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5.6.23

CICATRIZES DA ALMA - PARTE LI

 


Intrigada, Anabela arrumou a sala, guardou a ficha do doente, e dirigiu-se à cozinha, onde encontrou a empregada, pondo a mesa para o almoço.

- Bom dia, Isilda. Aconteceu alguma coisa especial nestes dois dias que estive ausente?

- Bom dia, Anabela. Bom foi Natal, e os pais do menino Tiago vieram passar o Natal. Porquê?

- O doutor Tiago, parece bem melhor, mais animado, mais conversador…

-Bem, isso está. Há dias que o meu Joaquim me dizia que ele estava bem melhor, já a movimentar a cadeira sozinho, e a tornar-se mais independente. Mas como sabe eu só entro no quarto quando vou fazer limpeza e isso é sempre pela manhã, ou quando está no banho ou nos exercícios de modo que nunca o vejo. Porém nestes dois dias ele veio comer à mesa com os pais, e realmente parecia outra pessoa, muito diferente de há um mês. Conversou bastante com os pais e eles estavam muito esperançosos, de que em breve o filho voltasse a andar. Por que pergunta?

-Porque anteontem quando fui embora, ele continuava com mau humor, e precisou da minha ajuda para sair da maca para a cadeira. E hoje, não só não precisou dessa ajuda, como estava bem-humorado e conversador.

- Ele soube ontem notícias de outro doutor que estava com ele, lá em África e ficou bastante contente. Mas penso que não foi esse o milagre pois ele já se mostrou simpático e bem-disposto na véspera, durante a consoada.

- Bom, vou até ao quarto, preciso mudar de roupa, e já volto para lhe ajudar.

Despejou a mochila em cima da cama, pôs de lado os dois embrulhos e guardou na cómoda a roupa que trouxera.  Depois de ter lavado a cara e o rosto, pegou nos dois embrulhos e desceu.

-Já na cozinha, entregou a Isilda um dos embrulhos, pôs o outro na cadeira onde Joaquim costumava sentar-se dizendo:

-É uma pequena lembrança de Natal.

-Obrigada. Mas não carecia de estar a gastar dinheiro connosco. E demais não comprámos nada para si.

- Mas que mais me podiam dar, se já me deram tanta atenção e carinho durante estas semanas? De resto como disse é apenas uma lembrança.

A empregada rasgou o embrulho e retirou uma bonita camisola de lã, cor de salmão.

- Obrigada. É tão bonita. E macia – disse encostando a malha ao rosto.

Nesse momento entrou Joaquim e a conversa repetiu-se. E depois de rasgar o seu embrulho, retirou um belo pulôver de lã castanho, que ele agradeceu. De seguida perguntou à mulher.

- Tens o almoço pronto para levar ao doutor?

- Tenho. É só preparar o tabuleiro.

Pouco depois ele levava o almoço ao patrão.

 

 Nota: Não estou a conseguir fazer visitas diárias, não só por causa dos olhos, como também por absoluta falta de tempo. Estamos no fim da época escolar e (da Universidade Sénior, que frequento). E até ao dia 15, há ensaios, festas de encerramento,  passeios, almoços, enfim. Por outro lado, este é também o mês em que eu e o marido, temos de fazer os exames de saúde anuais pois temos consultas a 22, 26 e 27. Comentarei sempre que possível. Provavelmente terei que fazer uma nova pausa. 

28.1.22

ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE VI




Nuno dirigiu-se ao seu carro. Aí chegado, sentou-se ao volante, levou as mãos à cara e deixou-se ficar por momentos assim. Como se necessitasse desse tempo, para reforçar a barreira de indiferença, que a presença de Luísa de algum modo ameaçava destruir.
Depois lentamente, pôs o veículo a trabalhar e arrancou suavemente.

Tinham-se passado dezasseis anos desde que Luísa de uma forma abrupta, terminara a relação que mantinham há dez meses. Sem outra explicação a não ser a de que era muito jovem, não desejava prender-se tão cedo. Ele sentira-se traído, usado. Amava-a e sonhava com ela como sua companheira, e mãe dos seus filhos. Pensava pedi-la em casamento logo que ela  completasse os dezoito anos. Mas ela terminara tudo uns meses antes. 

E ele ficara desesperado. Não era um adolescente. Tinha vinte e cinco anos e sabia muito bem o que queria da vida. Por ela, pelo seu amor, tinha até renunciado aos seus sonhos de partir para terras longínquas, para cuidar dos esquecidos de Deus. Claro, não podia arrastar uma jovem tão frágil e delicada como Luísa para semelhantes lugares. E não acreditava em relações à distância. Conhecia-se. Não seria útil em lugar algum se a sua cabeça e o seu coração estivessem a milhares de quilómetros.

