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17.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXVII



- Boa tarde Irene. Por favor liga à Margarida Souto, e pergunta-lhe se ela pode ir jantar comigo esta noite. Preciso da sua ajuda para a festa do António Ferreira, - disse Paula mal entrou na sua empresa.
Sem esperar resposta da secretária dirigiu-se ao seu gabinete, ligou o computador e passou as fotos do jardim da casa em Sintra para o mesmo.
Estudava as imagens quando Irene a interrompeu.
- Tenho a Margarida na linha. Ela quer falar contigo.
- Obrigada. Passa a chamada, - disse.
- Guida? Boa tarde.
-Boa tarde, Paula. A Irene diz que precisas de mim com urgência. Onde é o incêndio?
- Em Sintra no fim do mês. Uma boda de estanho, que deve ser de sonho, mas o tempo é muito curto. Só para teres uma ideia, só hoje conheci o espaço e tenho que ter o plano pronto amanhã para que o cliente aprove ou não, porque depois de amanhã ele vai viajar. Se puderes vir jantar comigo esta noite, vemos as fotos, e trocamos ideias. Pode ser?
- O Gustavo está no Porto, pelo que não tenho nenhum programa combinado. Conta comigo. Queres que vá agora já para aí, ou encontra-mo-nos mais tarde em tua casa?
- Podes vir já? A sério? Isso seria o ideal.
-Ok. Dentro de meia hora o mais tardar estou aí.
- Obrigada. Fico à espera.
Desligou a chamada e voltou a estudar as fotos. Vinte e cinco minutos mais tarde, a sua secretária introduzia no gabinete a decoradora.
Margarida era uma mulher de pouco mais de trinta anos. Possuía um rosto agradável, era de baixa estatura, e um corpo mais roliço do que os códigos da moda ditavam. O seu maior encanto era a simpatia que irradiava como uma auréola de toda a sua figura. Paula conhecera-a dez anos atrás, na Universidade, quando Margarida começara a namorar Gustavo, seu amigo e vizinho. A empatia entre as duas foi instantânea e em breve eram grandes amigas, apesar de não frequentarem o mesmo curso. Mais tarde quando a jovem casara com Gustavo, ela fora convidada para madrinha e desde aí os laços de amizade entre os três, estreitaram-se ainda mais.
Margarida fora sua confidente, quando se apaixonara por Adolfo com quem curiosamente a amiga nunca simpatizara. Costumava dizer que não vislumbrava sinceridade nos seus olhos. Quatro anos mais tarde, Paula viria a dar-lhe razão.
-Bom, aqui tens o bombeiro de serviço, - disse com um rasgado sorriso, depois de beijar a amiga.
-Vem ver estas fotos. São de um local onde tenho que realizar uma boda de estanho no final do mês.
- É uma bela casa. É de alguém que conheço?
- Talvez. Conheces o empresário António Ferreira?
- O “rei da Cozinha Portuguesa”?- perguntou a decoradora, que lançou um assobio de admiração perante o sinal de assentimento da amiga. - Mas o homem é casado? Nunca o vi acompanhado.
- A festa é para a irmã dele. Mas senta-te que conto-te tudo. Além da tua ajuda, preciso desabafar.

