Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta dormir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dormir. Mostrar todas as mensagens

22.1.20

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XXIX


- Estou…
- Menina Laura?
- Sim. Aconteceu alguma coisa, Celeste? – perguntou ao reconhecer a voz da governanta do seu irmão.
- Não sabemos, menina. O senhor telefonou ontem, pouco depois das dez da noite, a perguntar como estava a filha, disse que estava a caminho, mas até agora não apareceu, nem voltou a ligar. Estamos muito preocupadas, tanto mais que a menina Mariana se mostra muito nervosa esta manhã. Talvez estranhe a ausência do pai.
Laura olhou o relógio. Faltava um quarto para o meio dia. Ficou preocupada. O seu irmão não estaria tantas horas sem telefonar para casa.
- Obrigada por ter ligado, Celeste. Vou ver se entro em contacto com ele. Com esta tempestade, deve ter parado em algum hotel para dormir – disse sem grande convicção, tentando acalmar as empregadas.
 De seguida, marcou o número do telemóvel do irmão, que tocou durante muito tempo, sem que ninguém atendesse.
“Acalma-te, pode estar no banho, não ouvir o telemóvel” - murmurou para si mesma. Esperou cinco minutos e voltou a ligar com o mesmo resultado.  Cada vez mais nervosa, ligou para a loja do seu irmão Marco. Foi Isabel, a cunhada quem atendeu a chamada.
- Isabel, o Marco está aí? – perguntou. Preciso falar com ele.
- Está no armazém. Espera um momento que vou chamá-lo.
Pouco depois, Marco atendia a chamada.
- Estou…
-Marco sabes alguma coisa do Gil?
-Não porquê? Aconteceu alguma coisa? – perguntou em sobressalto.
-A verdade é que não sabemos. Sabias que ele ia estar ontem na Universidade do Minho, não é verdade?
- Sim, disse-me no domingo quando foi almoçar lá a casa.
- Recebi um telefonema da Celeste muito preocupada. Ele telefonou ontem à noite,depois das dez horas,  para saber como estava a Mariana e disse que estava a caminho. Não chegou, nem voltou a dar notícias, e não atende o telefone. Estou em pânico.
- Meu Deus, Estás em casa? Sim? Vou já para aí. Telefona ao Alcides, vê se ele pode ajudar-nos.
Laura, telefonou ao noivo, e contou-lhe o que se passava. Ele disse que estaria em sua casa dentro de dez minutos, e ela desligou o telemóvel e deixou-se cair no sofá em soluços. Tinha a certeza de que alguma coisa de muito grave tinha acontecido ao irmão. Gil era o homem mais responsável que ela conhecera em toda a vida, adorava a filha e mesmo quando viajava para o estrangeiro, estava sempre em contacto e fazia chamadas de vídeo para ver e falar com a filha.
Minutos depois a campainha tocava. Foi abrir. Era Marco. Abraçou-a carinhosamente e entrou. Ela ia fechar a porta quando Alcides saiu do elevador. Deu-lhe um beijo e entrou em casa. Cumprimentou o futuro cunhado e os três dirigiram-se à sala.
Laura, repetiu palavra por palavra, o que Celeste lhe dissera. Enquanto a ouvia, Marco marcava o número do irmão que chamou imenso tempo até ouvir a mensagem do gravador. Uns minutos depois voltava a ligar e ouviu de imediato a gravação de que o número não estava disponível. Repetiu a chamada e aconteceu o mesmo.


