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2.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XI




Já em casa, depois de lhe terem trazido e instalado, as duas máquinas de lavar roupa e loiça, Anete preparou-se para almoçar. Preocupada com o que lhe tinha acontecido nessa manhã, e sem muita fome, retirou do frigorífico uma sopa de legumes que aqueceu no micro-ondas. Enquanto a saboreava,  não deixou de pensar em Salvador e em tudo o que ele lhe disse. A princípio, não acreditou naquela confusão. Pensou que se trataria de um velho truque para meter conversa. Mas depois, a raiva que viu nos olhos dele, toda aquela conversa de traição, era uma história demasiado maluca para ser inventada. E depois a data do suposto encontro, coincidia com a data da visita do seu irmão. Suspirou.
Salvador era um homem muito atraente, e o seu toque mexeu com ela. Que faria ele na vida? Pelas suas roupas, devia viver bem. E como seria a sua vida pessoal? Não usava aliança, ela reparara, mas na atualidade, isso não queria dizer nada. Podia perfeitamente ser casado, ou estar numa qualquer relação.  
Acabou de arrumar a cozinha. Foi buscar a roupa suja para colocar na máquina. Não era muita, na semana anterior tinha-a mandado à lavandaria. Sabia que deveria pôr a carga máxima, para evitar desperdícios de água e energia, mas aquele modelo, tinha programa para meia carga e ela estava desejando experimentá-la.
"Toma juízo, Anete. Estás tão nervosa, como uma adolescente antes do primeiro encontro. Tens vinte e oito anos, e um casamento falhado. Não tens razão para esse nervosismo todo," - recriminou-se enquanto punha o detergente na máquina e a ligava.  
Não adiantava. Pensou sair, mas desistiu. E se ligasse à mãe e lhe contasse o que se passava? Aquela hora, a mãe costumava estar na saleta com o seu croché. O pai estava no trabalho. Conversar com a mãe, era a melhor maneira, de passar um bom pedaço de tempo. Impulsiva, pegou no telemóvel e discou o número.
- Olá mãe.- Saudou.
- Filha, que alegria. Não estava à espera de que ligasses a esta hora. Ligas sempre à noite. Aconteceu alguma coisa?- Perguntou inquieta.
- Não te preocupes. Queria só contar-te algo muito estranho que me aconteceu hoje. Acreditas que exista em Lisboa, uma mulher igualzinha a mim?
A mãe não respondeu. Será que a ligação caíra?
- Está? Mãe?
- Sim filha, estou aqui. O vizinho anda em obras, está a partir a cozinha, está um barulho infernal, porque não ligas logo à noite? Tenho dificuldade em te ouvir.  Dizias…
-Que existe na cidade uma mulher tão parecida comigo que as pessoas nos confundem. Ia contar-te uma coisa, que me aconteceu esta manhã, mas esquece, fica para outro dia. Beijos mãe