18.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXI



 Pouco depois, ouviu a campainha, e vozes. Logo em seguida, o médico entrou no quarto.
Fez uma série de perguntas, viu a febre, os ouvidos, os olhos, a garganta, e auscultou-a meticulosamente.
Por fim deu a consulta por terminada e saiu com Quim. Ouviu-os falar, mas não entendeu o que diziam.
Pouco depois, o marido voltou. Sentou-se na beira da cama:
-Sofia, o médico quer que vás fazer um Raio X e Análises. Ele suspeita de pneumonia. Vamos ter que ir ao hospital. Consegues levantar-te?
Não esperou resposta. Levantou-se, retirou do armário um conjunto de calça e casaco de lã, um casaco comprido e um cachecol, que colocou em cima da cama. Abriu a gaveta da comoda e retirou um conjunto de sutiã e cueca de seda rosa, que colocou igualmente em cima da cama.  Verificou que ela continuava deitada. Puxou a roupa para trás, meteu um braço sob os seus ombros, e o outro sob os joelhos e sentou-a na cama.
- Queres que saia um pouco para te vestires, ou precisas que te ajude?
- É melhor saíres, - disse sem o olhar, sentindo o rosto a arder, sem saber se da febre, ou de vergonha.  
Uma hora mais tarde, estavam no hospital, donde só voltou já a noite tinha caído.
 Os exames que lhe fizeram, revelaram uma pneumonia viral. Dada a juventude da doente, e o facto de ser uma pessoa saudável, não seria necessário internamento, o tratamento podia ser feito em casa. O médico receitou um antibiótico, aspirina para a febre, um xarope para a tosse, e recomendou repouso, e muitos líquidos. Em princípio estaria boa no fim do tratamento que seria de oito dias.
E assim foi. Depois de dois dias agitados e febris, a tosse começou a enfraquecer, a febre baixou e as dores no corpo, tornaram-se mais suportáveis. O marido foi um enfermeiro carinhoso e dedicado. Naqueles dois dias de febre intensa, sempre que abria os olhos, encontrava-o sentado na cama, atento às suas necessidades. Durante o dia, as ausências eram curtas, e Sofia suspeitava que ele não ia ao trabalho desde que ela ficara de cama. Naquele dia, o quinto desde  que adoecera, chegou uma carta da loja onde ela trabalhava. Informavam que lamentavam a sua doença, mas dado que decorria o período de experiência, e como estavam na época de Natal, em que a loja registava maior movimento, precisaram preencher o seu lugar, pelo que davam por encerrado o seu vínculo laboral.

16 comentários:

✿ chica disse...

Puxa, perdeu o emprego? Triste! Mas ele estava sendo um belo parceiro e cuidando dela bem! Vamos vendo! bjs, chica

Zé Povinho disse...

Perdeu o emprego mas ganhou um marido cuidadoso e solícito, talvez seja uma troca vantajosa. Com as melhoras tudo aponta para um novo fôlego no relacionamento do casal.
Abraço do Zé

Cantinho da Gaiata disse...

Oh, coitada além de estar doente ainda perde o trabalho.
Gostei da atitude dele, ficou ali ao pé dela. Grande cavalheiro.
Estou gostado amiga.

Edumanes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edumanes disse...

São todos farinha do mesmo saco. Quem tem a barriga cheia não se lembra de quem tem fome. Lamentaram, mas não quiseram saber nem tiveram consideração, nem respeito pela pessoa humana!

Tenhas uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Cadinho RoCo disse...

Uma coisa puxa outra e assim é que terminamos, em muitos casos, no mais profundo abatimento.
Cadinho RoCo

Majo Dutra disse...

Muito bem descrito, Elvira.
Abraço afetuoso.
~~~~~~~~~~

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
mais uma contrariedade, nas nada que não se vá resolver.
JAFR

Tintinaine disse...

Ou muito me engano ou essa doença vai funcionar como um rastilho para pegar o fogo entre os dois.
Bom fim de semana!

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma contrariedade que pode mudar o rumo!!!bj

rendadebilros disse...

Empregos há muitos. Acabada a convalescença, há-de, com certeza, encontrar algum trabalho que a satisfaça. Por agora, a saúde está em primeiro lugar e a dedicação do marido e a ternura que isso provocará pode aproximar o casal. (Fomos só fazer um belo passeio ao concelho de Vila Nova de Foz Côa, no caso a Mós/Freixo de Numão, que fica no distrito da Guarda. Pois! O Douro afinal aqui tão perto. Há dias, fomos ver outro trecho do Douro, mas por alturas de Barca d'Alva, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, também distrito da Guarda). Beijos e bom fim-de-semana.

AvoGi disse...

Nessa altura havia empregos podiam dar-se ao luxo de se despedir
Nada de mal
Kis :-)

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Uma reviravolta na história?
Mais um excelente capítulo.
Beijinhos,
Ailime

Fernanda Maria disse...

O importante é que a Sofia está a recuperar a saúde e o marido :)

bjs

Gaja Maria disse...

Só problemas...

Rosemildo Sales Furtado disse...

O emprego era importante sim, mas, mais importante era a saúde, e essa, aos poucos se restabelecia, aliada à atenção do Quim, seu amor.

Abraços,

Furtado