- Boa tarde Irene. Por favor liga à Margarida Souto, e pergunta-lhe se ela pode ir jantar comigo esta noite. Preciso da sua ajuda para a festa do António Ferreira, - disse Paula mal entrou na sua empresa.
Sem esperar resposta da secretária dirigiu-se ao seu
gabinete, ligou o computador e passou as fotos do jardim da casa em Sintra para
o mesmo.
Estudava as imagens quando Irene a interrompeu.
- Tenho a Margarida na linha. Ela quer falar contigo.
- Obrigada. Passa a chamada, - disse.
- Guida? Boa tarde.
-Boa tarde, Paula. A Irene diz que precisas de mim com
urgência. Onde é o incêndio?
- Em Sintra no fim do mês. Uma boda de estanho, que deve
ser de sonho, mas o tempo é muito curto. Só para teres uma ideia, só hoje
conheci o espaço e tenho que ter o plano pronto amanhã para que o cliente
aprove ou não, porque depois de amanhã ele vai viajar. Se puderes vir jantar
comigo esta noite, vemos as fotos, e trocamos ideias. Pode ser?
- O Gustavo está no Porto, pelo que não tenho nenhum
programa combinado. Conta comigo. Queres que vá agora já para aí, ou encontra-mo-nos
mais tarde em tua casa?
- Podes vir já? A sério? Isso seria o ideal.
-Ok. Dentro de meia hora o mais tardar estou aí.
- Obrigada. Fico à espera.
Desligou a chamada e voltou a estudar as fotos. Vinte e
cinco minutos mais tarde, a sua secretária introduzia no gabinete a decoradora.
Margarida era uma mulher de pouco mais de trinta anos.
Possuía um rosto agradável, era de baixa estatura, e um corpo mais roliço do
que os códigos da moda ditavam. O seu maior encanto era a simpatia que irradiava como uma auréola de toda a sua figura. Paula conhecera-a dez anos atrás, na Universidade,
quando Margarida começara a namorar Gustavo, seu amigo e vizinho. A empatia
entre as duas foi instantânea e em breve eram grandes amigas, apesar de não
frequentarem o mesmo curso. Mais tarde quando a jovem casara com Gustavo,
ela fora convidada para madrinha e desde aí os laços de amizade entre os três, estreitaram-se ainda mais.
Margarida fora sua confidente, quando se apaixonara por Adolfo com quem curiosamente a amiga nunca simpatizara. Costumava dizer que não
vislumbrava sinceridade nos seus olhos. Quatro anos mais tarde, Paula viria a
dar-lhe razão.
-Bom, aqui tens o bombeiro de serviço, - disse com um
rasgado sorriso, depois de beijar a amiga.
-Vem ver estas fotos. São de um local onde tenho que
realizar uma boda de estanho no final do mês.
- É uma bela casa. É de alguém que conheço?
- Talvez. Conheces o empresário António Ferreira?
- O “rei da Cozinha Portuguesa”?- perguntou a decoradora,
que lançou um assobio de admiração perante o sinal de assentimento da amiga. -
Mas o homem é casado? Nunca o vi acompanhado.
- A festa é para a irmã dele. Mas senta-te que conto-te
tudo. Além da tua ajuda, preciso desabafar.
Esta história volta Segunda-feira. Uma Santa e Feliz Páscoa para todos
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