Esta história volta Segunda-feira. Uma Santa e Feliz Páscoa para todos 


29.5.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE IX



Chegou ao restaurante, cinco minutos antes da hora marcada, mas não antes do amigo que já se encontrava na sua mesa habitual, num recanto mais afastado, mas de onde podia observar todo o movimento. Há anos que Ricardo ali almoçava quase diariamente, e não raro com clientes, razão de ter sempre aquela mesa reservada. Vendo o amigo aproximar-se, levantou-se para o receber com o social aperto de mãos. acrescentou.
- Fiquei surpreendido com a tua urgência em nos encontrarmos, tanto mais que fiquei com a estranha sensação de que não vamos falar de trabalho. Penso que correu tudo bem no Algarve e que já posso dar-te os parabéns pela nova aquisição.
Nesse momento o empregado, a quem Ricardo tinha dito quando entrou que esperava um cliente, aproximou-se com a ementa.
Ricardo pediu um bife à Marrrare, Pedro optou por bacalhau à Lagareiro. Para beber, optaram por vinho tinto, tendo o primeiro escolhido Esporão, o segundo, Fonte do Ouro Touriga Nacional.
- Preciso da tua ajuda, - disse Pedro assim que o empregado se afastou. Mas antes tenho que te contar algo estranho que se passou logo depois de teres saído, no último dia que estiveste lá na empresa. Apareceu por lá uma mulher com uma criança ao colo, dizendo à Rita que queria, porque queria, falar com Pedro Mesquita. Ela disse-lhe que não era possível falar comigo sem marcação, mas a mulher afirmava que não queria falar comigo, sim com um simples empregado com esse nome. Sem saber o que fazer a Rita disse-me o que se passava, e eu que no momento até estava bem-disposto, resolvi recebê-la e saber o que ela queria. E não é que ela queria que o Pedro Mesquita soubesse que era o pai do bebé?
- O quê? – Perguntou Ricardo quase gritando, E logo baixando a voz, perguntou: Mas tu conhecia-la?
- Claro que não. A princípio pensei que era uma oportunista, tentando vigarizar-me, mas a mulher insistia que não entendia porque havia de falar comigo, ela queria falar com um simples empregado. Mostrou-me uma fotografia da irmã com o namorado, antes de ele ter desaparecido. E então percebi que se tratava da última gracinha do meu primo. Sabes como o Paulo era, e a mania que tinha de se apresentar com o meu nome.
- Sei, mas que tinha o namorado da irmã a ver com o filho da tal mulher?
- Sobrinho, a criança era o filho da irmã. Segundo me contou, a irmã teve uma gravidez de alto risco e não sobreviveu ao nascimento do filho.
- Entendo. E o que é que ela quer?
-Nada. Depois que lhe disse  que aquele jovem, tinha trabalhado na firma, mas falecera havia seis meses, num acidente, disse que então não fazia ali nada e despediu-se.
-Assim?
-Bom, eu levei-a a casa. Ainda lhe perguntei se não me oferecia um café, mas desculpou-se e nunca mais a vi.
Calou-se ao ver que o empregado se aproximava com os pratos.



12.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XV


Desabafou com a irmã, o que não se tinha atrevido a contar à mãe. Laura recriminou-a por ter fugido daquela maneira. Segundo ela, deveria ter fingido que não sabia de nada e lutar com todas as suas armas para reconquistar o marido. Mas uma vez que decidiu abandonar a luta, devia pelo menos enfrentar João e confrontá-lo com a sua traição. Odete sabia que seria assim que a sua irmã faria, mas ela não tinha essa coragem. Estava demasiado ferida para confrontos. Ele que pedisse o divórcio e fosse viver a sua vida, ela trataria de lamber as suas feridas longe dele. Precisava arranjar trabalho com urgência, pois não levantara um cêntimo sequer da conta conjunta, e o dinheiro que tinha guardado ao longo daqueles três anos estava a acabar. Felizmente para ela, Denis, o cunhado da irmã, andava à procura de uma Educadora de Infância, para a sua creche, e como ela dominava o inglês, em breve estava empregada.
Em vão esperou que o advogasse lhe comunicasse o pedido de divórcio apresentado pelo marido, mas ele nunca o fez.  
Até que há quinze dias, tinha recebido um telefonema do pai. Em breve ia partir com uma carga para França, e a saúde precária da mulher, fazia-o recear deixá-la sozinha. Odete que estava prestes a iniciar as suas férias, pediu a antecipação e regressou. Com a situação atual, ela tinha que avisar de que não ia voltar. Felizmente tinha acabado o contrato, contava renová-lo depois das férias, avisando Denis, ele poderia com tempo arranjar uma substituta.
O que realmente a preocupava agora era a cirurgia a que a mãe, ia ser sujeita, e a vida que ela teria dali para a frente, na sua antiga casa. O peso das recordações ali vividas, a convivência com o marido, e as perseguições que decerto iria sofrer, por parte de Inês.
Cansada acabou por adormecer. Acordou às sete horas. Levantou-se e foi tomar banho. De passagem olhou-se no espelho. As olheiras profundas denunciavam a noite mal dormida e cheia de pesadelos que tivera. Teve a sensação de que tinha envelhecido uns bons anos.
Depois de se arranjar, dirigiu-se à cozinha, onde já encontrou a mãe a fazer as torradas para o pequeno-almoço.
Fê-la sentar enquanto dizia:
-Então mãe, a fome é tanta que não podia esperar por mim. O médico disse que não se pode cansar. Eu trato disto.
-Também não posso estar, todo o dia deitada, ou sentada, -retorquiu a mãe. Faz-me dores no corpo. E depois tenho muito tempo para estar deitada quando estiver no hospital. Chegaste a falar com o teu pai ontem? – Perguntou.
- Falei. Ele já estava quase a chegar à fronteira. Mais dois dias e está em casa.
- Ainda bem. Não gostaria de ir para o hospital sem o ver.


