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23.3.23
CONVITE
É já no próximo sábado a apresentação de "A HERANÇA E OUTROS CONTOS" desde já informo que terei imenso gosto em receber quem more perto e queira estar presente.
18.6.20
ISABEL - PARTE XXVII
O telemóvel tocou. Isabel pousou o livro e atendeu. Era Amélia a reforçar o convite para irem ao tal bar. Isabel voltou a descartar qualquer hipótese de sair. Desligou e olhou para o relógio. Dez e vinte, era muito cedo para se deitar, mas a chamada fizera-a perder o interesse pela leitura. Que fazer? Olhou o portátil na mesinha de bambu e vidro junto ao sofá. Mas não lhe tocou. Na verdade navegava tanto por questões de trabalho que em casa muito raramente o abria. Aconchegou o robe ao corpo seminu e estendeu-se no sofá. Fechou os olhos e reviveu a cena dessa tarde. Quem seria aquele homem? Luís. Ele dissera que se chamava Luís. Bom pelo menos a partir de agora o desconhecido tinha nome. Mas isso mudava alguma coisa? Lembrou-se da mãe. Ela sempre dizia que cada um nasce com o seu destino traçado. Costumava dizer que não há coincidências. As coisas acontecem, para seguir a ordem natural, dos caminhos do destino de cada um. Ela não acreditava muito no destino. Sempre acreditou que o destino, é obra do que cada um faz na vida. Agora já não tinha tanta certeza disso. Ela não fizera nada para trazer para a sua vida aquele homem, nem os estranhos desejos que a assaltavam desde que o conhecera.
Será que a mãe tinha razão? Que ele estivera sempre no seu destino, à espera da hora certa para aparecer? E se assim era, que papel ia interpretar no teatro da sua vida? Seria um grande papel, ou era uma figuração apenas? De súbito deu-se conta de algo muito estranho. Ultimamente quase não se recordava de Fernando. E quando o recordava tinha dificuldade em lembrar as suas feições. Que estranho poder tinha aquele homem para invadir assim a sua vida e a sua mente, e esvaziar a gaveta das memórias que ela guardou com tanto esmero e cuidado durante quase vinte anos?
Isabel jamais acreditaria que situações assim acontecessem na vida real. E porque haviam de lhe acontecer logo a ela? Que já tinha desistido de ter uma família e estruturara toda a sua vida, sobre recordações? E agora que fazer? Esperar que o destino ou lá o que era os juntasse de novo? Tentar esquecer e reconstruir a muralha atrás da qual vivera todos aqueles anos? E se voltassem a encontrar-se o que ela faria? Tentaria dar uma hipótese a si mesma com dizia Amélia, ou fugiria de novo? E mais importante que tudo. Quem lhe dizia que o homem não era comprometido? E ainda que o não fosse quem lhe dizia que se ia interessar por ela? Um homem como ele devia ser como uma flor à beira de uma colmeia.
Exausta acabou por adormecer ali mesmo no sofá.
17.4.20
À MÉDIA LUZ - PARTE V
Encontrava-se acompanhado de um amigo, empresário, com quem tinha alguns negócios, e da esposa do amigo. Tinha recebido o convite na semana anterior, mas acabara por esquecê-lo, só voltando a recordá-lo, quando o amigo lhe telefonara. Na verdade se não fosse por se tratar de um espetáculo beneficente, não teria ido, não era apreciador daquele tipo de espetáculo, danças de salão, para ele, só como interveniente, e com uma bela mulher nos braços. Porém ali estava numa noite de sexta-feira, disposto a passar umas horas aborrecidas, em prol de uma boa causa. Pouco depois as luzes na sala, apagaram-se e um a um os seis pares foram entrando na pista. Recostado na cadeira, com os olhos semicerrados e uma posição indolente, Gabriel não parecia muito entusiasmado.
De súbito, alguma coisa lhe chamou a atenção. Endireitou-se e fixou o olhar no último par que acabara de entrar. Melhor, não no par, mas na bela figura feminina que envergava um lindo vestido vermelho. Havia qualquer coisa de familiar naquela mulher. Seria o tom do cabelo, preso no alto da cabeça, num coque embelezado por uma fita preta, adornada com uma rosa do mesmo tom do vestido?
Quando os pares se posicionaram nos seus lugares, o número seis ficou mais perto do local onde Gabriel se encontrava, e ele assombrado julgou reconhecer Sandra na esbelta bailarina.
- Não pode ser, - murmurou.
Aquele “monumento” não podia ser o “estafermo” da Sandra. Ou seria? E como dançava, Santo Deus. Ele não conseguia desviar os olhos da bela figura feminina.
