3.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE III


Aviso a quem me reconhecer. A foto é minha só porque eu casei no mesmo ano da protagonista. A estória não tem nada a ver comigo.





Agora, passados quase dez anos, o rapaz decidira casar. E queria fazê-lo com uma mulher da terra. Escreveu aos pais, dando conta dos seus desejos.
O pai dele, era amigo do pai de Sofia, e fez-lhe saber que gostaria da rapariga para nora. E quando o pai lhe falou nessa possibilidade, ela só quis saber, se era para ir viver com o marido, ou se tinha que aguardar na aldeia pelo seu regresso. Quando o pai lhe disse que era para ir para França, aceitou na hora. 
Ia fazer vinte anos, tinha a cabeça cheia de sonhos e a alma presa à submissão do regime de então que tirava às mulheres todos os direitos que não fossem o de procriar para manter a espécie. E mesmo com os filhos, eles só eram realmente seus enquanto estavam no ventre materno, porque uma vez paridos, era o pai que detinha sobre ele, todos os direitos.
Sofia, queria fugir dessa vida. E só o podia fazer com o pai, ou com o marido. Com o pai era impossível, logo casar-se parecia ser a solução.
Às vezes passava-lhe pela cabeça, a lembrança de que ia efetuar um casamento sem amor. Mas logo afastava essa ideia, pensando que também não amava ninguém, por isso, a lógica era que viesse a amar o marido com o tempo e a convivência. E  entregava-se a Nossa Senhora das Dores de quem era devota, para que a protegesse da infelicidade.
Não tinha irmãos, coisa rara na época, mas na hora dela nascer, a parteira  não tinha experiência suficiente, para perceber de início que alguma coisa não estava bem, e quando resolveu mandar a parturiente para o hospital mais próximo, já era muito tarde. Os médicos conseguiram salvar mãe e filha, mas a mãe nunca mais podia voltar a sê-lo.
 Chamou a mãe para lhe abotoar os inúmeros botões do vestido de noiva. Nunca iria entender porque o vestido tinha que ter cinquenta pequenos botões nas costas.
Quando a mãe entrou no quarto para a ajudar, acompanhada pela tia Ilda, a jovem reparou que ambas tinham os olhos inchados e vermelhos. Sabia porquê. A sua família era extremamente religiosa.
Ela mesma frequentara a catequese, fizera a comunhão solene e fora crismada. E agora ia casar apenas no registo. O noivo pediu-o e ela não se importou. Nenhum dos seus primos se atrevera a casar sem ser na igreja. Para a mãe, e tias, o casamento pelo registo não passava dum… como é que elas diziam? Ah sim, um amancebamento. Prendeu o cabelo ao alto e a mãe colocou-lhe a tiara e o véu. O fotógrafo já aguardava poder entrar no quarto para as fotografias da praxe.


26 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
já se começa a prever que alguma coisa não vai correr muito bem, mas como só estamos no terceiro capitulo vamos aguardar mais alguns para podermos fazer uma analise mais profunda deste casamento pro-coração.
até amanhã.
JAFR

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Estou a acompanhar e a gostar bem como da foto da minha amiga tirada nesse dia tão especial.
Um abraço e bom fim-de-semana.
Andarilhar || Dedais de Francisco e Idalisa || Livros-Autografados

✿ chica disse...

Casamento para fuga... Coitada! Não sei se acabará bem, só com muita sorte!

Tá lindo de ler! bjs, chica

António Querido disse...

50 botões? Mais meia hora de espera? Coitado do noivo!

O meu abraço.

Socorro Melo disse...

Corajosa essa Sofia, hein? Admiro pessoas assim, mas, eu não me arriscaria não. Espero que ela seja feliz, mas, até lá, penso que correrão muitas "águas" por esse rio (risos). Está ficando interessante.

Beijos :D

Existe Sempre Um Lugar disse...

Bom dia, começo por dizer que a foto é lindissima, a noiva ainda é mais, penso que a nossa Senhora das Dores, não poder para evitar os erros e muito menos fazer feliz a quem os comente, é o caso da noiva que aceitou casar sem conhecer o futuro marido.
AG

Prata da casa disse...

Para além da história que já se começa a antever, gosto particularmente do retrato de época: os direitos inexistentes da mulher, a ideia de casamento que tinha de ser forçosamente religioso ou então era apelidado de " amancebado" , a fuga dos mancebos para o estrangeiro para escapar de uma guerra estúpida e sem sentido.
Bjn
Márcia

Luiza Maciel Nogueira disse...