Luísa era uma excelente atriz. Tão boa que ele estava convencido que ela o amava de igual modo. Mas o que ela queria era alguém que a iniciasse nos prazeres do sexo, e decerto o escolhera por pensar que seria mais experiente que os rapazes da idade dela. Pelo menos era o que a sua atitude lhe fazia crer. Ela mudara por completo depois que tinham feito amor. A princípio ele pensara que era por timidez. Mal sabia ele, que ela se estava a preparar, para se descartar dele. Claro. Deixara de ter utilidade. Nunca na sua vida  sentira tal dor, e simultaneamente tal humilhação.

A sua mãe, na tentativa de lhe fazer esquecer, começou a convidar lá para casa, todas as filhas casadoiras das suas amigas. Para acabar com a situação, e também porque era o sonho de toda a sua vida, Nuno pusera em marcha o processo que o levaria para África, deixando a mãe destroçada. O pai, que sempre o apoiou, e que sabia das suas intenções para com Luísa, dizia-lhe que não valia a pena estar assim. Ele era muito novo, e o que não faltavam no mundo, eram mulheres carinhosas e dignas, capazes de retribuir o seu amor e serem companheiras dedicadas. Ele não acreditara na altura como não acreditava hoje.

Tornara-se num solitário. Luísa matara para sempre a sua fé nas mulheres. E ele conhecera muitas, naqueles dezasseis anos.  Era um homem jovem e fisicamente saudável. Tinha desejos como qualquer outro e não fizera voto de castidade.  Algumas aqueceram a sua cama, durante algumas horas. Algumas disseram mesmo que o amavam. Mas as suas declarações, resvalaram pela indiferença dele, como gotas de chuva pela vidraça.
Há três meses que tinha regressado. Pelos seus pais que estavam velhos e saudosos da presença do seu filho único, mas também porque ele já não era o mesmo homem de outrora. Estacionou junto do prédio onde morava. Um apartamento a cinquenta metros da casa dos seus progenitores. Suficientemente perto para os ver quase todos os dias, mas um lugar independente, onde podia lamber as suas feridas sem testemunhas.


E esta tarde estarei em Lisboa a fazer exames respiratórios, que não se fazem no Barreiro e que estão marcados há quase dois meses.


25.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE X



 Horas mais tarde, Ricardo encontrava-se na biblioteca, que também utilizava como escritório, quando a jovem entrou.
- Bom, agora que as crianças dormem, podemos ter a tal conversa que deveríamos ter tido antes do casamento. Ainda me surpreendo como podemos chegar a esta situação, sem que eu saiba nada de ti e das crianças. Não é justo, tanto mais que tenho a certeza o relatório do teu detetive deve ter trazido até a data em que me caiu o primeiro dente.
-Foi bem detalhado, mas não chegou a tanto - disse ele com um esgar que pretendia ser um sorriso. - Por exemplo, não me disse porque terminou o teu namoro, depois de quase dois anos. Se vou ter de te confiar os meus segredos, porque não começas por me esclarecer esse ponto?
- Primeiro, porque ele não tem qualquer interferência na minha missão de educar as crianças. Segundo, não te pedi que me falasses de ti, mas delas, porque quanto melhor as conhecer, melhor será a minha relação com eles.
-Esqueces que as suas histórias estão ligadas à minha?
-Não. Mas foste tu que falaste em segredos. E eu não quero imiscuir-me na tua vida, senão naquilo que às crianças diga respeito.
O silêncio reinou na sala durante alguns segundos. Sério, Ricardo olhava-a fixamente. Ela sustentou-lhe o olhar. Por fim, ele levantou-se e aproximou-se da janela. De costas para ela, começou a falar:
Não tenho nenhuma memória da minha mãe. Era ainda bebé quando ela faleceu. Três anos depois meu pai voltou a casar, mas a minha madrasta, não gostava de mim. Tinha ciúmes, não sei se do amor que meu pai me tinha, se por lhe recordar que o meu pai já tivera outra mulher antes dela. Fez-me a vida negra, durante dois anos, até que influenciado por ela, meu pai enviou-me para casa da minha avó materna.
Clara engoliu em seco. Na voz rouca do homem, estava latente o sofrimento, que aquelas recordações despoletavam. Imaginou como teria sido a vida do seu irmão, se após a morte dos pais, ela não tivesse cuidado dele, e sentiu pena do menino que Ricardo fora.
-Na minha família - continuou Ricardo, - o filho varão sempre seguiu a carreira militar. Foi assim com meu pai, meu avô e bisavô. De modo que mal fiz o ensino primário entrei para o Colégio Militar. Não era o que eu queria, mas quem mandava era o meu pai e não havia nada a fazer.  A minha juventude não foi muito diferente da de outros da minha geração, talvez mais solitária pela falta de apoio familiar e mais rígida por causa da educação militar. Terminado o Colégio, ingressei, na Academia Militar e acabado o curso, fui integrado no exército, onde participei em algumas missões em África, mas nada de muito importante. Tinha vinte e seis anos e vivia apenas para a carreira. Contrariamente aos meus colegas, que ou estavam casados, ou iam a caminho do altar, eu nunca tinha encontrado uma mulher por quem sentisse outro sentimento que não fosse apenas a satisfação de um desejo momentâneo. Mas nessa altura, durante umas férias, conheci a Céu. Era muito  bonita, mas o que me seduziu foi a sua doçura. Apaixonei-me. Namorámos  durante catorze meses, e a ideia de nos casarmos em breve, estava a ser encarada seriamente, mas nessa altura, fui destacado para o serviço permanente da NATO, por dois anos. Decidimos protelar o casamento para o fim da comissão. Despedimo-nos com juras de amor eterno, e promessas de que íamos estar em contato diário.  Apesar dos meus quase vinte e oito anos, era tão ingénuo que ainda acreditava em amores eternos.
Parti então, mas nesses dois anos, participei em missões no Afeganistão, em lugares tão remotos, onde não havia Internet, e o correio só chegava uma vez por semana, quando o avião de abastecimento nos levava os alimentos.



