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10.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XLV


Nessa mesma tarde saiu do emprego com o ramo de rosas na mão e o presente para o marido na mala, e como sempre  ele já a esperava à porta.
Cumprimentou-o com o habitual beijo rápido e ele pôs o carro em movimento.
-Obrigada pelas rosas, São lindas.
-Fico feliz por teres gostado. Na verdade, gostava de te comprar uma jóia, não tens nada além da aliança e do fio que te dei pelo Natal, mas receei que não aceitasses. Sei que gostas de flores, mas só alegram o momento, dois dias depois estão mortas e vão para o lixo.
- Nas minhas recordações, sempre que me lembrar deste dia, elas vão estar tão bonitas como estão agora, e a sensação de felicidade vai ser igual à que hoje me proporcionaram.
Ele lançou-lhe um breve olhar e logo voltou a sua atenção para a estrada. Uns segundos depois disse:
- Nunca conheci ninguém como tu.
Ela não respondeu. Porque não tinha nada para dizer, ou porque acabavam de chegar ao prédio onde viviam. Ele acionou o comando da porta da garagem e estacionou no lugar que lhe estava reservado. Saíram cada um pela sua porta, e dirigiram-se para o elevador.
-Pensei que a exemplo do dia de casamento, não quisesses sair. Encomendei o jantar, vêm entregar, - olhou o relógio – dentro de meia hora. Temos tempo para um banho, o dia esteve muito quente. Podemos tomá-lo juntos, - disse num sussurro ao ouvido dela.
-Não! – A negativa saiu tão brusca que se assustou a si própria. – Desculpa, mas realmente preferia fazê-lo sozinha.
Se ficou aborrecido, não o demonstrou. Na verdade, já tinha decidido, que nessa noite teriam que discutir a relação. Não suportava mais a tristeza que notava no olhar feminino. Esboçou um sorriso.
- Sem problema. Ficas com a suite, eu uso a outra casa de banho.
Entraram em casa, e imediatamente o olfato detetou um perfume floral. Sobre a mesa da entrada estava um bonito arranjo de rosas vermelhas. Isabel foi à cozinha buscar uma jarra para colocar o ramo que trouxera do escritório, e viu  sobre a mesa da cozinha, outro arranjo igual ao da entrada. Pensou que devia haver flores em todas as divisões da casa e deixou a jarra em cima do balcão.
Quando passou pela casa de banho, no corredor, ouviu o chuveiro. O marido já estava no banho. Ela chegou ao quarto, abriu a cómoda para tirar a roupa interior que vestiria a seguir ao banho, deu a volta e abafou um grito de surpresa, ao ver um tapete de pétalas vermelhas, que ia até à cama,e se estendia sobre a colcha, e pela mesa-de-cabeceira. Refugiou-se na casa de banho, e fechou a porta. Não sabia que pensar. Aquilo era obra de um homem apaixonado. Pelo menos, assim era nos livros e nos filmes. Mas ele não estava apaixonado por ela, não acreditava no amor, tinha o coração seco. Então porquê aquele teatro?
Tomou um duche rápido, enxugou-se, vestiu as duas minúsculas peças íntimas, enfiou um roupão e sentou-se a secar o cabelo. Depois penteou-o todo para um dos lados do rosto e entrançou-o.
Foi ao quarto retirou uns calções brancos e uma T-shirt. De súbito, lembrou-se da mesa posta na noite do seu casamento, e pensou que aquela roupa não seria adequada, se ele tivesse preparado uma mesa igual, o que era quase certo olhando para o resto da casa.
Voltou a guardar a roupa, e tirou do guarda fato o vestido comprido preto que comprara para o casamento de Natália, e vestiu-o. Calçou umas sandálias de salto alto, desmanchou a trança e escovou o cabelo mantendo-o na mesma posição. Olhou-se ao espelho. Talvez tivesse exagerado no traje, talvez Ricardo estivesse vestido desportivamente. Encolheu os ombros, pegou no embrulho de presente e saiu em direção à sala.



15 comentários:

noname disse...

Vamos lá ver, se é desta que põem as cartas na mesa.

Boa noite, Elvira

Maria João Brito de Sousa disse...

Esperando que os protagonistas se entendam e desejando as melhoras do seu marido, deixou outro abraço.

Joaquim Rosario disse...

Bom dia
Leitor soooooofre !!
JAFR

Tintinaine disse...

Que se há-de fazer? O remédio é ter paciência e esperar!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar e aproveito para desejar a continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Cidália Ferreira disse...

Ai, agora fico a roer as unhas à espera do episódio de amanhã!! Amei!:)

Beijos e as melhoras do seu Marido!

chica disse...

Todo o cenário preparado para um bom jantar e depois a "boa sobremesa",rs... Vamos ver! bjs, chica

Anete disse...


Um romântico e revelador jantar... Hum, o amor está despertando sensações!...

Que bom que o seu marido está tendo melhoras crescentes...
Abraço e boa noite...

Edum@nes disse...

Não me importo de esperar. Pelo próximo capitulo, para saber o que foi que aconteceu nessa casa enfeitada com flores. Durante um jantar a dois e a seguir qual terá sido o romantismo da sobremesa?

Boa noite amiga Elvira. Desejo as melhoras de seu marido. Um abraço.

Janita disse...

Elvira, desejo que o seu marido continue a melhorar e a sua vista, também!

Quanto à história, esses salamaleques do Ricardo com tanta rosa vermelha, vê-se que ele não sabe que uma manifestação de carinho e afecto, teriam mil vezes mais valor.
Mulheres como a Isabel há muitas, ele é que ficou escaldado com a outra, e agora estranha...

Um abraço.

Os olhares da Gracinha! disse...

Bem interessante... Bj

Ailime disse...

Boa tarde Elvira,
Ricardo, quanto a mim, parece muito apaixonado...
Não sei porque duvida Isabel!
Um beijinho.
Ailime

teresa dias disse...

Tantas dúvidas...
O Ricardo está sim, apaixonado!
Bjs.

Lúcia Silva Poetisa do Sertão disse...

Tanto carinho, tanto amor, tomara que os dois se entendam e sejam felizes!
Beijos!

Gaja Maria disse...

Será que vai ser desta?