Tinha aceitado o convite para
jantar que Salvador lhe fizera no dia anterior. Ele dissera que era um jantar
informal, em casa do irmão.
Anete, tinha ficado feliz por
conhecer a sua família. Salvador agradava-lhe. Nunca se tinha sentido assim
entusiasmada por outro homem. Mas não podia iludir-se. Ele decerto contara à
família que tinha encontrado alguém muito parecido com a cunhada, e e eles sentiram a mesma curiosidade que ela sentia. Tinha que ser isso. Se ele tivesse
interesse em levá-la a jantar, o faria para qualquer outro lado onde estivessem
sós. Depois no dia em que saíram juntos, e ele a acompanhou a casa, nem sequer
tentou beijá-la.
Acabou de escovar o cabelo, e olhou-se
de novo ao espelho. Não decididamente não ia levar os cabelos soltos. Com mãos
experientes, puxou-os para o seu lado direito e começou a entrança-los.
Com a trança pronta repousando
sobre o ombro direito, mirou-se de novo no espelho. Gostou do resultado. Olhou
o relógio. Sete horas. Salvador dissera que vinha buscá-la às sete e meia. Em
cima da cama repousava a roupa que escolhera para aquele jantar.
Passou uma sombra nos olhos para
lhes dar mais profundidade, um ligeiro toque de cor nas maçãs do rosto, e um
pouco de brilho nos lábios. Nunca gostara de grandes maquilhagens, e nem aquele
jantar se prestava a isso.
Terminada a maquilhagem envergou
o fato que escolhera. Era composto por umas calças, e um casaco de seda, azul
celeste, cujo decote em bico pouco pronunciado realçava o colo sem se tornar indiscreto.
Optou por uns sapatos pretos, de
salto em cunha e não muito altos.
O Outono ia adiantado, dentro em
pouco chegaria o Inverno, as noites estavam frias, pelo que retirou do armário
um casaco comprido castanho-mel.
A campainha tocou nesse momento.
A jovem enfiou o casaco, pegou na mala, e saiu abotoando o agasalho enquanto
descia as escadas.
Sentiu-se reconfortada com o
olhar de admiração masculino, e sorriu enquanto ele pousava ao de leve os lábios
na sua face, numa saudação social.
-Boa-noite. Estás muito bonita.
- Obrigado. Tu também estás muito
bem.
E estava. Com as calças
antracite, a camisola de gola alta branca que ressaltava o rosto moreno, e o
casaco desportivo de cor de camelo, cujo tom se confundia com a cor dos seus olhos.
A curta viagem até à casa dos seus anfitriões decorreu em silêncio, cada um entregue aos seus próprios pensamentos. Só quando estacionou o carro, Salvador falou:
-Antes de entrar, gostaria de te pedir que não lhes contasses como nos conhecemos. Isto é, não gostaria que eles soubessem das minhas suspeitas sobre a fidelidade da minha cunhada.
- Por quem me tomas? -Perguntou zangada. - Nunca iria falar sobre uma coisa dessas.









