18.5.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXXII

Foto do Regimento de Lanceiros 2. em 1980. Desconheço o autor da mesma.

Pelas 16 horas, o capitão-mar-guerra Pinheiro de Azevedo, comandante da Força de Fuzileiros do Continente, nomeia o capitão tenente Costa Correia para comandar uma força constituída por um Destacamento de Fuzileiros Especiais e uma Companhia de Fuzileiros . A força deveria dirigir-se ao Ministério da Marinha e obter a declaração formal de adesão da Marinha por parte do Chefe de Estado-maior da Armada. 
Enquanto isso, o Dr. Nuno Távora e o Dr. Feytor Pinto são recebidos pelo ainda Presidente do Conselho Marcelo Caetano, informam-no da disponibilidade do General Spínola, para aceitar a sua rendição e assumir o poder. Marcelo que se encontrava acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, e o seu Adjunto Militar Coutinho Lanhoso, decide pela sua rendição desabafando"assim o poder não cai na rua"
É redigida pelo Comandante Lanhoso a seguinte mensagem.  "O Presidente do Conselho está pronto a entregar o Governo ao General António de Spínola, e espera-o, para tal fim, no Quartel do Carmo" 
Enquanto Nuno Távora e Feytor Pinto se dirigem com a missiva a casa do General Spínola, Salgueiro Maia,  dirige-se ao Quartel do Carmo onde dialoga com o Comandante da unidade e outros oficiais verificando que a intenção era de rendição. Salgueiro Maia pede para falar com o Prof. Marcelo Caetano. E é recebido por ele. A conversa decorreu a sós e com grande dignidade. Nela o Prof. Caetano solicitou que um Oficial General fosse receber a transmissão de poderes para que o governo não caísse na rua, confirmando a sua rendição. 
Entretanto o General Spínola recebe os dois mensageiros, lê a missiva, mas diz não reconhecer a letra do Presidente. O telefone toca. É  Marcelo Caetano, que confessa a 
sua derrota ao estar cercado por uma força de blindados e por uma multidão ululante. Afirma que ao render-se o queria fazer perante alguém que pudesse garantir a ordem pública. Não desejaria render-se a um capitão. Pede a Spínola para vir assumir o poder. Spínola afirma que nada tem a ver com o Movimento. Marcelo Caetano mais uma vez lhe pede para vir quanto antes. 
Depois desta conversa, o general Spínola, liga para o Posto de Comando e fala com o Major Otelo. Pede para ser mandatado para receber a rendição do Presidente do Conselho, Marcelo Caetano. Spínola é mandatado para receber a rendição, e é informado que os dirigentes do regime, serão conduzidos ao Funchal por um DC 6 da Força Aérea.
Depois dirige-se ao Quartel do Carmo, aceita a rendição de Marcelo e informa-o que seguirá em avião militar para o Funchal.
A essa mesma hora, a Escola Prática de artilharia, sob o comando do Capitão Mira Monteiro, consegue a rendição do Regimento de Lanceiros 2.
Um pouco mais tarde, a Escola Prática de Infantaria, liberta os restantes oficiais presos no RAL 1 por terem participado no 16 de Março. 




Relembro que todos este factos, são objecto de pesquisa, de jornais da época, do arquivo da RTP, e sobretudo da base de dados históricos.

13 comentários:

Blog da Gigi disse...

Lindo dia!!!!!!!! Beijos

Anete disse...

Muitos fatos históricos por aqui...
Suas histórias são repletas de acontecimentos e boas informações, Elvira!
Momentos de pressões e tensões...
O meu abraço grande

António Querido disse...

Muito bem, gostei de ler um pouco da rendição de Marcelo Caetano, o homem que queria dar mais um pouco de liberdade aos portugueses, só que foi tarde demais e assim caiu uma ditadura de quarenta anos de existência, somos livres mas tristes, endividados, e escravos da Europa por mais quarenta anos.

O meu abraço

Dorli Ramos disse...

Elvira, estou atrasada com os comentários.
Comentei o nº LXI daí para baixo comentei em todos.
Vá ver
Beijos
Minicontista2

Crocheteando...momentos! disse...

Amiga...não percebo muito de política por opção e falta de jeito também...mas gosto de recordar passagens da nossa História!
Bj

Edumanes disse...

Foi assim que acabou a ditadura. Para evitar um banho de sangue foi o melhor que Marcelo Caetano fez. Caso o não fizesse voluntariamente, teria sido muito pior, para ele e para os seus comparsas! Porque contra a força não há resistência, e parte mais fraca era a que estava do seu lado!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Gaja Maria disse...

Gosto de ler os pormenores, alguns nunca chegaram a público :) Beijinho Elvira

Emília Pinto disse...

Olá Elvira. Estive a ler os capitulos que me faltavam e estou impressionada com a pesquisa que tens feito sobre esta época tão importante para o nosso pais. Como sabes vivi esse tempo e estudava no Porto em 74, quando se deu o golpe mas não conhecia muitos destes pormenores que aqui tão bem relatas, Muito obrigada e parabéns pelo belissimo trabalho. Desculpa a ausência, amiga, mas sempre ponho " a escrita em dia ". Fica bem, especialmente com boa saúde. Um beijinho
Emilia

Rogerio G. V. Pereira disse...

Aqui, já não era golpe militar
a pouco e pouco
por todo o lado
o povo, desobedecendo ao apelo, se foi juntar

✿ chica disse...

Tu és uma grande estudiosa e por isso relatas tão bem cada momento, cada detalhe! beijos,chica

Pedro Coimbra disse...

Pinheiro de Azevedo era um show - "Fui sequestrado. Não gosto, chateia-me" :)))

esteban lob disse...

Querida amiga portuguesa:

Junto con deleitarme con tus tan bien escritas recopilaciones históricas, te cuento, Elvira, que junto a mi esposa tuve ocasión de ver hace pocos días una gran película que se escenificaba en la dura realidad de tu país en la década de los 70 y que se llama "Tren nocturno a Lisboa".Durante su desarrollo pensé en ti y en tu notorio amor por tu patria, expresado cada vez en tus excelentes recuerdos de época.

Un abrazo.

Elisa Bernardo disse...

Uns dias atraso-me na leitura e tenho de cá vir atrás para recuperar a história.
Bom fim de semana Elvira.
Beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.pt