16.5.18

RENASCER - XL




Depois do jantar, Carlos saiu para o arraial, disposto a procurar, Emília. As ruas encontravam-se apinhadas de gente, talvez porque no dia seguinte era feriado nacional, ninguém precisava levantar cedo, a não ser claro os donos das quintas, que os animais também comem nos feriados. A noite apresentava-se muito quente, não só pelo calor que estivera todo o dia, e ainda estava, como pelas inúmeras luzes acesas, do arraial, carrossel e quejandos, e ainda pelos fogareiros que aqui e além, assavam tentáculos de polvo, petisco muito apreciado pelos adultos, já que as crianças preferiam os carrinhos com gelados, algodão doce ou pipocas. Sem falar claro do carrossel, e pistas de carros, que lhes punham os olhos a brilhar, e o coração a pulsar de ansiedade.
A fachada da Igreja estava toda iluminada, e a porta aberta, para os crentes fazerem as suas orações, ou simplesmente para admirarem os andores que no dia seguinte desfilariam pela vila, em procissão.
Carlos prometera antes da cirurgia, que se tudo corresse bem, levaria a Nossa Senhora do Socorro um coração de cera, pelo que resolveu entrar na igreja, para saber onde poderia comprá-lo, mas ao chegar à porta, verificou que estava a decorrer a reza do Terço, e resolveu dar mais uma volta, pelo arraial antes de voltar à igreja. Numa banca de brinquedos, viu vários peluches, e  comprou um ursinho para levar à afilhada.
Num palco, levantado no amplo adro da Igreja, exibia-se o rancho folclórico de Santa Marta de Portuzelo, grupo muito apreciado na terra e quase todos os anos contratado para abrilhantar as festas. No dia seguinte, a música seria outra, pois se apresentava Tony de Matos, o cantor mais romântico de Portugal. Até à data pelo menos.
Viu várias pessoas saírem da igreja e calculou que a reza do Terço teria acabado pelo que se dirigiu para lá.
Viu-as logo que entrou. Dona Ana acendia uma vela, junto ao andor de Nossa Senhora, Emília estava ainda ajoelhada, num banco perto do andor de S. Pedro. Persignou-se e ajoelhou ao seu lado, murmurando como quem ora:
- Precisamos falar. É urgente e muito importante.
Ela limitou-se a acenar com a cabeça e continuou orando, enquanto a mãe franzia o sobrolho preocupada.





17 comentários:

noname disse...

O que tem de ser tem muita força.
O que tiver de ser nosso, às nossas mãos virá parar.
E estes dois, estavam destinados, creio eu que, com as histórias da Elvira, a coisa chia mais fino eheheheh

Boa noite


Pedro Coimbra disse...

O previsto encontro de duas almas e dois corações aproxima-se.
Abraço

Roaquim Rosa disse...

bom dia
Vamos ver o que Nossa Senhora do Socorro nos vai comtemplar !!
JAFR

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Gaja Maria disse...

Vamos lá ver se é desta que eles se acertam. Bom dia

Larissa Santos disse...

Bom dia pode ser que seja desta vez que se entendam :))

Hoje:- Não sofras por não me teres, não é verdade.

Bjos
Votos de uma óptima Quinta - Feira

✿ chica disse...

Bah! Vamos ver! Acho que ela vai acabar logo a reza, isso se conseguir terminar,rs...

Gostando sempre! beijos, chica

Tintinaine disse...

É desta que a coisa vai!
Ou será que a autora nos vai levar a dar uma volta no carrocel e adia o arrulhar dos pombinhos?

Edumanes disse...

Estou aqui a pensar, porque é que a mãe de Emília teria franzido o sobrolho. Seria um sinal de aprovação ou de desaprovação? Nos próximos capítulos se saberá o motivo porque o fez!

Tenha um bom dia quentinho de Quinta-feira amiga Elvira.
Um abraço.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar.
Um abraço e continuação de boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

António Querido disse...

Se já há encontros na igreja, vai acontecer o milagre!

O meu abraço.

Cidália Ferreira disse...

Uma boa altura para se unirem :)!!


Beijo e um dia feliz!

Roselia Bezerra disse...

Boa Tardinha, querida amiga Elvira!
Muito bom o andamento da carruagem!
Vamos aguardar e imagem da procissão é linda!
Seja muito feliz e abençoada junto aos seus amados!
Bjm fraterno de paz e bem

A Nossa Travessa disse...

Minha querida Elvirinhamiga

Tá-se mêmo a ver não tá-se? :-) Pelo andar da carruagem e pelo teu dedo de escritora com sobrolho franzido ou sem é tiro e queda e o resto é treta. É ou não é?...

Muitos qjs deste teu amigo e admirador
Henrique, o Leãozão

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Uma excelente descrição de como eram as festas em Portugal e o ambiente que então se vivia.
Quanto ao "futuro" romance vou esperar para ver:))!
Beijinhos e bom fim de semana.
Ailime

Lucia Silva disse...

Vislumbro um futuro de felicidade para esse casal, tomara que esteja certa!!
Abraços!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Será que vem um não da Emília, por estar em outra? Aguardemos.

Abraços,

Furtado.

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