9.1.17

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE VIII






Ana, dava voltas e voltas na cama, presa de insonia. E não encontrava explicação para isso. Tinha jantado com a irmã e o futuro cunhado. O jantar estava delicioso, a conversa amena. Depois passaram lá por casa, para verem o álbum. Tinham-se entretido com as recordações que cada foto representava. Matilde acabara levando-o como tinham combinado. Na segunda-feira ela iria à ourivesaria.
Ultimamente quase não se tinha encontrado com os irmãos, cada um preso às suas rotinas, os empregos, as casas, os filhos. A unica exceção eram os domingos. Sim porque nesse dia almoçavam todos juntos na casa paterna. 
 Todos exceto Simão. Tinha ido para Paris há anos e por lá ficara. Tinha saudades dele. De todos os irmãos, era Simão aquele de quem mais sentia saudades quando lembrava a sua infância. Ela e Matilde eram as mais novas. E ele estava sempre perto delas. Quando caíam e esfolavam um joelho, quando foram para a escola, quando começaram a sair à noite. Ele era o anjo da guarda delas, sempre pronto a aliviar os seus pequenos desgostos. E quando ele partiu para Paris elas choraram abraçadas, sentindo já a dor da saudade. Depois foram-se habituando à sua ausência.
Durante um tempo, Simão vinha a casa, sempre que algum dos irmãos, ou os pais faziam anos. Mas depois do casamento dos irmãos, nunca mais tinha voltado. Decerto viria para a festa de aniversário do casamento dos pais.
Sabia que era uma data muito importante para eles. Como estaria ele?  Viria sozinho? Traria mulher? Quem sabe, se teria casado, sem a família saber.
Deu mais uma volta na cama, recordando o recente rompimento do seu quase noivado.
Pensava ter encontrado por fim o amor. Mas foi mais uma desilusão. Tudo ia bem, enquanto a intimidade não entrou em jogo. Quando isso aconteceu…
Ela não era uma adolescente romântica. Não sonhava com um amor platónico.  Não acreditava no amor sem sexo,  como não não acreditava  no sexo, apenas como uma necessidade física. Para ela um era o complemento do outro.
E ela não seria capaz de repetir a experiência com Paulo.  
Talvez fosse demasiado exigente. Mas, ou encontrava o que queria, ou ficava solteira o resto da vida.



                                           

13 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Estou a gostar da história.
Um abraço e bom Domingo.
Andarilhar

aluap Al disse...

Acho que a Ana é que devia dar aos pais o album, não a Matilde.

Bom domingo!

AC disse...

Um viva à sua capacidade criadora, Elvira.

Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

seguindo...isto está bem engendrado.
vamos aguardar!
beijinho
:)

Janita disse...

Tudo leva a crer que Ana e Simão estão predestinados a um amor que nada tem de pecaminoso ou incestuoso. Veremos o que a sua criadora decide. Louvo-lhe a capacidade de escrita, como quem bebe um copo de água...a inspiração escorre-lhe da mente como a água pela garganta.

As vinte e quatro horas do meu dia passam sem que eu tenha, por vezes, tempo de pensar para além do que farei para as refeições...:)

Um abraço, boa semana.

Zé Povinho disse...

Sempre à espera das reviravoltas da vida, e da escrita da autora...
Abraço do Zé

António Querido disse...

Passei para acompanhar os seus contos, mas hoje está na hora de ir dar umas voltas na cama até adormecer, mas quando embalo é até às oito da manhã!

O meu habitual abraço.

Pedro Coimbra disse...

Deve-se procurar encontrar TUDO.
Quase nunca se consegue mais isso não deve impedir que se tente.
Boa semana

Edumanes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edumanes disse...

Por ele terá de caminhar,
se for esse o seu caminho
esse pode ser o seu pensar
mas, quem manda é o destino!

Tenha um bom dia amiga Elvira.

maria disse...

A Ana continua com as suas recordações!

lua singular disse...

Oi Elvira
Está lindo o desenrolar da história.
Adorei a postagem
Beijos
Lua Singular

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Elvira!
A cada capítulo uma estranha sensação me dá...
Bjm muito fraterno