Após uma primeira apresentação, em que os seis pares dançaram a Valsa e o Foxtrot, os bailarinos retiram-se e um apresentador fez uma breve explicação sobre a origem das danças de salão. Logo depois entraram dois pares que dançaram primeiro uma Polca e depois o Bolero.
Depois entraram outros dois pares e Gabriel disfarçou um gesto de enfado. Ele queria ver de novo a mulher de vermelho.
Depois de mais duas danças, desta vez a Salsa e o Chá Chá Chá, eis que voltam os últimos dois pares. Começam por dançar a Rumba, e Gabriel não conseguia desgrudar os olhos da figura feminina, que na pista se movimentava com graciosidade e agressividade, insistente e romântica, num jogo de sedução, visando conquistar o parceiro, que é afinal o sentido da própria Rumba. A dança terminou sob um acalorado aplauso para logo de seguida se ouvirem os primeiros acordes dum Tango.
O Tango era a dança preferida de Gabriel, pelo papel dominante que o homem desempenhava na dança. Mas quando os pares se posicionaram na posição inicial do Tango, ele notou que a bailarina, arqueava ligeiramente o corpo, como que resistindo a deixar-se dominar.
Sorriu. Além de bela, tinha personalidade.
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21.8.19
LONGA TRAVESSIA - PARTE XXIX
Emocionado, ele agradeceu-lhes, e ofereceu os seus préstimos para tudo o que o casal precisasse. E terminou dizendo:
-Só não vos ofereço a minha amizade, porque não sei se a amizade de um traste como eu, vos interessa.
A resposta foi um forte abraço de Tiago e o convite do casal, para fazer parte da sua ceia de Natal, já que Teresa e o filho, costumavam passá-la com eles todos os anos. Aceitou, com o coração cheio de gratidão.
Depois jantaram em casa de Teresa, com Martim a falar pelos cotovelos, e a fazer inúmeras perguntas ao pai. E ele emocionado, abraçando-o e brincando com ele. Quando foi para a cama, Martim fez questão de ser o pai a ir com ele, e a contar-lhe uma história.
Para a noite ser perfeita, faltou pernoitar lá em casa, mas compreendia que Teresa precisasse de algum tempo para assimilar a nova vida. Percebeu que se queria reconquistá-la, não podia nem devia forçá-la.
Para a noite ser perfeita, faltou pernoitar lá em casa, mas compreendia que Teresa precisasse de algum tempo para assimilar a nova vida. Percebeu que se queria reconquistá-la, não podia nem devia forçá-la.
No dia seguinte, foram os três às compras. Presentes de Natal, e não só. Para eles e para Luísa, o marido e o filho. Depois foram para casa de Rui. Tê e o filho conheceram então a grande e luxuosa casa. Na sala de entrada, Rui pegou o filho ao colo e mostrou-lhe o retrato da mulher, que dominava o espaço, dizendo:
- Martim, esta era a tua avó. Uma grande mulher.
A criança olhava tudo com espanto. E com a curiosidade própria da idade, queria ver tudo. Na sala, em cima da mesinha estava o saco preto com os desenhos cinzentos, que guardava os ténis. Rui perguntou:
- Achas que servem ao Martim? Gostaria que ele os usasse se lhe servirem. Se ele os usar, é como se finalmente, eu os pudesse calçar.
- Sim. São muito bonitos, e ele nunca teve nada parecido. Vamos ver se lhe servem.
Serviam. A criança ficou encantada, e não parava quieta, só para ver as luzinhas nos ténis. Rui sorria feliz. Depois, pegando na mão de Teresa, perguntou.
-Gostas da casa? Se gostares, podemos ficar a morar aqui. Claro que poderás mudar a decoração, certamente haverá coisas de que não gostes. E quero que saibas que nunca trouxe nenhuma outra mulher a esta casa, - acrescentou fitando-a muito sério.
- Eu sei. Soube-o quando apresentaste a tua mãe ao Martim. Gosto da casa. Deveríamos mudar os sofás, ou forrá-los de novo. O branco é incompatível com crianças. Também não gosto dos reposteiros, são demasiado pesados. O resto está perfeito. Ah! E temos que fazer umas alterações num dos quartos. Decorá-lo mais de acordo com a idade do Martim.
9.8.19
LONGA TRAVESSIA - PARTE XX
- Já. Escolhi o Raul. Parece-me ter mais capacidade de encaixe com as novas técnicas e outras inovações que espero introduzir.
E de repente como que numa súplica:
- Passa o Natal comigo!
