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25.1.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XVI




Pararam no caminho para jantar num restaurante à beira da estrada.
- Que se passa, mãe? Estás preocupada?- Perguntou Martim, enquanto saboreava o gelado que pedira como sobremesa.
- Aborrecida, filho. Falei hoje com o teu tio, e ele vai viajar para Cabo Verde, na próxima quinta-feira.
- Ó! Isso quer dizer que não tenho quem me acompanhe na festa.
- Eu estarei lá, filho. Estarei sempre a teu lado em todas as tuas festas.
-Eu sei, mãe. Mas não é a mesma coisa. Já te expliquei no outro dia. Quando eu era pequeno, disseste que o meu pai, estava em viagem, para que eu não ficasse triste, mas hoje eu sei que mentiste.
- Porque é que dizes isso?
- Porque eu sei que és viúva, e se o és, quer dizer que meu pai morreu. Nunca vou poder, jogar à bola com ele, nem passear, ou ir à praia. Tenho um amigo, o Hugo, que o pai morreu quando ele tinha dois anos. Mas agora vai ter um novo pai.
- Como assim?
- A mãe dele vai casar. Tu não podias casar outra vez?
- Não é tão simples assim, filho. Para se casar é preciso gostar muito de outra pessoa. E esperar que essa pessoa goste igualmente de nós.
Chamou o empregado, pediu a conta, pagou e levantou-se:
- Vamos, se nos atrasamos a avó fica em cuidado.
O resto da viagem decorreu em silêncio. De vez em quando, Amélia olhava o filho pelo espelho retrovisor, mas o gaiato mantinha-se sério, o rosto voltado para a paisagem, perdido sabe-se lá em que pensamentos.
Foram recebidos com alegres latidos, por Rex, mas nem o fiel amigo, conseguiu alegrar o menino, que depois de beijar a sua bisavó anunciou que estava cansado e ia dormir.
- O que tem ele, filha? – Perguntou a idosa à neta, logo que ficaram sós.
- Está triste. Na sexta-feira é a festa da escola, vai haver um jogo de futebol em que eles devem ir com o pai. Martim contava ir com o tio, mas o Ricardo vai de férias para Cabo Verde.
- Pois é filha, essas modernices de produção independente, são muito bonitas na teoria, mas as crianças crescem e sentem a falta de um pai. E tu melhor que ninguém devias ter pensado nisso. Não sentiste tu sempre a falta da tua mãe?
- É diferente avó. Eu não me tenho preocupado apenas com a parte material da sua educação. Eu dei-lhe todo o meu amor.
- Sim, filha sim. Mas o que ele quer na festa da escola, é mais do que o teu amor. É um pai.

Atenção, a quem quiser dar uma olhada pelo meu registo de passeio, pode fazê-lo AQUI

12.12.16

O PRIMEIRO PRESÉPIO VIVO


Foto de um presépio vivo feito pelos escuteiros de S, Francisco de Assis, em Cabo Verde, ano 2013. Foto Daqui







Em Itália, na aldeia de Grecchio, há séculos que os habitantes vêm contando de pais para filhos esta linda história:
«Francisco de Assis e os seus amigos tinham escolhido uma gruta próxima da aldeia para viverem uma vida de pobreza. Assim fora decidido entre eles. Afastados dos demais, os quatro jovens companheiros aproveitavam o isolamento para rezar.
Uma bela manhã, ao aproximar-se o Natal, Francisco resolveu que não iriam passar a festa sozinhos.
— Gostava que celebrássemos aqui o Natal — anunciou ele aos outros irmãos.
— Na gruta? — perguntou, admirado, o Irmão Rufino.
— Então Jesus não nasceu na pobreza? — respondeu Francisco. — O presépio de Belém não é semelhante à nossa gruta?
— Que óptima ideia! — aplaudiu o Irmão Leão .
— Então, mãos à obra! — exclamou Francisco, dirigindo-se de imediato para a aldeia.
Horas depois, ouvem-se mugidos na serra. Era o Irmão Leão que tentava trazer um boi para a gruta. Não era tarefa fácil! Atrás, vinham o Irmão Ângelo e o Irmão Rufino com um burro carregado com uma manjedoura que um morador emprestara. Durante todo aquele tempo, Francisco encarregara-se de encontrar figurantes para o presépio: uma rapariga para fazer de Maria e um rapaz, de José, um ou dois pastores e, claro, um recém-nascido!
Ao cair da noite, tudo estava pronto.
A jovem Maria foi a primeira a chegar. Estava muito comovida. Vieram depois os pastores, cada um com um borrego às costas. Mas José nunca mais chegava! De facto era tão tímido que receava não estar à altura do papel. Por fim, uma mulher pousou uma criança na manjedoura. Tinha-a agasalhado muito bem, com os bracinhos bem apertados ao longo do corpo para não apanhar frio ! A missa podia começar!»
Conta-se que este primeiro presépio vivo tocou profundamente os aldeãos que assistiram a esta missa tão admirável. Um acontecimento em particular marcou os espíritos: quando os sinos da aldeia bateram, ao longe, as doze badaladas da meia-noite, o recém-nascido acordou, abriu os olhos e sorriu!
E, não se sabe como, dos agasalhos bem enfaixados tirou os bracinhos para os estender na direcção dos habitantes da aldeia… Um autêntico milagre de Natal!


Christine Pedotti
24 histoires de Noël pour attendre Jésus
Paris, Mame, 2007
(Tradução e adaptação)