9.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE X





Finalmente esboçou um sorriso, e disse:
- Conheci a tua mãe, ainda ela namorava o teu pai. Era muito bonita. Sais a ela. Chega aqui filha. Dá-me um abraço. E sê bem-vinda à família.
A jovem aproximou-se, abraçou a senhora e depositou dois beijos na sua face enrugada.
Conversaram sobre a viagem e quando se despediam, a tia disse:  
- Vem lanchar comigo amanhã, filha. Gostava que me falasses da aldeia, do meu irmão, e dos meus outros sobrinhos. Tenho para mim que nunca mais os vou ver.
- Não digas isso, tia. Quando estiveres melhor, vão de férias. Escusas de arranjar desculpas, com o restaurante, que eu dou conta do recado.
- Quando se chega à minha idade, as melhoras só vêm com três badaladas e… bom deixemos isso que hoje é um dia de alegria, e vós tendes coisas melhores para fazer do que companhia a uma velha. Vão lá jantar, e não te esqueças, que te espero amanhã para lanchares comigo.
Despediram-se beijando de novo a senhora e saíram. Deram a volta ao edifício e entraram na cozinha. Sofia arregalou os olhos de espanto. Nunca tinha entrado numa cozinha de restaurante e achou-a enorme.
Um senhor de idade, deixou ou dois jovens junto do fogão e dirigiu-se a eles. Mais uma vez Sofia sentiu-se observada da cabeça aos pés. Depois o senhor sorriu.
-Tio, esta é Sofia, a minha mulher. E este é o tio Joaquim.
-Não te dou um abraço para não te sujar, - disse-lhe sorrindo ao mesmo tempo que lhe estendia a mão.
- Muito trabalho, tio? Precisas de ajuda?
- Não. Vão lá jantar e depois vai para casa que deves ter muito que conversar com a tua mulher, - disse piscando o olho a Quim.
A jovem baixou o rosto, tentando esconder o rubor.
Um dos jovens ajudantes chamou o chefe e ele despediu-se com um aceno.
Deram a volta ao restaurante e entraram. Todas as mesas estavam ocupadas, excepto uma junto à janela, onde se via um retângulo com a palavra, Réservé.
Quim conduziu-a por entre as mesas até lá. Puxou a cadeira para que ela se sentasse. 
Enquanto aguardavam a chegada da lista, ela entabulou conversa.
- São muito simpáticos os teus tios. Mas são bem mais idosos do que eu pensava. Disseste que não têm filhos?


Espero que não se tenham aborrecido com esta estória, devo dizer-vos que a partir deste episódio se tornará mais interessante. De qualquer modo, esta é uma estória de época, e para além dos amores ou desamores, deste não casal, está uma história de emigração e de realidade dum país que espero vos agrade, a quem dela se recorde, e para que os mais jovens tenham dela conhecimento. 



17 comentários:

AvoGi disse...

Eu vivi nessa realidade, se bem que na minha família no ninguem tivsse casado por procuração. Mas conheci famílias onde era a escapatória à pobreza.
Kis:=}

✿ chica disse...

Estou gostando de acompanhar e tentando imaginar o futuro deles.... Tá lindo e retrata uma época! bjs, chica

Edumanes disse...

Vai para casa, deves ter muito que conversar com a tua mulher, e não só! Há outros afazes com prioridade. Cada noite perdida, jamais na vida será recuperada!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Nequéren Reis disse...

Esses textos são super maravilhoso, obrigado pela visita.
Blog:https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

Ana S. disse...

É uma boa história Elvira.
Abraço

Prata da casa disse...

Continuo a seguir, com interesse, a estória.
Bjn
Márcia

Zé Povinho disse...

Não dá para aborrecer, porque temos que perceber bem os personagens...
Abraço do Zé

Fernanda Maria disse...

Lembro-me dos meus pais falarem destes casamentos, pois a necessidade a isso os obrigava. Foi uma época muito difícil em Portugal.

Até agora estou a gostar bastante deste desenrolar.

Um beijinho e bom fim de semana

O Toque do coração


Rui disse...

Com estas maratonas no meu blog tenho descurado um pouco a visita aos meus amigos !
Li 3 capítulos ! :)
... E perfeito, Elvira ! ... Tudo isso que nos foi relatado se impunha, para nos enquadrarmos perfeitamente na época e em como se vivia nesse tempo e principalmente num país estrangeiro como emigrantes !
Está perfeito !
Que bem me recordam, amigos e até familiares, irem "a salto" para França, e como lá passavam os primeiros anos !
Neste caso, já uma fase adiantada desses tempos difíceis !

Numa estória não pode apenas haver amor e desamor ! ... Está perfeito !

Abraço

maria disse...

Sofia tem vivido muitas emoções... vamos ver o que se vai seguir!!!

Gaja Maria disse...

Uma história que tem muito de verdadeiro naquela época Elvira. ABraço

Odete Ferreira disse...

Elvira, cada história que engendra tem o seu encanto e mensagem.
Estou a gostar!
Bjinho :)

Pedro Coimbra disse...

Eu estou a gostar e estou muito curioso.
Bfds

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
como sempre nas suas historias todos os pormenores são sempre bem apresentados, para que os leitores se apercebam da realidade do cenário em que a mesma está inserida.
ate amanhã
JAFR

Majo Dutra disse...

Estou a gostar...

Rosemildo Sales Furtado disse...

- Tio, esta é Sofia, a minha mulher. É, desta vez o Quim a tratou como minha mulher. Promete!

Abraços,

Furtado

lua singular disse...

Oi Elvira,
Você não tem que pedir desculpas. Eu comecei a namorar e fui eu que pedi em casamento o meu finado marido, pois minha tia que me criou era meio louca e não aguentava mais.
Casamos rapidinho, compramos os móveis tudo a prazo e alugamos uma casinha, era feliz e no sabia.
Como o mundo é pequeno meu tio ficou sabendo foi lá perto da capital comprou uma casa para mim e terminou de pagar os móveis.Trabalhei em grande supermercado, havia feito concurso para a prefeitura, passei e a vida a partir daí foi com alegrias até que o cigarro adoeceu meu marido, teve 4 infartos e quem o levava à noite(por vezes) até São Paulo era eu.
Morreu porque não soube viver.
O resto eu conto por email.
Beijos
Dorli