Gosto muito da sua escrita fluída!

Beijo

rendadebilros disse...

Às vezes, foge-se de uma prisão para outra. Mas talvez não aconteça assim e a protagonista encontre a liberdade noutros horizontes e noutras companhias. E quem sabe? O convívio pode trazer afecto... ( Choveu só hoje e já caíram uns flocos de neve na cidade. Está muito frio, mas ontem esteve um dia muito bonito e fomos passear até Vila Nova de Foz Côa e ver as amendoeiras em flor.) Beijos, bom fim-de-semana.

Emília Pinto disse...

Antigamente eram comuns os casamentos por procuração, embora na maioria das vezes se conhecessem um ao outro. Vamos lá ver como correm as coisas. Quanto à ultima história esperava mesmo esse final e o tenis tinnham a ver com o seu passado, embora eu não imaginasse um acontecimento tão traumatizante para o Rui . Amiga. Obrigada pelas bonitas novelas que connosco partilhas. Já há muito que não sigo nenhuma pela televisão, mas as tuas são especiais e é com muito prazer que as sigo. Espero que esteja tudo bem por aí e desejo-te um bom fim de semana, apesar do mau tempo. Beijinhos
Emilia

Rui disse...

Olhe que esse "preconceito" do amancebamento até nem é tão antigo como se possa imaginar!
Mesmo nos dias de hoje tenho apreciado pessoas a referirem . "Sim está casada/o,... mas ... só pelo registo" ! :( ... Como se isso só representasse meio casamento ! :(

O que já não acho tão normal (não me recordo bem), era nesse tempo usar-se vestido de noiva para ir ao registo !?... (??) ... porque, lá está, não tinha grande significado em termos da sociedade da época !

Abraço, Elvira

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

AvoGi disse...

Elvira...
Que bonita estavas!
Uma nova sorridente porque não casou por procuração
Kis :=}

Edumanes disse...

Pelo que acabei de ler. A ambição de Sofia era sair de Portugal, poder viajar para outro pais. Motivo pelo qual não a preocupava o facto do casamento ser ou não por procuração. O amor não se conquista, o amor acontece quando tem de acontecer. Será feliz se for esse o seu destino!

Linda vai a noiva,sorrindo de felicidade!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Ana S. disse...

Nessa altura era assim... quem não casava na igreja era amancebado lol
Ainda as pessoas mais velhas dizem o mesmo.
Bom fim de semana.
Abraço

maria disse...

Uma história que promete... e a abordar um tema muito interessante, ainda há pouco tempo, falei com alguém que me contava ter casado por procuração, na época era muito frequente... estou muito curiosa pela evolução desta história! Adoro a sua foto... uma noiva lindissima, parabéns!!!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Eis aí uma forma de fugir de um mau regime, mesmo não sabendo o que poderá se lhe apresentar no futuro. Torço para que dê tudo certo.

Abraços,

Furtado

Cantinho da Gaiata disse...

Não me parece que vá correr bem esta estória.
Achei piada do pormenor dos 50 botões, grande trabalheira.
Gostei da foto do teu casamento Elvira, muito bonita!😂
Beijinho e aguardando cenas do próximo capítulo.

Os olhares da Gracinha! disse...

A foto está maravilhosa!
Casar implica isso tudo! Bj

Fernanda Maria disse...

Também me casei só pelo registo e também vesti um lindo vestido de noiva.
Aliás a Elvira fez uma noiva muito bonita.

beijinho

Tais Luso disse...

A noiva está linda, mas é outra...
Bem disse Emília, naquela época costumava-se a fazer os tais arranjos matrimoniais.
Vamos adiante!

Odete Ferreira disse...

Pois, não me enganei em relação ao motivo da aceitação deste casamento.
Bj, Elvira :)

Smareis disse...

Muito difícil um casamento dessa forma ter final feliz. Mais vamos seguindo na história. Gostei da foto. Maravilhosa!
Bjs!

Graça Sampaio disse...

Linda a noiva.... Lindo o vestido...

Beijinhos, senhora escritora.

Gaja Maria disse...

Na altura houve imensos casamentos assim

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Elvira!
O vestido é muito chique e era moda alta na década... minha tia teve um assim e, pela foto, o reconheci (parecido o estilo, claro)...
vamos em frente!
Bjm muito fraterno