11.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XXVII









A vida que conhecera em África dera-lhe força para o que ia fazer e ajudaram-na a tomar uma decisão. Sabia que amava David, e que se ele a rejeitasse, ia sofrer muito. Mas não podia continuar a fugir dos seus sentimentos. Se não desse certo, vender-lhe-ia as suas ações e juntar-se-ia ao irmão em Marrere. Onde tudo falta, ela encontraria decerto uma boa razão para viver, e uma oportunidade de esquecer, a sua tragédia pessoal. Naquela manhã levantou-se cedo, tomou banho, vestiu o conjunto da segunda página do catálogo que tanto a encantara e comprara antes de partir, e seguiu para a fábrica. Passou pelo gabinete de Madalena que abraçou com alegria e depois bateu na porta do gabinete e entrou.
- Olá,- cumprimentou tentando aparentar uma naturalidade que não sentia.
Ele levantou-se. Estava mais magro, tinha um ar cansado. Não devia ser fácil gerir as duas fábricas e simultaneamente preparar o catálogo para a próxima época. Reparou no olhar de admiração quando a olhou. Seria pelo fato, que ele reconheceria, como criação sua, ou pela sua presença?
-Olá. Julgava-te em Moçambique.
-Regressei na madrugada de ontem, mas levei quase vinte horas horas a dormir.
- Vens trabalhar?
- Ainda não. Vim convidar-te a jantares comigo. Na minha casa.
Viu que como o corpo musculado enrijecia, enquanto o rosto se tornava pálido. Notou o apertar dos punhos, e antes que ele falasse, inclinou-se para a frente e pediu.
-Por favor, não digas nada que não possa perdoar-te. Já nos ferimos o suficiente. Tenho que te contar uma coisa, que pode ou não mudar toda a nossa história. Se ainda tens algum carinho por mim, não faltes.
Ele esticou o braço e segurou-a pelo pulso. Olharam-se profundamente, estudando-se mutuamente.
-A que horas? – Perguntou largando-lhe o pulso.
-Às oito.
Voltou-lhe as costas e saiu deixando o homem perplexo.
Ela seguiu para o supermercado onde fez as compras para o jantar.
Uma perna de borrego para assar, os ingredientes para a sobremesa, um gelado e vinho.
Fez um bolo de chocolate, preparou e pôs no forno o borrego com batatas, e fez a salada. Hesitou sem saber bem como ia por a mesa, acabando por decidir por uma mesa simples para duas pessoas, sem qualquer detalhe romântico que o levassem a tirar conclusões apressadas, e não muito abonatórias para ela.
Com tudo pronto, foi tomar banho, e vestir-se. Acabava a maquilhagem, quando ouviu a campainha. Abriu a porta e ele estendeu-lhe um ramo de tulipas amarelas. Ela aceitou-as como uma promessa de paz e amor.
- Obrigada, são lindas. Entra, o jantar está pronto, é só por as flores numa jarra, e levo-o já para a mesa.
Seguiu-a para a cozinha.
- Não tenho fome. Deixa as flores aí e vem para a sala. Quero saber o que tens de tão importante para me dizer. Decerto não será que estás grávida. Porque se é isso, escusas de tentar. Lembro-te que usei proteção.

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Na reta  final. Será que estes dois, se vão entender?

