12.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XIII






O empregado voltou com a lista das sobremesas.
-Aconselho-te o pudim de pão. É muito bom.
Fizeram o pedido.
- Não tens saudades dos teus pais e irmãos? – Perguntou curiosa.
- Claro que sim, - respondeu com tristeza. Tenho cunhados e sobrinhos que nem conheço. Mas não posso voltar. Não enquanto Portugal mantiver uma guerra colonial, com a qual não concordo e que considero injusta. Quando vim, sabia que me estava a despedir deles para sempre. A menos que um dia haja uma reviravolta política, que acabe com a guerra e a colonização.
- E acreditas que isso vai acontecer algum dia?
- Acredito que sim. Mais dia, menos dia, a juventude vai acordar e dizer basta. Terão que ser os jovens, já que os outros, ou estão demasiado comprometidos com o regime, ou estão sem forças para lutar. Tinha grandes esperanças no General Humberto Delgado. Penso que se ele tivesse chegado ao poder, poderia ter mudado o curso da história. Mas os esbirros do regime, não deixaram
- Voltarias para Portugal, se o regime mudasse? 
-Para ficar? Não. Pelo menos enquanto os tios forem vivos. Talvez tu não entendas o que sinto por eles. É amor, respeito e gratidão. Estão velhos. Sei que precisam de mim. Mas decerto que iria a Portugal sim. Para abraçar os meus pais e irmãos. Para conhecer a família que ainda não conheço. Para rever a nossa terra, os lugares onde passei a minha meninice, os amigos de infância. Engraçado, sabes que me lembro dos teus pais e não me recordo de ti?
-Não admira. Era uma criança. Ia fazer dez anos, quando partiste. Eu sim, lembro-me de ti. Eras um “magricela” só tinhas altura.
Riram os dois.
Aos poucos o restaurante fora-se esvaziando. Eles também tinham terminado, e Sofia sentiu pena de que assim fosse. A noite tinha sido maravilhosa, a refeição deliciosa, e tinha adorado as explicações do marido. Mas as horas corriam e o momento de maiores intimidades aproximava-se.

Peço desculpa pela ausência. Ontem foi um dia muito complicado, não sobrou tempo para as visitas que retomo hoje.

Para os amigos que estranham a calma do Quim, no próximos dois posts terão a explicação...


21 comentários:

Olinda Melo disse...


E, realmente, foi uma premonição que se cumpriu: o regime caiu.

E vê-se que há saudades da terra e dos lugares, como é natural. Ainda hoje, num programa da TV, ouvi um natural da Eritreia dizer: tenho saudades dos vizinhos, das pedras, das árvores, de tudo.

Desejo-lhe um bom domingo, amiga Elvira.

Olinda

Tintinaine disse...

Enquanto espero que o Quim decida pôr as tropas em campo, vou aproveitar para acrescentar meia dúzia de palavras ao comentário anterior.
Esta semana nasceu um filho a um casal de refugiados que são de países diferentes, um da Eritreia e, se não estou enganado, o outro da Etiópia. Que nacionalidade vão atribuir ao puto? Ele, provavelmente nunca mais regressa à África, mas se regressar vai ter que pedir um passaporte primeiro!
Ele há cada problema!!!

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar um bom domingo!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

✿ chica disse...

As coisas já andam...Acabaram até o doce...E a sobremesa deles, de casal virá?rs... bjs, chica

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
É natural que a menina comece a ficar com um nervoso miudinho, pois para quem não teve namoro e não sabe absolutamente nada sobre o marido , que estará a passar pela cabeça dela ?
continuação de um bom domingo
JAFR

António Querido disse...

Acho que o namoro vai continuar, até uma noite qualquer ela descobrir o que não deseja!

Bom domingo.

Edumanes disse...

Quim fugiu para França,
para não ir para a guerra
só voltará à sua terra
se no regime houver mudança!

Quim e Sofia, sua amada!
a guerra deles vai ser outra,
para dispararem a espingarda
abraçados numa paixão louca!

Tenha um bom dia de domingo amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

aluap Al disse...

Compreendo, para ele voltar significa deixar outra vez a família.

Beijinhos.

AvoGi disse...

Ui, calmo por fora por dentro em ébulicao? Espero que não
BDOMINGO
Kis :=}

rendadebilros disse...

Com calma... que tenho pressa? Ou vai dar tempo ao tempo e conquistando a noiva-mulher pouco a pouco. E devagar se vai ao longe. Bom Domingo. Beijos.

AC disse...

A Elvira, a cada história que passa, demonstra uma segurança cada vez maior na gestão dos momentos primordiais do enredo. Para além disso, o que já não é pouco, faz questão de descrever, quase ao pormenor, os pequenos adereços, conferindo à obra um toque credível e homogéneo.

Uma boa semana :)

Rogerio G. V. Pereira disse...

Desculpo-lhe a ausência
a minha é que não tem perdão

Beatriz Pin disse...

Agradezo a sua visita e o comentario tan acertado, como sempre. Também admiro esa constancia nos seus escritos que coido é traballo diario. Gosto da historia que está a contar, dos deliciosos manjares que se ofrecen á vista e as lembranzas dun Portugal que fixo uma revolución envidiable. Os tempos cambiaron para melhor ainda que non é tudo ben en ningún lugar. Abrazo.

Ana S. disse...

Pois... o momento de maior intimidade vai acontecer. Não adianta adiar. Ou será que não?
Boa semana.
Abraço

Cantinho da Gaiata disse...

Passando por aqui para continuar a ler este conto, estou desejosa do que vem a seguir.
Beijinho e uma boa semana.

Gaja Maria disse...

Curiosa para saber o que se segue :)

São disse...

O assassinato de Humberto Delgado e tudo quanto com ele se relaciona é tenebroso...

Boa semana

Odete Ferreira disse...

Na linha desta trama, muito bem entrosadas as questões de regime.
Bj, Elvira

Rosemildo Sales Furtado disse...

Espero que as maravilhas da noite prossigam pela madrugada e mais e mais. Curiooooooooooooooooooooooso. Rsrs.

Abraços,

Furtado

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Não sei muito bem da política de Portugal, mas aqui no Brasil sempre foi uma loucura.
Beijos
Minicontista2

Fernanda Maria disse...

Estou muito curiosa como o que se segue :)

beijinho