22.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXVI






Dias depois, Quim foi convocado pelo advogado dos tios para a leitura do testamento. Os tios tinham-lhe deixado tudo. A casa, o restaurante e um bom dinheiro. Exceptuando uma pequena quantia que destinaram à empregada, e uma cláusula em que determinava que ela deveria continuar como empregada da casa.
O casal, mudou-se então para a casa, por cima do restaurante. Quim continuou a ser o cozinheiro, Sofia, tratava de todos os assuntos relativos à gerência. O negócio ia bem, a conta bancária aumentava. Três anos depois, nasceu a  pequena Catarina. E quando esta estava prestes a completar um ano, aconteceu em Portugal, a tantas vezes sonhada revolução, que depôs o regime fascista e colonialista. Era Abril, os cravos floriram e com eles a libertação de um povo, martirizado pela fome e pela guerra.  As imagens correram mundo, e eles viram-nas pela televisão e renovaram as esperanças de poderem voltar a Portugal.
Se a guerra colonial acabasse, Quim podia voltar.  Era o sonho comum do casal. Voltar à terra que os vira nascer, rever parentes e amigos. E então aconteceu. A independência das colonias tornou-se irreversível, mas a paz tão sonhada não. Angola e Moçambique, estavam em guerra, e os portugueses lá residentes fugiram para Portugal. Mais de meio milhão de portugueses, muitos deles nascidos naquelas possessões africanas,chegaram a Portugal, sem emprego, sem dinheiro, sem outros bens, que não a própria vida. Enquanto o governo procurava dar resposta, aquela avalanche de gente, a precisar de pão, roupas, casa, enfim do básico para sobreviver, alguns acolhiam-se ao abrigo de familiares, ou com algum sacrifício, emigravam para outros países, certos que estavam de não terem futuro em Portugal.  
O casal, que na altura planeava vender a casa e o restaurante, e regressar à terra que os vira nascer, e onde tinham os seus familiares, no intuito de se estabelecerem na terra-mãe, receou que a conjuntura do país naquele momento difícil, não lhes fosse favorável, e adiou a decisão.
Porém pouco tempo depois, Sofia voltou a ficar grávida, e então o casal não teve outra opção. Se queriam realizar o sonho do regresso, era aquela a ocasião. Eles não queriam que o nascimento do novo bebé ocorresse em França.  Acreditavam que os filhos, iam crescer e sentir que a França era a sua terra, o seu país. Mais velhos, não quereriam ir viver para uma terra que embora fosse a dos seus pais, eles não conheciam, nem sentiam ser a sua. E os pais, fatalmente iriam ficar onde os filhos estivessem. Por isso era urgente o regresso. Venderam tudo, transferiram para Portugal o seu dinheiro e os três acompanhados de Idalina, a empregada, chegaram à aldeia no mês de Agosto do ano da graça de mil novecentos e setenta e seis.

Este é o post do dia 23. Peço que me desculpem a ausência, neste dia, vou estar fora. 
Se não chegar muito cansada, passo pelos vossos cantinhos à noite. 


19 comentários:

Prata da casa disse...

O país, nesta altura, estava bastante instável. Será que os nossos heróis tomaram a decisão mais acertada? Veremos o desenrolar da estória.
Bjn
Márcia

✿ chica disse...

Decisão complicada de tomar, mas vamos torcer por eles! A família aumentando... bjs, chica

Edumanes disse...

Graças à revolução, puderam regressar a Portugal, sem que Quim tivesse de prestar cantas à Nação. A tida revolução dos Cravos como ficou conhecida. Uns fez sorrir de alegria, enquanto outros fez chorar de tristeza. Tinha que se por fim a uma guerra, que vitimou milhares de jovens, para nada. Se o Salazar tivesse tido inteligência para a ter evitado, não tinha acontecido o que aconteceu.Lá diz o ditado, depois de arrombadas é que se lembram de trancar as portas!

Tenha uma boa noite amiga Elvira. Bom passeio se for esse o motivo de sua ausência! Um abraço,
Eduardo.

Tintinaine disse...

Estou a ver que a história se aproxima do fim a passos largos. Uma história com final feliz, pois tristezas não pagam dívidas.

AvoGi disse...

Estou achando muita benesse...
Algo vai acontecer
Amanhã tb vou avionar
Kis:=}

Maria do Mundo disse...

Um bom dia 23. Tudo a correr bem!

Rosemildo Sales Furtado disse...

O retorno a Portugal possibilita a ambos ajudar os pais e os demais familiares. Ficarei aguardando os acontecimentos.

Abraços,

Furtado.

Pedro Coimbra disse...

E começa um novo capítulo das vidas deles.

Mariazita disse...

Continuo acompanhando.
Foram tempos difíceis, em que não se sabia muito bem com que contar...
Agora que decidiram voltar, oxalá tudo lhes corra bem, e possam continuar com a vida feliz que tinham em França.

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
o que será que aí vem ???
JAFR

António Querido disse...

Eu vim em março de 75, por isso não os encontrei na fronteira de Vilar Formoso! Possivelmente já almocei no restaurante deles, mas como nunca me foram apresentados...
Apresento o meu abraço.

Anete disse...

Mudanças e novos passos. Família crescendo e também o relacionamento dos dois ficando mais forte!
Tchau e um abraço grande...

LopesCa Blog disse...

Corajosos com tanta instabilidade :)

Ailime disse...

Boa tarde Elvira,
A historia está evoluindo com outros contornos muito interessantes.
A família a a aumentar...
Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos.
Beijinhos,
Ailime

Silenciosamente ouvindo... disse...

A vida sempre se renovando...
As adaptações às novas realidades.
Um bj.e bom fim de semana.
Irene Alves

Fernanda Maria disse...

Uma grande decisão, espero sinceramente que não se arrependam!

Vou aguardar com expectativa mais capítulos.

Um beijinho

O Toque do coração

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Era a única solução
Beijos
Minicontista2
Coloquei em coma o nome do blog do autor

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Elvira!
Vibrando do lado de cá do Atlântico pelos dois filhinhos... que desenrolar encantador!
Bjm muito fraterno

aluap Al disse...

Engraçado, os meus pais regressam a Portugal também depois do 25 de Abril e a minha mãe estava grávida. O meu irmão mais novo nasce em Maio de 1975, pois foi desejo do meu pai que nascesse em Portugal. Mas hoje esse o meu irmão está a França.

Beijinhos.