5.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XVII







Enquanto terminava a maquilhagem, Daniela pensava em tudo o que lhe acontecera desde que conhecera David. A raiva que a tomara, de início, foi substituída por um sentimento que ela ainda não sabia bem como definir. O que sabia, é que o seu corpo entrava em ebulição quando ele estava perto, e que desde o dia em que quase se beijaram no escritório, que ela vivia a sonhar com os seus beijos. Sabia que se estava a meter num terreno perigoso, mas não lhe importava. Tinha quase trinta e dois anos, era uma mulher adulta. Sabia que não podia sonhar com o casamento, mas também não ia levar o resto da vida, em abstinência total. David agradava-lhe, e percebia que ele também a desejava. O único problema era o facto de serem sócios. Misturar o trabalho com uma aventura, não ia dar certo, ela sabia-o.
Acabou de se arranjar no momento em que a campainha tocou. Abriu a porta, e saiu.
-Estás linda!
-Obrigada.
-Tens algum sitio especial onde queiras ir? – Perguntou-lhe enquanto punha o carro em marcha.
 - Não. Escolhe tu.
Levou-a para um restaurante à beira-mar.
- Um local muito bonito. Costumas vir aqui muitas vezes?
- Algumas. Não conhecias?
- Não.
- Enquanto esperavam ser atendidos, ele pegou-lhe na mão e pediu num sussurro.
- Fala-me de ti.
- Não é um tema interessante.
- Isso, sou eu quem decide.
- Bom. Fui uma criança feliz, mimada pelos pais e pelo Daniel que tem mais três anos do que eu, e que até à minha entrada para a faculdade sempre foi muito protetor. Cursei contabilidade e gestão de Empresas, porque sempre me fascinou a ideia de vir a gerir o negócio da família, tanto mais que o meu irmão, se direcionou para a medicina e desde muito novo mostrou a sua vocação para se por ao serviço dos mais necessitados. Não fora a doença do nosso pai, e já há muito tinha ido para África.
Calou-se enquanto o empregado tomava nota do pedido.
-A minha mãe morreu quando entrei para a faculdade. Cancro no peito. Era ainda jovem e morreu em seis meses. Senti muito a sua falta. Nessa época conheci o Filipe. Era simpático, bonito, e foi um grande apoio, para a minha dor. Casamo-nos dois anos depois. O casamento não foi o que esperava, e ao fim de quatro anos, o divórcio foi a única solução.
A doença do meu pai, não me deixou tempo para carpir mágoas. O meu irmão não queria ouvir falar da fábrica, e o pai já não conseguia continuar. Comecei a trabalhar a seu lado, mas em breve, ele teve que ser hospitalizado e pouco tempo depois morreu. E é tudo.



24.5.16

MANEL DA LENHA - PARTE LXXVI


                         1º de Maio de 1974. Imagem de arquivo da RTP


Enquanto em Portugal se vivem tempos de euforia, e também de alguns excessos que sempre acontecem nos processos revolucionários, a filha e o genro do Manel, têm um outro problema. É que o jovem como atrás se disse tinha metido um requerimento à Marinha para sair após a comissão, e na actual conjuntura política, a Marinha era o emprego certo que tinha e a saída era uma incógnita que talvez se transformasse num grande erro a prejudicar todo o futuro do casal. Analisados todos os prós e contras, o jovem faz novo requerimento à Marinha a solicitar, a continuação. Informa, que anteriormente requisitara a saída por não estar de acordo com  a política do governo vigente, mas dado que a revolução tinha deposto o mesmo, tinha desaparecido o motivo que lhe fizera pedira a baixa, e pedia por isso que essa petição fosse anulada.
Posto isto, só lhe restava rezar, para que o pedido fosse aceite. Ele sabia, que em democracia, Portugal não podia continuar a colonizar outros povos. E com a independência, decerto a maioria do povo a viver em África regressaria ao "puto",  (era assim que em África designavam Portugal).
O país não ia ter emprego para tanta gente. E ele teria 32 anos, 11 dos quais na Marinha.
Isto mesmo, contava a filha, numa carta que o Manel recebeu no último dia do mês de Abril.
No dia seguinte, era o 1º de Maio. O primeiro depois da queda do Governo. Milhões de Portugueses vieram para as ruas por todo o país. Ninguém queria ficar em casa, nesse dia tão importante para os trabalhadores, o primeiro que se vivia em Liberdade. Ao som do grito de guerra, "O povo unido, jamais será vencido" empunhando a bandeira nacional, bandeiras partidárias ou slogans políticos, o povo desfilou pelas ruas de Norte a Sul do País. Mas não só. Também nas colónias o 1º de Maio foi festejado, com a exigência da libertação dos presos políticos. 
Na verdade, a ordem de libertação dos presos políticos, uma das primeiras medidas da Junta, foi apenas para a Metrópole. Só no 1º de Maio, com a substituição do governador de Cabo Verde pelo Comandante-Chefe Comodoro Pedro Fragoso Matos, nomeado Encarregado do Governo, foram libertados os presos políticos do Tarrafal