Bom agora já  toda a gente sabe o que separou o casal. E pelos vossos comentários, verifico que as opiniões se dividem. Uns acreditam na traição do doutor, outros julgam que foi um estratagema de Inês para os separar. Quem será que tem razão?
Entretanto ultrapassámos os 31000 comentários. Bem Hajam.

31.1.18

A VIDA É...UM COMBOIO - PARTE XXIII







- Deves estar a perguntar-te porque te estou a contar tudo isto. Mas já vais entender a razão. Esta manhã, enquanto percorria a herdade com Alfredo, comecei a pensar que a vida é muito injusta, Ele, que eu considero como um irmão de criação, tem levado toda a vida a trabalhar no duro, e nada tem. Eu que nada fiz por isso, acabo de herdar uma enorme fortuna. E pensei que deve haver uma maneira de corrigir um pouco essa injustiça, doando metade da herdade ao Alfredo, legalmente, mas com a condição de que ele continue a gerir a minha parte, já que eu não poderei fazê-lo e não conheço mais ninguém em quem confie. Como advogada, podes dizer-me se posso fazê-lo?
- Claro que  podes. Mas, cumpre-me alertar-te que te vais desfazer de uma parte considerável do teu património. És solteiro, mas um dia podes casar, ter filhos. O que vais doar, seria também deles.
- Não será o dinheiro, aquilo que os meus filhos, se os tiver, mais precisarão de mim. O que eles mais vão precisar, será do amor que lhes der, da companhia que lhes fizer nos momentos em que dela necessitem, dos exemplos e da preparação que lhes der para a vida. Falas com o teu colega, e marcam uma reunião para tratarmos do assunto? Gostava de tratar de todos os documentos, de modo a dar-lhe esse presente no dia dois de Maio, que é a data do seu quadragémimo aniversário.
- Na segunda-feira falo com o Carlos e digo-lhe da tua urgência. Estamos quase no final de Abril, essas coisas são demoradas, talvez não seja possível, para essa data. Depois telefonamos-te.
- Ok. Agora talvez seja horas de regressarmos. Não que a tua companhia não me seja muito agradável, mas há mais de dez minutos que o Martim se sentou naquele tronco, o que quer dizer que já deve estar cansado de brincar com o cão.
-Vamos, Martim? - Perguntou Amélia ao chegar junto do filho.
O garoto levantou-se mas em vez de se pôr ao lado da mãe como seria natural, colocou-se ao lado de Paulo, os olhos ansiosos, perscrutando-lhe o rosto, numa pergunta muda. O homem agarrou a pequena mão e apertou-a suavemente.
-Tudo bem campeão, prepara-te para marcar muitos golos na festa.
- Hurra! Obrigado, mãe.
- Agradece ao Paulo. Foi dele a ideia, não foi?
-Ok. Obrigado aos dois. Anda, Rex, vamos contar à avó - disse desatando a correr em direção a casa.
- É tão fácil fazer uma criança feliz. Vês, é o que te quis dizer há pouco? Estas são as pequenas coisas que os fazem felizes. Vamos, acompanho-te a casa.


