- Tem razão David. Na verdade, o único culpado disto tudo, é o meu irmão. E já que não podemos alterar os factos, é lícito que o ponha a par de tudo o que se passa. Disse que vai mandar trazer uma secretária. Enquanto ela não chega, podemos ver as instalações. Está de acordo?
Uns minutos antes, parecia uma leoa prestes a atacá-lo,
agora aparentemente estava calma. Aquela mulher era surpreendente. Sorriu
- Vejo que percebeu a situação. Na verdade, a secretária
deve estar a chegar, disseram que a entregariam às onze horas. Vamos então ver
a fábrica agora?
Ela avançou para a porta. Vestia um fato de calça e
casaco azul- escuro, e um lenço de seda em tons de azul e cinza ao pescoço. O
cabelo estava apanhado, e nos pés usava sapatos de meio salto pretos. Habituado
a lidar com mulheres bonitas, David não teve dificuldade em catalogar Daniela
como uma bela mulher. Seria casada? Não usava aliança, foi a primeira coisa em
que ele reparou, logo não devia ser. Porque é que Daniel nunca lhe tinha falado
nela? Afinal eram amigos há quase dez anos. No escritório, Daniela, reuniu as
empregadas, Madalena e as outras duas mulheres mais jovens, e apresentou-lhes
David, informando que ele era agora seu sócio, e portanto, igualmente dono da
empresa. Depois seguiram para a fábrica. Ele ia observando tudo, atento ao que
ela lhe explicava. Vendo que uma máquina estava parada, ele quis saber porquê e
ela explicou que estavam à espera da peça para ser reparada.
Então Daniela chamou Bruno e apresentou-lhe David,
informando-o, sobre a sua posição dentro da empresa.
Depois passaram pela secção de embalagem, passaram pelo
armazém e por fim regressaram ao escritório, quando os empregados acabavam de
colocar a nova secretária no gabinete que até aí fora só dela.
- A fábrica é grande, suporta com facilidade mais duas
máquinas, - disse ele, mal ficaram sós. Com elas podíamos ter uma produção bem
maior.
- E verdade. E então agora com aquela máquina parada, para
entregar a encomenda que está a ser embalada hoje, o pessoal teve que trabalhar
por turnos. Mas aquelas máquinas comportam um grande investimento…
-Calculo que sim. Mas não me importo de investir na
compra das máquinas, se em troca passar a ter os tecidos para a confecção das
minhas coleções, feitos aqui, a tempo e horas. - Olhou o relógio e acrescentou.
– São horas de almoço. Continuamos de tarde?