10.11.18

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XVI



O almoço estava delicioso, e foi servido com correcção e esmero pelos dois empregados que ficaram na sala a recolher as loiças quando todos se levantaram.
Francisca, desapertou o cinto da cadeirinha de Ana e pegando-lhe ao colo, disse:
- Agora, vamos todos lavar os dentinhos e dormir a sesta. Pegou na mão de Marta, hesitou um pouco e depois aproximou-se de Afonso, dizendo:- Damos um beijinho ao pai?
Ana esticou os bracinhos e inclinou o corpo para o pai, que a beijou. Em seguida inclinou-se para Marta que se agarrava à sua perna para a beijar.
 Sem que ninguém pudesse prever, João avançou e agarrou-se-lhe à outra perna.
Emocionado, Afonso beijou os dois, mas os seus olhos estavam fixos em Simão que se mantinha um pouco afastado.
O garoto porém virou-lhe as costas e encaminhou-se para o corredor.
- Ajudo-te a deitá-los – disse Graça
- Não. Quero fazê-lo sozinha.
E Francisca seguiu rumo à casa de banho, com as crianças.
Os quartos dos meninos eram iguais e contíguos. Ambos eram espaçosos, tinham uma grande janela que dava para o jardim, duas camas e um grande armário.  E uma pequena zona cheia de brinquedos que naturalmente eram diferente de um para o outro quarto. 
Depois que saíram da casa de banho, abrindo a porta do
  quarto para os filhos, Francisca disse a Simão.
-Cuida do teu irmão. Vou deitar as meninas e já venho.
O garoto assentiu com um sorriso.
Ela sabia que o filho ficava feliz com aquela incumbência. Sempre fora uma criança, com grande sentido de responsabilidade. No outro quarto Francisca abriu um armário, retirou uma fralda e colocou-a em Ana. A criança com quinze meses, já tinha controlo das necessidades acordada, mas a dormir ainda precisava de fralda.
Deitou-a, deu-lhe um beijo, aconchegou a roupa a Marta, beijou-a,  correu a persiana e saiu fechando a porta. Encontrou os filhos já deitados. Aconchegou-lhes a roupa, beijou-os e saiu, não sem antes correr a persiana
Dirigiu-se à sala. Graça lia um livro. Olhou-a e disse:
- Afonso quer falar-te. Disse para ires ter com ele ao escritório.

reedição



9.8.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XI



Depois que Miguel saiu, a jovem apertou a cabeça entre as mãos, como se quisesse alcançar a memória perdida.
Quando ele mencionara o facto de poder ser seu pai, ela sentira como se uma corrente eléctrica, lhe percorresse o corpo. Era uma sensação estranha e dolorosa que ela desconhecia. Que se passava com ela? A ser verdade que tentara matar-se, como Miguel dissera, ( e não tinha razão para duvidar da palavra de um homem, que até ali se portara como um cavalheiro) que fizera ela de tão grave para desejar a morte? Ou quem lhe tinha feito tanto mal, ao ponto de a levar àquele desespero? Porque não conseguia lembrar-se  de nada? A sua cabeça era como uma folha em branco, que ela não conseguia preencher. Soltou um gemido e de novo deu livre curso às lágrimas. Mais tarde, preparou-se para dormir.
Antes de se deitar, hesitou. Fechava ou não a porta à chave? Miguel tinha mostrado ser um homem íntegro. Não podia imaginar que se aproveitasse da sua fragilidade. Não fechá-la era a prova de que confiava nele. Por outro lado ele mesmo lhe dissera para o fazer. Então decidida, deu a volta à chave e deitou-se.
Levou horas para adormecer. Por fim, cansada, entregou-se nos braços de Morfeu.
Acordou sobressaltada a meio da madrugada. Sentiu passos na sala ao lado. Depois os passos no corredor, uma porta que se abria.
Minutos depois, a porta fechava-se, os passos firmes voltaram a ouvir-se pelo corredor até à sala. Logo em seguida, apagou-se a luz e o silêncio reinou na casa. E ela voltou a adormecer
Acordou cedo. Saltou da cama e num movimento mecânico, certamente efectuado ao longo de anos, fez dançar o pé direito debaixo da cama em busca de algo. De repente lembrou que não tinha visto nas coisas que Miguel lhe comprara, uns chinelos. Ia retirar o pé, quando encalhou em qualquer coisa. Eram os chinelos do dono da casa. Enfiou-os. Eram enormes, mas à falta de melhor serviam. Vestiu o robe, rodou a chave lentamente, e saiu procurando não acordar o homem que dormia vestido no sofá.
Coitado! Esquecera-se de retirar do quarto a roupa para dormir, e ela, presa à sua dor, nem pensara nisso.



