Igreja de Santa Maria Foto minha
Depois de umas breves orações, mais pensadas que murmuradas, saiu e atravessando o largo, do Infante, passou para o outro lado da Avenida dos Descobrimentos, que os locais chamavam simplesmente de "a marginal," como ela descobrira quando chegara. Pensou que talvez o pequeno barco, que costumava atravessar o canal que separava a marginal, da Meia-Praia, poderia não estar lá com aquele dia, que parecia tão pouco propício a uma ida à praia. Mas logo o avistou mais à frente, junto às escadinhas que lhe davam acesso. Apressou o passo e dirigiu-se para lá. A maré estava vazia, notava-se pelas pedras à mostra junto à muralha, ou paredão como lhe chamavam na cidade.
No barco, apenas se encontravam os dois tripulantes.
- Bom dia! Fazem a travessia com uma só pessoa? - perguntou.
- Claro. Um bom freguês vale por muitos, - respondeu com um sotaque brasileiro, o jovem que cobrava a passagem.
Isabel desceu as escadas, e entrou para o barco recusando com um sorriso, a mão do jovem, estendida para a ajudar.
Sentou-se e logo o outro jovem pôs o motor a trabalhar e o barco começou a afastar-se rumo à outra margem.
-"Com este tempo, devem pensar que sou maluca", pensou olhando a ondulação formada pelo movimento do barco. Poucos minutos depois, o barco encostava às escadas no lado contrário.
-Vão cá estar mais logo quando quiser regressar? - perguntou
-Até às sete da tarde - responderam em uníssono. depois o mais velho acrescentou:
-Não pense que o tempo se vai manter assim. Dentro de duas, três horas no máximo, o sol estará a brilhar sobre as águas e a queimar os corpos no areal.
Pouco convencida, Isabel despediu-se com um sorridente até logo, subiu as escadas e entrou pelo carreiro entre as dunas em direção à praia.
Quando chegou ao areal a tal chuvinha tinha desaparecido. A avó chamava-lhe “morrinha” o avô “molha-parvos” lembrou com um sorriso. Quando sorria, surgiam-lhe duas pequenas covas no rosto, que a tornavam ainda mais atraente. Mas apesar disso, o sorriso não conseguia apagar a tristeza que lhe habitava no olhar.
-Vão cá estar mais logo quando quiser regressar? - perguntou
-Até às sete da tarde - responderam em uníssono. depois o mais velho acrescentou:
-Não pense que o tempo se vai manter assim. Dentro de duas, três horas no máximo, o sol estará a brilhar sobre as águas e a queimar os corpos no areal.
Pouco convencida, Isabel despediu-se com um sorridente até logo, subiu as escadas e entrou pelo carreiro entre as dunas em direção à praia.
Quando chegou ao areal a tal chuvinha tinha desaparecido. A avó chamava-lhe “morrinha” o avô “molha-parvos” lembrou com um sorriso. Quando sorria, surgiam-lhe duas pequenas covas no rosto, que a tornavam ainda mais atraente. Mas apesar disso, o sorriso não conseguia apagar a tristeza que lhe habitava no olhar.
A cidade estava quase totalmente rodeada de praias, e quando chegou percorreu-as todas. A maioria, praias pequenas, entre as falésias, muito bonitas para olhar, mas demasiado concorridas para o seu gosto. Das duas que mais gostou, escolheu a Meia-Praia, por lhe permitir o passeio a pé até ao barco, e, não precisar conduzir numa cidade em que a maioria das ruas, se encontram vedadas ao trânsito automóvel.
Mas não deixou de se surpreender, com o nome de Meia-Praia, quando se trata de uma praia de alguns quilómetros de comprimento, dividida em várias zonas de banho, com salva-vidas, toldos e restaurantes.
Até onde a vista alcançava a praia estava quase deserta, já que em algumas zonas se via uma ou outra pessoa. Mais à frente, da parte de cima, um pouco depois das dunas, um bairro de pequenas casas brancas. “Os índios da Meia-Praia”, que Zeca Afonso, o poeta cantor imortalizou, - pensou Isabel. Na água, mesmo à babujem, algumas pessoas numa espécie de dança, logo seguida de agachamento. A maré-vazia propiciava a apanha de conquilhas. Condelipas, murmurou ao lembrar-se que em Lagos era assim que as conquilhas se chamavam. Isabel, era curiosa, gostava de saber o porquê das coisas, e por isso, dias depois de ter chegado, ao ver as conquilhas no mercado rebatizadas, procurara saber o porquê daquele nome que lhe pareceu um tanto estranho. Disseram-lhe, que no século XVIII, estivera em Lagos, um certo Conde de Lippe, que viera reorganizar a defesa da cidade e se instalara na fortaleza, Pau da Bandeira, que ainda hoje se encontra junto à entrada da praia da Batata. Grande apreciador de conquilhas, o conde mandou vir sacos delas e ordenou que os soldados as espalhassem na praia.O povo que até aí nunca vira aqueles bivalves, e sabendo que fora o tal conde de Lippe quem as mandara espalhar pela praia, achou que Condelipas, era o nome mais adequado, e ainda hoje são assim chamadas.
Mas não deixou de se surpreender, com o nome de Meia-Praia, quando se trata de uma praia de alguns quilómetros de comprimento, dividida em várias zonas de banho, com salva-vidas, toldos e restaurantes.
Até onde a vista alcançava a praia estava quase deserta, já que em algumas zonas se via uma ou outra pessoa. Mais à frente, da parte de cima, um pouco depois das dunas, um bairro de pequenas casas brancas. “Os índios da Meia-Praia”, que Zeca Afonso, o poeta cantor imortalizou, - pensou Isabel. Na água, mesmo à babujem, algumas pessoas numa espécie de dança, logo seguida de agachamento. A maré-vazia propiciava a apanha de conquilhas. Condelipas, murmurou ao lembrar-se que em Lagos era assim que as conquilhas se chamavam. Isabel, era curiosa, gostava de saber o porquê das coisas, e por isso, dias depois de ter chegado, ao ver as conquilhas no mercado rebatizadas, procurara saber o porquê daquele nome que lhe pareceu um tanto estranho. Disseram-lhe, que no século XVIII, estivera em Lagos, um certo Conde de Lippe, que viera reorganizar a defesa da cidade e se instalara na fortaleza, Pau da Bandeira, que ainda hoje se encontra junto à entrada da praia da Batata. Grande apreciador de conquilhas, o conde mandou vir sacos delas e ordenou que os soldados as espalhassem na praia.O povo que até aí nunca vira aqueles bivalves, e sabendo que fora o tal conde de Lippe quem as mandara espalhar pela praia, achou que Condelipas, era o nome mais adequado, e ainda hoje são assim chamadas.

