4.1.17

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE IV




Acabara de pintar os lábios, quando o telemóvel tocou:
-Ana, estás em casa?
- Ia sair agora, Matilde. Está tudo bem contigo? Estive em casa esta manhã, mas tinhas saído.
- A mãe disse-me. E eu queria tanto estar contigo. Por isso estou a ligar. Não nos podíamos encontrar?
- Claro que sim. Mas é sábado. Pensei que preferisses sair com o Pedro.
- Sim. Olha, se não te importares vamos os dois ter contigo. Depois se tiveres outros planos para a noite separamo-nos. Não temos que andar juntos toda a noite, mas preciso mesmo de falar contigo. É por causa do aniversário dos pais. Queres jantar connosco? Vamos jantar a um restaurante novo de comida indiana. Dizem que é muito bom.
Pensou rapidamente. Não lhe agradava fazer de pau-de-cabeleira para a irmã e o noivo. Não há nada pior para uma mulher que acabou de ter uma desilusão amorosa, do que acompanhar um par apaixonado. Por outro lado, ela gostava de comida indiana, e uma refeição no ambiente frio de um restaurante, é sempre mais agradável acompanhada
- Então Ana? Vá lá, diz que sim. Temo-nos visto tão pouco ultimamente.
- Está bem. Espero-vos aqui, ou queres que vá ter convosco a algum lado?
-Apanhamos-te aí dentro de meia hora. Está bem para ti?
-Está.
- Então até já.
Desligou o telemóvel e ficou pensativa.
Matilde era a sua irmã mais nova. Aquela com quem se sentia mais intimamente ligada. Mas desde que há cinco anos, decidira viver sozinha, viam-se muito menos. Às vezes, sentia uma saudade atroz da vida que tinha na casa paterna. Do quarto partilhado com as irmãs, das primeiras conversas sobre rapazes, sussurradas com Marta, a irmã mais velha, para que Matilde, ainda uma menina não se apercebesse. Dos irmãos, tão diferentes entre si, João, alegre, divertido, sempre pronto para a brincadeira, e Simão. Este, era a antítese do irmão. Sério, responsável e protetor. Especialmente com ela e com Matilde.
Sentia saudade das longas conversas com a mãe, do pai, do calor que emanava da casa paterna.
Lembrou, do dia em que decidiu ir morar sozinha. Tinha vinte e dois anos e estava prestes a casar com um jovem advogado, que trabalhava com o pai, quando rompeu o noivado. O pai ficara muito zangado. E o pior foi quando Miguel, inconformado pediu a demissão. Afonso perdia assim, não só o homem em quem confiava para entregar a vida da filha, mas também o melhor advogado da sua equipa. Ela não suportara, as recriminações paternas e decidira que era tempo de ir viver sozinha.
O toque do telemóvel interrompeu-lhe os pensamentos. Atendeu.
- Ana, chegamos. Desces, ou ainda estás atrasada?
-Desço já, - e pegando na mala, apressou-se a sair.



Não há dúvida de que vós sois uns leitores atentos. Pois é, esta História de Amor é a continuação de Estranho Contrato. Vinte e cinco anos depois. espero que gostem tanto, quanto gostaram da outra.



17 comentários:

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma história de vida numa leitura interessante!
Bj

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante.
Um abraço e boa semana.
Livros-Autografados

Tintinaine disse...

Só estou à espera de ver que namorado especial de corrida a Elvira vai arranjar para dar a volta à cabeça da Ana.
A coisa promete!

António Querido disse...

Eu se fosse o noivo, não me importaria nada de irmos almoçar juntos, ou até mesmo de passarmos a tarde juntos, desde que a noite fosse a dois!
Está interessante, vou acompanhar.
O meu abraço

Prata da casa disse...

Ah , fico contente por ter percebido. Estou a gostar da história da nova geração.
Bjn
Márcia

Bea Simpson disse...

Gosto dese portugués coloquial que me resulta familiar e podo comprendelo. As suas historias son sempre un reflexo da vida cotiá, que a min tanto me gusta. Grazas por deijar comentario no meu post. Também en Galicia gostamos do mar, e iso é porque fica moito preto de calquer lugar. O que acontece também en Portugal. Desejo moita saúde, ganas de escriver e de disfroitar coas cousas que nos ofrece o vivir día a día. Abrazo grande.

Érika Oliveira disse...

Que interessante, quando será postado a continuação? Ah, pau de cabeleira aqui no Brasil chamamos de "segurar vela". Rsrs Acho muito interessante a diferença dos nossos termos, bem como o sotaque de vocês, que por ser interessante me agrada muito.


Aguardando a continuação...

Rui Espírito Santo disse...

Continuo a gostar muito da sua forma de escrever, Elvira !
:)

Pedro Coimbra disse...

Quando se gosta do que se lê está-se atento.

Edumanes disse...

A rapariga é jeitosa,
tem um sorriso bonito
sendo a vida é maravilhosa
que ela seja feliz acredito!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira.

© Piedade Araújo Sol disse...

sim...eu pelo menos estou a gostar bastante

;)

Socorro Melo disse...


Ah! Pena que não acompanhei Estranho Contrato.

aluap Al disse...

Vejo que o feitio do Simão não mudou!
No comentário anterior referi o "Estranho Contrato" sem ler o post IV e seguintes. Acredite! Dizem que tenho boa memória, pelo facto de não comer queijo!
Vou continuar.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Estou adorando a história.
Eu nunca quis morar sozinha, era única.
Beijos
Lua Singular

maria disse...

Pois... eu bem desconfiei que era a continuação de "Estranho Contrato":D
Ana e as suas memórias... vamos ver como corre o jantar

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Elvira!
Não me recordava mais da outra história, minha cabeça de 6.3 tá esquecidinha... rs...
Mas, confesso que estou gostando muito dessa...
Bjm muito fraterno