10.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XI






Odete entrou em casa e foi ao quarto da mãe ver como ela se encontrava. Pareceu-lhe que já dormia e retirava-se quando a mãe abriu os olhos e perguntou:
- Falaste com ele?
- Sim, mãe. Ele vai tratar de tudo para que sejas rapidamente tratada. Mas quer que eu volte para casa.
- Nunca me contaste porque o abandonaste. Suponho que algo de muito grave se passou. Gostavas tanto dele. Mas se te quer de volta, é porque também te ama. Se assim não fosse há muito tempo  tinha pedido o divórcio. Porque não lhe dás uma segunda oportunidade?
- Não te preocupes mãe. Esclarecemos tudo e fizemos as pazes. Amanhã mudo-me para lá, mas estarei contigo sempre que puder. O João disse que amanhã chega uma enfermeira para cuidar de ti até seres internada.
- Mas isso é muito caro.
- Não te preocupes com isso. Ele faz questão de pagar tudo. Só tens de pensar em que tudo vai correr bem e que daqui a uns meses, nem te vais lembrar disto. Agora descansa. Eu vou telefonar ao pai e depois também me vou deitar.
- Não lhe fales da gravidade da minha doença. Tem tempo de saber quando voltar.
- Fica descansada. Agora procura dormir. Até amanhã.
- Até amanhã, filha. Deus te abençoe.
Odete telefonou ao pai, que atravessava Espanha, rumo a Portugal, verificou que estava bem, informou-se de quando chegava e despediu-se com um beijo.
Foi à cozinha, aqueceu uma caneca de leite, que bebeu, verificou se as janelas da casa estavam todas fechadas, e foi para o quarto que fora seu e da sua irmã, até que casaram e saíram para as suas casas.
Procurou um pijama e foi à casa de banho escovar os dentes e preparar-se para dormir. Fazia tudo com uma lentidão propositada, tentando não pensar no caos em que se transformara a sua vida, pelo menos até ao momento em que se deitasse. Porque ela sabia que assim que pousasse a cabeça na almofada, as memórias viriam em catadupa, tal como tinha acontecido durante todo o tempo que vivera na casa da sua irmã Laura em Leeds onde se refugiara tentando esquecer o fracasso do seu casamento.
Inicialmente pensara que seria só até ao divórcio, mas como João nunca o pedira, ela foi ficando e acabara empregando-se numa creche do irmão do cunhado.
Regressara há menos de quinze dias a pedido do pai, para cuidar da mãe.




6.6.17

JOGO PERIGOSO -- PARTE XX








Deu meia volta na cama, e encontrou-se com o olhar profundo de David. Sentiu que corava como uma adolescente. Ele sorriu-lhe.
Estendeu a mão, afastou-lhe uma madeixa de cabelo da cara e puxou-a para si.
- Dormiste bem?
-Sim. 
- Estava a observar-te. Dormias serenamente e estavas tão bonita. És uma mulher fantástica, inteligente e muito apaixonada. Foi a noite mais feliz da minha vida. Quero dormir e acordar contigo o resto da minha vida.
Afastou-se tensa. Saltou da cama e envergonhada reparou que estava nua. Puxou o lençol e enrolou-se nele. A sua voz soou fria ao perguntar:
-Que queres dizer com isso?
David ficou atônito com a reação dela. Sentou-se na cama, sem se preocupar com a sua nudez.
- Que quero dizer? Que havia de querer dizer senão que te amo, que desejo casar contigo, e partilhar contigo o resto dos meus dias? Pensei que isso tinha ficado mais que evidente ontem à noite.
Arrancando forças ao desespero que a invadia, respondeu com  desfaçatez:
-O que aconteceu ontem, não tem nada a ver com amor. Foi o aplacar de um intenso desejo sexual irreprimível.
Sentia as palavras como facas retalhando-a, mas não podia fraquejar, mesmo que se sentisse a morrer por dentro.
Viu como os olhos masculinos escureciam, e o rosto empalidecia.
- Queres dizer que para ti, foi só o aplacar do desejo sexual? Que aquilo que vivemos não teve nada a ver com sentimentos? Que podia ter acontecido com outro qualquer? Usaste-me, porque estava à mão?
Começou a vestir-se furioso. Daniela sentia-se destroçada. Não conseguia vê-lo assim. Não depois de o ter conhecido como o conhecera nessa noite. Não depois de descobrir que estava apaixonada por ele. Mas não podia recuar. Não queria iludir-se para ser abandonada mais tarde, quando ele descobrisse a sua esterilidade.
- Desculpa, não sabia que te ias sentir ferido. No fim de contas, sempre viveste rodeado de belas mulheres, deves estar habituado a esquecê-las na manhã seguinte.
- Enganas-te. Nunca pedi a uma mulher que casasse comigo. Nem nunca dormi na cama de nenhuma mulher, apesar de ter tido muitas. Com quem passava algumas horas agradáveis, do dia ou da noite, desfrutando do que me ofereciam, mas sempre voltava à minha cama, onde dormia sozinho. Mas isso agora não interessa. Aconselho-te a comprares um vibrador. Há modelos muito interessantes. Para não correres o risco de meteres na tua cama algum psicopata, quando voltares a ter desejos irreprimíveis,  – disse com raiva, e saiu atirando com a porta.
Ela atirou-se para cima da cama e chorou como nunca o tinha feito na sua vida.






