fingira ser muito ingénua, e afinal… Claro deve ter percebido que ele era o filho do amante. Por isso fugira quando ele disse que a ia levar ao hospital para lhe apresentar os pais. Maldita. E o pior é que ele, o idiota, estava apaixonado por ela. A vontade que tinha, era ir ao hotel e mostrar-lhes toda a sua raiva. Mas não podia fazer semelhante coisa. Não podia armar um escândalo que mais dia, menos dia chegasse aos ouvidos da mãe. Ligou de novo o motor e arrancou. E já não viu que o pai e a jovem Helena voltavam a sair do hotel.




15 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Ai meu Deus que reviravolta, loool...E agora? em primeiro que entenda o Pai, vai demorar! Hummm isto agora aqueceu!! Amei o episódio! Obrigada

Alma adormecida sem rumo.

Beijos e um excelente dia!

noname disse...

Em vez de análises negativas, um suspense à maneira :-)

Boa tarde, Elvira

Edumanes disse...

Será, mesmo, como Cláudio está pensando, ou será que está enganado? Não dizem que as aparências iludem. Portanto, poderá ser esse o caso!

Tenha uma boa noite amiga Elvira.
Um abraço.

Larissa Santos disse...

Isto parece-me que vai dar briga entre pai e filho...Ou enteado :)) Estou tão curiosa. kkkkkkk :) Muito bom :))

Bjos
Votos de uma óptima noite.

Kique disse...

Uma boa reviravolta no drama.
Isto promete
Bjs

Hoje em Caminhos Percorridos - Serviços Técnicos...

Rejane Tazza disse...

Puuuuuuuuuuuuuuxa! Está empolgante! Cada vez mais e mais nos prendes! Adorando! bjs praianos,chica

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
CÁ ESTOU EU, TODA PERDIDA POR AQUI. EU ESTAVA ACOMPANHANDO UM CONTO QUE JÁ ACABASTE E O PROCUREI AGORA POR UM TEMPÃO EM TEU BLOG E NÃO O ENCONTREI.
SEI QUE CADA UM QUE ESCREVES É MELHOR QUE O OUTRO, TEU TALENTO É INEGÁVEL.
ABRÇS AMIGA
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Pedro Coimbra disse...

Estou intrigado.
Tenho que ver o que aí vem porque estou a apanhar o barco a meio da viagem.

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
Por esta é que ninguém esperava !
É o que acontece quando por qualquer motivo as coisas não se esclarecem . E as consequências podem não ser as melhores até que tudo esclareça .
JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

Bem ... a emoção tomou conta da história!!!bj

Manu disse...

Por vezes tirar conclusões precipitadas, dá confusão.
Estou ansiosa para ler o que vai acontecer a seguir

Abraço Elvira

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante.
Um abraço e continuação de boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Anete disse...


Alô, Elvira... Empolgante capítulo! E agora??
Aguardo os próximos passos por aqui... Suspense total!...
Beijinhos

Rui disse...

ahahah... Receios, dúvidas (quase certezas) eraiva muito legítima !... Quam nessas circunstâncias não pensaria assim ?...
Ai o pai vai ter que ouvi-las, vai ! :))) ... e isso vai complicar as coisas ! :(

Muito interessante, Elvira !

Lucia Silva disse...

Eita que ironia do destino!!! E o pior são as conclusões precipitadas e até esclarecer muitas emoções vão rolar.
Beijos carinhosos!

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