Levantou o rosto e mergulhou o olhar naqueles olhos cinzentos que tanto a impressionaram desde o primeiro dia. E durante uns momentos permaneceu assim, lendo nos seus olhos a sinceridade do que lhe tinha contado. Por fim, aninhou-se nos braços dele.
Segurando-lhe o rosto ele disse:
-Tenho uma proposta para te fazer.
- Para passar as férias convosco?
- Não. A proposta é, aceitas casar comigo, sabendo que te ofereço de prenda de noivado, uma filha?
-Preciso tempo para pensar, - disse brincando, para esconder a intensa emoção que se apoderou dela.
- Dez segundos chegam? – perguntou ele, entrando no jogo.
Não esperou por resposta. Apertando-a contra si, disse, desta vez muito sério.
- Quero que fiques comigo e com a Matilde, o resto da minha vida, mas não como ama. Quero que sejas parte das nossas vidas, que sejas minha mulher, minha amante, minha companheira. Amo-te Beatriz, e vou amar-te todos os dias da minha vida. Prometo-te.
Ela não conseguia falar. Estava afogada pela emoção. Apoiou a cabeça no seu peito e chorou
-Não chores, querida. Não há razão para isso. – murmurou-lhe ao ouvido
-Eu sei. Mas é que me sinto tão feliz!
-E choras sempre que estás feliz? -perguntou soltando-lhe o cabelo.
- Não sei. Já não me lembro desde quando não me sentia tão feliz, -declarou com seriedade
César pensou que ela não devia ter sido feliz no anterior casamento. Mas não fez perguntas. Limitou-se a abraçá-la e a beijá-la com paixão.
Beatriz não se retraiu. Retribuiu o beijo de igual para igual, com toda a sua energia e necessidade, apertando o seu corpo contra o dele, de tal modo, que se o desejo fosse pássaro, sairia voando pela sala, tal como voaram as suas roupas, na ânsia de apagar o fogo que os devorava, ali mesmo no sofá da sala.
Mais tarde, apaziguado o corpo, aquietado o coração, Beatriz pensava que César tinha chegado até ao mais íntimo do seu ser. Com a sua ternura, com o seu ardor, a sua vontade de lhe dar prazer. Cada carícia, cada toque dos seus lábios, ficara gravada a fogo no seu corpo e na sua alma. Ela tinha sido casada durante quase três anos, e só agora sabia verdadeiramente o que era fazer amor. Pensou que se Jorge fizesse amor com ela, daquela maneira, ter-se-ia sentido destroçada com a sua morte.
- Em que pensas? - perguntou ele, acariciando-lhe o rosto
- No que aconteceu. César, não pensas que sou uma mulher fácil, pois não?
- Porque havia de pensar isso, Beatriz? És uma mulher jovem, saudável, é natural que tenhas desejos como eu, ou qualquer outra pessoa. Se te julgasse uma mulher fácil, não me teria apaixonado nem iria casar contigo.
Fez uma breve pausa, durante a qual não deixou de olhá-la nem por um segundo. Depois continuou:
Quero que saibas, que ficaria aqui contigo o resto do dia, mas minha querida, antes de vir, contei à minha família, que te amava, e vinha tentar convencer-te a casares comigo. E prometi-lhes que te ia levar para jantar.
Fez uma breve pausa, durante a qual não deixou de olhá-la nem por um segundo. Depois continuou:
Quero que saibas, que ficaria aqui contigo o resto do dia, mas minha querida, antes de vir, contei à minha família, que te amava, e vinha tentar convencer-te a casares comigo. E prometi-lhes que te ia levar para jantar.
Epílogo
Casaram no final do ano, na presença de todos os familiares.
Meses antes, César tinha conhecido Clara e Nuno. E não pôde deixar de sorrir, quando a jovem lhe disse, que sempre acreditou, que só se ele fosse cego, não se apaixonaria por Beatriz. E logo ali combinaram que ela e o marido seriam os padrinhos da noiva na cerimonia. Depois, durante as férias, estiveram em Lagos, onde César conheceu os futuros sogros. Ele gostou da afabilidade, com que os receberam, e eles ficaram encantados com a pequena Matilde, e trataram-na como se fossem seus verdadeiros avós. E agora ali estavam, ele no altar, e a jovem caminhando para ele, pelo braço do pai. E era evidente a felicidade dos noivos, bem como da pequena Matilde, radiante no longo vestido rosa, muito compenetrada no seu papel de menina das alianças.
Fim
Elvira Carvalho















