- Eu queria sentir esse amor. Queria que me ensinasses a
ser feliz, e a fazer-te feliz. Mas tenho medo Simão. Um medo irracional, que me
sufoca.
- E de que tens medo, querida?
- De não ser capaz de corresponder às tuas expectativas.
De não conseguir fazer amor contigo, porque de repente me lembro, que somos
irmãos.
- Tu sabes que não é verdade, Ana.
– Por favor, não
me interrompas. Deixa que te exponha todos os meus receios. Supõe que não dá
certo. Vou perder-te para sempre, magoar os nossos pais, e isso aterroriza-me.
Com imensa ternura, contornou os olhos brilhantes, numa carícia suave.
Com imensa ternura, contornou os olhos brilhantes, numa carícia suave.
- Já chega. Não te atormentes. Eu não tenho medo. Acredito em nós, e na força do amor. Vieste ter comigo. Sabes o que sinto e o que desejo. Só tens que decidir se vieste para ficar, e viver este amor que tenho para te oferecer, ou se te vais
embora agora, e dás outro rumo à tua vida.
Era o momento derradeiro, a última hipótese de virar
costas e procurar um caminho que lhe parecesse mais seguro, ou fechar os olhos
e saltar o abismo em que o medo se transformara. Lembrou-se da mãe. “Às vezes é preciso correr riscos”
Prendeu-lhe o rosto entre as mãos, e disse baixinho:
- Fico.
Ele engoliu em seco. A emoção era um garrote que lhe sufocava a garganta. Apertou o corpo tremente nos braços, e começou a
beijá-la. Lentamente, como quem saboreia um doce, foi-lhe beijando os olhos, e o rosto, até
aflorar os lábios femininos. As suas mãos pareciam ter vida própria. Percorriam-lhe os
braços, as costas, infiltravam-se sob a blusa, em suaves caricias que a enlouqueciam.
O beijo, tornou-se mais intenso, atrevido e urgente. Simão
concentrava toda a sua energia, todo o seu amor, toda a sua experiência e conhecimento do
corpo feminino, na tarefa única, de a levar pelos secretos labirintos
da paixão, até à mágica saída, na apoteose final.
As roupas desapareceram, como por magia, e
os corpos livres, uniam-se, na mais famosa dança de todos os tempos, num reconhecimento que vinha desde os
primórdios da humanidade.
Mais tarde, apaziguada a loucura que os envolvera, num
gesto cheio de ternura, ela tocou com a ponta dos dedos, o rosto masculino. Ele
segurou-lhe a mão e beijou-os. Simão, era um homem experiente, sabia reconhecer quando a mulher que tinha nos braços, estava com ele na entrega sublime do amor. Ana tinha estado. Tinha-se entregado de corpo e alma. Ele sentiu-o. Mas precisava ouvi-lo da sua boca. Saber até que ponto ela tomara consciência disso, saber se conseguira matar todos os seus fantasmas.
- E, então, querida?- Perguntou num sussurro
- Amo-te.
- Sem medos, nem fantasmas?
- Sim
-Tens a certeza?
- Nunca tive tanta certeza de nada na minha vida. É… incrível.
Sei que é um lugar-comum, mas não me ocorre outra maneira de to dizer. Sinto-me
a mulher mais feliz do mundo.









