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4.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XVI







Bateu à porta e entrou de seguida
-Bom dia.
Cumprimentou-o com um gesto e continuou a ouvir o que lhe diziam pelo telefone.
Ele aproximou-se da janela e ficou contemplando a rua.
-Segunda-feira? Sim, está bem, mas por favor não esqueça. Preciso desse material com urgência. As condições são as habituais. Obrigado.
Ele voltou-se quando ela desligou o telefone.
- Tens o “stock” à beira da rotura?
- Não. Peço sempre atempadamente. Porém se lhes fizer crer que estou com urgência, não corro o risco de que me deixem para trás e surja algum problema.
Ela levantou-se
-Vou agora à fábrica ver como decorrem os trabalhos. Vens?
- Vou.
Caminharam lado a lado, verificando o andamento do trabalho. De súbito ele perguntou:
-Quem é ele?
-Quem? – Inquiriu ela julgando tratar-se de algum trabalhador.
- O tipo alto e louro que te falou no jantar de quarta-feira.
Ela parou. Espantada, primeiro. Irritada depois.
-Mandaste seguir-me?
- Jantava no restaurante quando o vosso grupo entrou. Vi que te perturbou. Quem é?
- O meu ex-marido.
Fizeram o resto do percurso em silêncio. Como se ambos estivessem ensimesmados nos mesmos pensamentos. De volta ao gabinete, Daniela, deu-lhe conta das novas encomendas que tinha recebido e dos prazos que programara para entrega.
- Foi há muito tempo? – Perguntou com voz rouca.
Ela pensou que não devia responder. Era a sua vida, não tinha que lhe dar satisfações. Mas em vez disso, ouviu-se a dizer:
-Há três anos.
- Bem me pareceu que o tipo é um cretino. Ainda o amas?
-Não. 
- Então porque te perturba?
Irritou-se.
-Nem sei porque te respondi. Não tens nada a ver com a minha vida. Porque não tomas atenção aos negócios, em vez de te estares a meter onde não és chamado?
- Se o fizer, jantas comigo esta noite? – Perguntou com um sorriso que a desarmou
- És mesmo doido! Vai-te embora e deixa-me trabalhar. Mas antes assina estes cheques, disse estendendo-lhe o livro, e três faturas.
Ele verificou as faturas, assinou os cheques e devolveu-lhos.
- Onde e a que horas te vou buscar? - Perguntou
- Não se pode negar que és persistente. O que queres? Adquirir as minhas ações, pela sedução?
- Não me dês ideias! – Respondeu com um sorriso. - Vá lá, é só um jantar de amigos.
-Está bem! – Escreveu a morada num papel, e estendeu-lho.- Às oito. E não faças com que me arrependa.
Sem deixar de olha-la, levou o papel ao peito num gesto simbólico, como se o fosse meter no coração, esboçou um sorriso travesso, e inclinando a cabeça, deu meia volta e saiu.