4.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XVI







Bateu à porta e entrou de seguida
-Bom dia.
Cumprimentou-o com um gesto e continuou a ouvir o que lhe diziam pelo telefone.
Ele aproximou-se da janela e ficou contemplando a rua.
-Segunda-feira? Sim, está bem, mas por favor não esqueça. Preciso desse material com urgência. As condições são as habituais. Obrigado.
Ele voltou-se quando ela desligou o telefone.
- Tens o “stock” à beira da rotura?
- Não. Peço sempre atempadamente. Porém se lhes fizer crer que estou com urgência, não corro o risco de que me deixem para trás e surja algum problema.
Ela levantou-se
-Vou agora à fábrica ver como decorrem os trabalhos. Vens?
- Vou.
Caminharam lado a lado, verificando o andamento do trabalho. De súbito ele perguntou:
-Quem é ele?
-Quem? – Inquiriu ela julgando tratar-se de algum trabalhador.
- O tipo alto e louro que te falou no jantar de quarta-feira.
Ela parou. Espantada, primeiro. Irritada depois.
-Mandaste seguir-me?
- Jantava no restaurante quando o vosso grupo entrou. Vi que te perturbou. Quem é?
- O meu ex-marido.
Fizeram o resto do percurso em silêncio. Como se ambos estivessem ensimesmados nos mesmos pensamentos. De volta ao gabinete, Daniela, deu-lhe conta das novas encomendas que tinha recebido e dos prazos que programara para entrega.
- Foi há muito tempo? – Perguntou com voz rouca.
Ela pensou que não devia responder. Era a sua vida, não tinha que lhe dar satisfações. Mas em vez disso, ouviu-se a dizer:
-Há três anos.
- Bem me pareceu que o tipo é um cretino. Ainda o amas?
-Não. 
- Então porque te perturba?
Irritou-se.
-Nem sei porque te respondi. Não tens nada a ver com a minha vida. Porque não tomas atenção aos negócios, em vez de te estares a meter onde não és chamado?
- Se o fizer, jantas comigo esta noite? – Perguntou com um sorriso que a desarmou
- És mesmo doido! Vai-te embora e deixa-me trabalhar. Mas antes assina estes cheques, disse estendendo-lhe o livro, e três faturas.
Ele verificou as faturas, assinou os cheques e devolveu-lhos.
- Onde e a que horas te vou buscar? - Perguntou
- Não se pode negar que és persistente. O que queres? Adquirir as minhas ações, pela sedução?
- Não me dês ideias! – Respondeu com um sorriso. - Vá lá, é só um jantar de amigos.
-Está bem! – Escreveu a morada num papel, e estendeu-lho.- Às oito. E não faças com que me arrependa.
Sem deixar de olha-la, levou o papel ao peito num gesto simbólico, como se o fosse meter no coração, esboçou um sorriso travesso, e inclinando a cabeça, deu meia volta e saiu.