Estremeceu. Aquele homem desconcertava-a. O que é que pretendia dela? Levá-la à loucura? Fazer com que esquecesse os oito anos de sofrimento e abandono?
- Não posso.
-Porquê? Vais passar com a tua família?
-Vou. – Mentiu, pois na verdade ia passar o Natal, em casa de Luísa.
- E não posso ir contigo? Gostava de conhecê-los.
- Não achas que é muito tarde para isso? Teria ficado muito feliz se há oito anos, tivesses aceitado o meu convite. Em vez disso, abandonaste-me de forma cobarde, enquanto eu ansiava pelo fim das festas para voltar para ti.
- Tens razão. Fui um canalha. Deixa-me provar-te que estou arrependido. Dá-me uma oportunidade de te demonstrar o meu arrependimento.
Sentia que lhe faltavam as forças, mas não podia ceder. Foram muitas noites sem dormir, muitas lágrimas derramadas. Anos e anos de sofrimento, incapaz de pensar num novo amor, o peito corroído pela rejeição.
- Por favor! Voltamos ao trabalho ou amanhã dou inicio às minhas férias, - ameaçou.
- Voltemos então ao trabalho,- suspirou ele.
Mas ambos sabiam que os seus pensamentos andavam distantes do trabalho.
Não o viu nos dois dias seguintes. Devia estar absorvido pela resolução dos múltiplos problemas que iam surgindo, e na verdade, resolvida a questão de escolha do novo chefe, e até que a "Tudilar" começasse a laborar em pleno, ela não podia ajudar em muito.
Finalmente na quinta-feira no fim da manhã, tudo ficou pronto. Ele cumprimentou cada um deles. Depois acrescentou, que após o almoço poderiam partir e voltar a dois de Janeiro para um ano de trabalho intenso. E acabou desejando um Feliz Natal a todos.
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10.5.18
8.2.18
A VIDA É... UM COMBOIO. - PARTE XXXII
Os três entraram em casa, e Martim após cumprimentar a
bisavó despediu-se afirmando que estava cansado e com sono. Paulo cumprimentou
a idosa e aceitou o convite para passarem à sala, onde contou os planos que
tinham feito para o casamento. A velha senhora não podia estar mais contente,
pois sempre desejou ver a neta casada e feliz. E ela estava convencida que
desta vez, Amélia ia ser feliz. Conversaram um pouco e depois a senhora informou
que se ia retirar, pois já passava bastante da sua hora habitual de ir dormir.
Os jovens ficaram assim sozinhos na sala. Era a primeira vez que tal acontecia, desde
aquele dia junto ao rio.
- Queres tomar alguma coisa? – Perguntou Amélia.
- Não. Vem, senta-te aqui ao pé de mim, - disse ele ajeitando
as almofadas do sofá.
Ela obedeceu.
Ele meteu mão no bolso e tirou uma pequena caixa de
veludo. Abriu-o, e mostrou um aro de ouro como uma esplêndida esmeralda.
- Escolhi uma esmeralda por ser a cor dos teus olhos, - disse
enfiando-lhe o anel no dedo. Depois
virou-lhe a mão e depositou um beijo na palma da mão, perguntando em seguida.
Gostas?
- É lindo, - disse ela esticando a mão e mirando a joia, encantada.
- Já to devia ter dado, mas queria fazê-lo num momento em
que estivéssemos a sós, - disse ele atraindo-a para si e depositando-lhe um
beijo no lóbulo da orelha, descendo depois pelo rosto até aprisionar a sua
boca.
Como sempre que ele lhe tocava, Amélia sentia que todo o
seu corpo tremia de antecipação. Levantou as mãos e acariciou a base da nuca
masculina. Ele aprofundou o beijo, enquanto as mãos se perdiam no corpo dela em
carícias cada vez mais ousadas, que a faziam gemer de prazer. De súbito,
afastou-a e levantou-se. Os seus olhos escuros, pareciam dois pedaços de carvão
incandescente, tal a paixão que manifestava.
- Compreendes agora a minha pressa no casamento? - Perguntou. Pões-me louco. Quero fazer amor contigo, mas não aqui nem agora. Não seria correto com a tua avó e com o Martim. Entendes?
Ela abanou a cabeça de olhos baixos e rosto ruborizado,
envergonhada por sentir que desejara fazer amor com ele sem pensar onde estava.
Ele, levantou-lhe o rosto com um dedo e disse.
- Olha para mim. Não tens porque ter vergonha do teu
desejo por mim. É absolutamente normal. Agora é melhor ir-me embora. Venho
buscar-vos amanhã de manhã.
Deu-lhe um leve beijo na testa e saiu
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