-Pelo amor de Deus. Não posso acreditar nisso.
- Acredita no que quiseres. – Disse com aspereza,
voltando-lhe as costas.
Ela franziu o sobrolho. Que se passava com ele? Parecia
zangado. Mas porquê?
- Ouve,- agarrou-lhe a manga do casaco mas ele não se
voltou. - Que raio se passa contigo. O que foi que eu disse para ficares assim?
- Desculpa, - era evidente que estava a fazer um enorme
esforço para parecer natural. Não foi nada contigo. Sou eu que não ando bem.
Recomeçou a andar pelo jardim. Ela pendurou-se no se
braço como quando ele ia busca-la à escola.
-Sabes o que é isso? É solidão. Precisas arranjar alguém.
Nunca pensaste em casar?
- Não, - respondeu com voz rouca
- Não entendo. Um homem bonito como tu. Simão… tu és gay?-
Perguntou de repente.
- Não. Que disparate é esse, Ana?
- Desculpa. Ocorreu-me que o facto de não pensares em
casar e o tempo que levas em Paris sem nos visitar, podia ser por isso, ou não ?
- Podia. Mas não é. O meu interesse sexual sempre se
manifestou pelo vosso sexo.
-Desculpa, mano. Mas insisto. Devias pensar em arranjar
alguém. Já passaste dos trinta.
- Queres fazer o
favor de mudares de assunto? Porque é que não me falas antes de ti. Porque é
que ainda estás solteira? A mãe disse-me que estavas noiva. Mas vejo-te sozinha
- Acabou.
Havia uma nota triste na voz dela, ou era impressão sua?
- E porque acabou?
- Não interessa.
- A mim, sim.
-Tu és meu irmão, e há coisas que uma mulher não conta a
um irmão.
Sentiu uma dor aguda no peito. Era como se lhe tivesse cravado um punhal invisível no coração.