23.5.17

JOGO PERIGOSO - PARTE II

Uma hora mais tarde, Madalena tinha conseguido estabelecer ligação com a Missão, e passava-lhe a chamada.
-Boa tarde. É possível falar com o doutor Daniel Pinto?
-Quem deseja falar com ele?
-É a irmã.
- Vou ver se ele pode atender.
- Obrigada. Por favor, diga-lhe que tenho urgência em falar com ele.
Pouco depois o irmão atendeu.
- Olá. Está tudo bem?
- Como está tudo bem? Como pudeste fazer-me semelhante coisa! Vendeste a tua parte no negócio da família a um desconhecido.
- Que querias que fizesse? Propus-te a venda, Afinal eras a principal interessada. Sabes que nem tenho jeito para os negócios nem eles nunca me interessaram. Tu não quiseste comprar a minha parte. E eu precisava dinheiro para realizar o meu sonho.
- Pensei que era o desejo dos nossos pais que o negocio fosse dos dois. Mas se me tivesses dito que a ias vender a um desconhecido, é claro que compraria a tua parte.
- Primeiro, só é desconhecido para ti. Para mim, é um amigo, de muitos anos, que me possibilitou a realização do meu maior sonho. Segundo, conheço-te o suficiente para saber que envidarias todos os esforços para me dissuadires e me afastares do que eu desejava.
-És um egoísta. Só pensas em ti. Como vou tocar para a frente a empresa com uma pessoa que não conheço?
- Sempre foste hábil a resolver problemas. Desculpa, tenho que desligar. Tenho mais de vinte pessoas à espera de consulta. Ainda que não acredites, amo-te maninha.
Desligou sem esperar resposta. Daniela ficou por momentos absorta, a olhar o aparelho. Depois lentamente poisou-o no descanso.
A empresa fora fundada por seu pai, que sempre pensou que um dia o filho iria continuar a sua obra. Mas Daniel desde cedo deu a entender que o seu negócio era outro. Ele queria ser médico, ir para África exercer a profissão entre aqueles que nada tinham. Pelo contrário a ela o mundo dos negócios sempre a fascinara. Não brincava com bonecas. Brincava de montar lojas e de comprar e vender coisas.


12.4.16

MANEL DA LENHA -PARTE XLVIII


                                               foto do google


Em Agosto toma posse o novo governo de Salazar que haveria de ser o último do ditador, pois poucos dias depois cai de uma cadeira, no forte de Santo António da Barra no Estoril e isso é o início do fim de Salazar.
No princípio de Setembro, dá os primeiros sinais de que mentalmente não está bem, e dias depois é operado de urgência ao cérebro. As notícias dizem que tudo está bem mas a 16 desse mesmo mês, sofre uma trombose.
No dia seguinte há reunião de Conselho de Estado, onde se discute a nomeação imediata de um novo Presidente do Conselho, e Américo Thomaz inicia conversações que terminam com a nomeação de Marcelo Caetano para o lugar.
Enchem-se de esperanças os corações dos trabalhadores. Confiam em que vai haver mudanças e a vida vai melhorar para o povo. 
Toma posse no dia 27 desse mesmo mês de Setembro mas para quem esperava uma mudança de política, foi uma decepção. Marcelo opta pela continuidade e apenas muda dois ou três ministros.
E chegou Outubro, voltaram os barcos carregados de bacalhau, voltaram do norte os amigos do Manuel para a Safra.
Por essa altura, ele andava triste pois o seu irmão João estava cada vez pior da asma que o acompanhara toda a vida. Como já referi várias vezes, João fora sempre um apoio moral, e em alguns casos de maior aflição, também material, para o Manuel. A irmã Laurinda a viver no Fogueteiro, raramente vinha à Seca, ver os irmãos, e Manuel, talvez pela diferença de idades, ou por ser rapariga, nunca tivera uma grande ligação afectiva à irmã.
Dias depois, o ti Abel trouxe uma má notícia para o Manuel. Uma carta do cunhado, dizia-lhe que o filho, que tinha ido para a guerra em Angola, zona de Cabinda, sofrera uma emboscada, tinha uma bala na coluna, estava no hospital de Luanda à espera de ser evacuado para Lisboa, onde iria ser operado.