Os três entraram em casa, e Martim após cumprimentar a
bisavó despediu-se afirmando que estava cansado e com sono. Paulo cumprimentou
a idosa e aceitou o convite para passarem à sala, onde contou os planos que
tinham feito para o casamento. A velha senhora não podia estar mais contente,
pois sempre desejou ver a neta casada e feliz. E ela estava convencida que
desta vez, Amélia ia ser feliz. Conversaram um pouco e depois a senhora informou
que se ia retirar, pois já passava bastante da sua hora habitual de ir dormir.
Os jovens ficaram assim sozinhos na sala. Era a primeira vez que tal acontecia, desde
aquele dia junto ao rio.
- Queres tomar alguma coisa? – Perguntou Amélia.
- Não. Vem, senta-te aqui ao pé de mim, - disse ele ajeitando
as almofadas do sofá.
Ela obedeceu.
Ele meteu mão no bolso e tirou uma pequena caixa de
veludo. Abriu-o, e mostrou um aro de ouro como uma esplêndida esmeralda.
- Escolhi uma esmeralda por ser a cor dos teus olhos, - disse
enfiando-lhe o anel no dedo. Depois
virou-lhe a mão e depositou um beijo na palma da mão, perguntando em seguida.
Gostas?
- É lindo, - disse ela esticando a mão e mirando a joia, encantada.
- Já to devia ter dado, mas queria fazê-lo num momento em
que estivéssemos a sós, - disse ele atraindo-a para si e depositando-lhe um
beijo no lóbulo da orelha, descendo depois pelo rosto até aprisionar a sua
boca.
Como sempre que ele lhe tocava, Amélia sentia que todo o
seu corpo tremia de antecipação. Levantou as mãos e acariciou a base da nuca
masculina. Ele aprofundou o beijo, enquanto as mãos se perdiam no corpo dela em
carícias cada vez mais ousadas, que a faziam gemer de prazer. De súbito,
afastou-a e levantou-se. Os seus olhos escuros, pareciam dois pedaços de carvão
incandescente, tal a paixão que manifestava.
- Compreendes agora a minha pressa no casamento? - Perguntou. Pões-me louco. Quero fazer amor contigo, mas não aqui nem agora. Não seria correto com a tua avó e com o Martim. Entendes?
Ela abanou a cabeça de olhos baixos e rosto ruborizado,
envergonhada por sentir que desejara fazer amor com ele sem pensar onde estava.
Ele, levantou-lhe o rosto com um dedo e disse.
- Olha para mim. Não tens porque ter vergonha do teu
desejo por mim. É absolutamente normal. Agora é melhor ir-me embora. Venho
buscar-vos amanhã de manhã.
Deu-lhe um leve beijo na testa e saiu
