As duas irmãs abraçaram-se e beijaram-se com carinho,
perante o olhar sorridente de Pedro. Depois, Ana beijou o futuro cunhado, e ele
apressou-se a abrir-lhe a porta traseira do automóvel para ela entrar. Tendo
feito o mesmo com a porta da frente, para que Matilde entrasse, deu a volta ao
automóvel e arrancou. Matilde iniciou a conversa, olhando a irmã pelo espelho
do carro.
- Há quase um mês que não te via, Ana. Por causa dos
preparativos para o casamento, estou pouco tempo em casa, e nunca te vejo
quando lá vais. Sabes, queria a tua ajuda para comprar a prenda para o
aniversário de casamento dos pais. Não sei que comprar. E estamos quase em cima
da festa. Que me aconselhas?
- Não sei. Talvez algo que simbolize o amor deles, mas
também a união da família. Eu fiz um álbum com uma seleção de fotos de vários
momentos da nossa e da vida deles.
- Caramba que ideia gira. Tenho a certeza de que vão
adorar. Mas dentro desse espírito o que eu podia fazer? Podia dar uma coisa
diferente a cada um, mas queria qualquer coisa igualmente simbólica para os dois,
por se tratar de aniversário de casamento. O problema é que não me ocorre nada
A Marta diz que lhes vai oferecer um quadro da filha. Eles adoram a neta, vão
gostar de certeza, e o João vai-lhes oferecer uma viagem aos Açores, tipo
segunda lua-de-mel.
- Porque não compras uma joia? – Interrompeu Pedro.
Podias oferecer à tua mãe uma pequena medalha, para usar no fio, por exemplo um
coração, e ao teu pai, sei lá uns botões de punho com um coração igual. Ou ele
não usa?
- Que ideia genial. Bom, ele não usa botões de punho no
dia-a-dia, mas em cerimonias sim.
- E eu posso ajudar-te com a despesa, - disse a irmã.
Vocês têm muitos gastos com o casamento, as joias não são baratas, e eu até
nem gastei dinheiro com a minha prenda.
-E não te importas?
- Não, claro que não. Olha, podemos fazer o seguinte.
Trocamos as prendas. Tu dás o álbum e eu vou comprar as joias.
- Mas foi trabalho teu…
-E quem sabe disso?
-És um amor!
O carro acabara de estacionar junto ao restaurante. Já à
mesa, enquanto esperavam ser atendidos, Ana perguntou:
- E Simão? Sabes se ele vem à festa? Tem dado notícias?
