4.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE IV


Tanta fotografia cansava-a. Mas enfim era a tradição e ela pensava que a mãe já tinha desgostos que chegassem para os próximos dez anos pelo menos. E chegou enfim o carro para a levar ao registo.
Bem que ela gostava de uma cerimonia em casa, mas não era permitido por lei.
O pai entregou-a ao sogro, que na cerimonia representava o noivo.
E depois do casamento foram até ao restaurante local celebrar o acontecimento com uma pequena festa para a família, e duas amigas com quem a noiva tinha mais intimidade. 
A viagem para França seria dois dias depois, ela já tinha a carta de chamada do marido, que lhe autorizaria a saída do país.
No dia seguinte, era a festa da aldeia, com a procissão dedicada a Nossa Senhora das Dores. Era o primeiro ano que Sofia iria participar apenas como devota, e não como parte integrante da comissão organizadora. Assim, depois do almoço saiu com a mãe para assistirem à celebração da Eucaristia, à qual se seguiria a procissão pelas principais ruas da aldeia. Era uma festa a que acorriam não só os habitantes locais, como das aldeias circundantes, da vila mais próxima, e até de outros pontos do distrito.
Homens e mulheres vestiam os seus melhores fatos, para participarem na homenagem à Virgem. Os homens, sem chapéu, alguns mostrando luzidias calvícies, as mulheres de cabeças cobertas por belos e rendados véus quase todos pretos, excepção feita para as jovens e crianças, que usavam véus brancos, em sinal da sua pureza.
Mas todos sérios e solenes compenetrados na fé à mãe de Deus. Contudo a imagem mais ternurenta, era a das crianças, vestidas de branco, com alvas asas nas costas, e coroas de flores entrelaçadas nos cabelos.
“Parecem mesmo uns anjinhos” – murmuravam pais e avós enlevados. Outras ainda, iam vestidas com o traje de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora das Dores, S. Francisco, S. Pedro, ou Santa Teresinha do Menino Jesus, que representavam os cinco andores que todos os anos saíam na procissão. 

20 comentários:

Luis Eme disse...

Não sei o que virá a seguir, Elvira.

Mas além desta história retratar uma época (o casamento por procuração era mais comum do que se pensa, tal como o casamento escolhido pelos pais...), retrata também o papel da mulher na sociedade, quase sem voz, até na escolha do amor...

O esforço que as mulheres faziam para ser felizes...

abraço

Tintinaine disse...

Como diz o ditado - ainda a procissão vai no adro - e falta muito para a história começar a mexer comigo!

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar um bom fim de semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

✿ chica disse...

Aqui ,lendo, acompanhando e imaginando o que teremos... Será algo na procissão?rs beijos, lindo fds! chica

Mariazita disse...

Como não tinha lido nenhum episódio estive agora a ler os quatro.
A história promete, para além de ser o retrato de uma época em que a mulher saía da alçada do pai para se submeter ao marido...
Felizmente que tudo isso pertence ao passado.

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

António Querido disse...

Gosto de ver passar a procissão, algumas têm de percorrer distâncias que para mim já se tornam cansativas! Assistir a um casamento ainda lhe dou um jeito na hora do almoço, apesar desse almoço ser sempre pago a dobrar como os impostos.
Bom fim de semana.

Socorro Melo disse...

Lembro de muitos desses costumes da época de 1960/1970. A tradição religiosa, os festejos dos padroeiros, aconteciam bem assim por aqui. Hoje ainda existem, mas, tudo mais modernizado. Sou cristã católica e sempre participo dessas tradições.
Muito bom.

Beijos

Os olhares da Gracinha! disse...

Procissões que temem a perderem_se no tempo!!! Bj

Edumanes disse...

Celebrado o casamento,
Sofia está pronta para partir
com esperança, ao encontro
de quem de felicidade faça sorrir!

Tenha um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Roaquim Rosa disse...

boas
ao ler este capitulo fez-me recordar as tradicionais festas aqui na minha zona ou seja Espinho , Santa Maria da Feira, Ovar , etc onde se fazem ainda majestosas procissões em louvor dos santos padroeiros de cada terra, e então aqueles pormenores estão mesmo de uma forma tão bem apresentados que até parece que estamos a assistir ao vivo a esses grandes eventos que vão começar logo após a Pascoa.
um bem haja há Dona Elvira por esta linda parte desta historia que com certeza nos vai fazer recordar os bons velhos tempos das décadas de sessenta e setenta.
já me alonguei demais . desculpem
BFS a todos
JAFR

Anete disse...

Olá, Elvira...
Lendo os dois últimos capítulos e vendo como a novela tá andando... Estou imaginando o que ela/personagem viverá daqui pra frente... É preciso fibra pra não viver mediocridade, submissão que se anula...
A foto que vi no post anterior tá linda, demonstrando felicidade! Não tem nada a ver mesmo com os sentimentos da noiva na narração...
Bjs e bom sábado...

AvoGi disse...

Elvira....
Vai brotar uma paixão por alguém.
Kis :=}

Prata da casa disse...

A acompanhar a história.
Bjn
Márcia

Silenciosamente ouvindo... disse...

Pois é essa época foi terrível.
Mas hoje também é terrível " de outras maneiras".
Amiga desejo-lhe um bom fim de semana.
Bjs.
Irene Alves

Fernanda Maria disse...

Curiosamente esta parte fez-me lembrar a minha infância quando participei num procissão vestida de Nossa Senhora, na terra da minha avó paterna.

Continuo seguindo atenta.

Tais Luso disse...

E há mais tempo, os pais prometiam as filhas ao filho do casal amigo ou a outras trampas. Que coisa horrorosa...
beijo, Elvira!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Papel assinado, casamento realizado. Resta-nos só aguardar os futuros acontecimentos.

Abraços,

Furtado

Diana Fonseca disse...

Aí vem coisa...

Odete Ferreira disse...

A acompanhar a narração.
Bem revisitado o quadro da procissão.
É sempre um momento emotivo.
Bj, Elvira :)

Smareis disse...

Curiosa para os próximos capítulos.
abraços!