Pronto! Eu não disse que isto estava a ir depressa demais?  E agora? Como é que vamos resolver isto? Alguém tem uma ideia?


30.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XII




Três meses depois, Beatriz saiu do centro de emprego com uma carta para apresentação num escritório de uma agência de publicidade.
O escritório ficava num segundo piso de um arranha-céus. Apresentou a carta a uma das empregadas e ela conduziu-a a um gabinete, onde foi recebida por um homem ainda jovem.
O homem que lhe fez a entrevista, insistiu no facto de precisarem de alguém com experiência, coisa que ela não tinha, de modo que a jovem sentiu que não ia ficar, e o seu bonito semblante entristeceu-se.
O homem, moreno, olhava-a com os seus penetrantes olhos cinzentos, tão fixamente que a jovem se sentiu incomodada e se levantou.
- Por favor sente-se. Ainda não acabei. Para este escritório, preciso de alguém com muita prática, é um facto, mas tenho uma proposta para lhe fazer.
Que proposta, poderia ele fazer-lhe, depois de levar todo o tempo desde que ela entrara a mirá-la, daquele jeito estranho,  e praticamente lhe dizer que no escritório não tinha lugar para ela? Corou até à raiz do cabelo, e ia protestar, mas ele não lhe deu tempo.
- Diz o seu currículo que é educadora de infância. É verdade?
- Sim, -respondeu sem entender a pergunta
- E porque quer trabalhar num escritório, e não numa escola ou creche?
- Porque até agora nunca trabalhei, e não é fácil conseguir uma vaga para esses sítios a meio do ano e sem experiência. E preciso trabalhar, - respondeu sem saber bem onde o homem queria chegar, ou que espécie de proposta lhe iria fazer.
- Tenho uma filha de três anos. A minha mulher morreu há pouco tempo. A menina está em casa entregue aos cuidados da avó. Porém a minha irmã, vai ser mãe, e quer a nossa mãe junto dela. Fico sem ninguém para cuidar da minha filha, e não quero nem posso nesta fase, pô-la numa creche. Preciso de alguém que cuide dela, e lhe dê a atenção que ela precisa, ao mesmo tempo que a vá educando e motivando para que tenha um crescimento físico e mental, saudável. E ninguém melhor para isso que uma educadora de infância. Interessa-lhe?
- Claro que sim. Adoro crianças.
- E tem disponibilidade para começar amanhã?
- Sim.
- Muito bem. Antes de passarmos a falar do contrato preciso saber mais uma coisa.
- Por vezes chego tarde a casa. Por isso o seu horário não poderá ser um horário fixo. Por outro lado, quando saio em viagem, se a minha mãe, não puder na altura ficar com a Matilde, teria disponibilidade para dormir lá em casa?
- Toda a disponibilidade do mundo.
Ele olhou-a com curiosidade. Era muito jovem. E gente jovem, gosta de sair divertir-se, namorar. Seria um risco confiar-lhe a sua filha?
Avançou com as condições do contrato que ela aceitou.
- Muito bem. Vou mandar redigir o contrato. Se puder passar por cá um pouco antes da uma, assina o contrato e levo-a a minha casa para que conheça a minha mãe e a Matilde. Creio que não lhe disse o meu nome. César Ferreira, - disse levantando-se e entendendo-lhe a mão.
Apesar de saber que ele tinha o nome dela no currículo,  retribuiu o cumprimento, repetindo o nome, antes de se retirar.