27.5.17

JOGO PERIGOSO - PARTE VI


Sentou-se na sua frente.
- Diga-me senhor Ribeiro, quais as suas intenções, ou planos que o levaram a comprar ao meu irmão, a metade desta empresa?
Ele inclinou-se para a frente, apoiou um braço na secretária sem deixar de olhar para ela.
- Senhor Ribeiro? Não lhe parece despropositado, dadas as circunstâncias? Parece-me que está zangada com o facto de eu ser o seu sócio a partir de agora. Mas se assim é, deve conversar com o seu irmão. Como deve saber, tenho uma firma de confecções por catálogo. Estou sempre em busca de novos tecidos, novos padrões. O meu catálogo, é um sucesso, vende imenso. Há muito tempo que ponderava, a compra de uma fábrica de tecelagem como esta. O oferecimento de venda por parte do seu irmão, veio ao encontro dos meus desejos. Claro que acalento o sonho de me vir a tornar o único dono. Estou disposto a pagar o que pedir pela sua parte, dentro da razoabilidade.
Daniela pôs-se em pé. O rosto corado, os olhos brilhantes, o seio arfando, pela ira. Estava tão bonita, que o homem semicerrou os olhos, tentando esconder a sua admiração.
- Está doido! Não vendo, nem morta. Esta firma sempre foi da minha família. E vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para recuperar a parte, que o irresponsável do meu irmão lhe vendeu, senhor Ribeiro.
- Bom, - disse ele com uma calma irritante, -sendo assim, seremos eternamente sócios, já que ambos somos movidos pelo desejo de posse. Então, vou mandar colocar neste gabinete outra secretária, e vou trabalhar aqui sempre que possível, já que como disse, tenho outros negócios que também requerem a minha presença. Pode continuar a usar esse tratamento ridículo de senhor Ribeiro, se isso lhe agrada, mas desculpar-me-á que a trate apenas por Daniela. Tenho o dia livre, de modo que vou mandar trazer a secretária, agora mesmo, e espero que disponha de tempo para me pôr a par de tudo o que se passa na fábrica. Preciso saber como estão as encomendas, e prazos de entrega, já que preciso de um novo padrão de tecido para o próximo catálogo e quero saber se é possível ser feito aqui, ou se tenho de recorrer à fábrica com que costumo trabalhar.
Fez uma pausa, enquanto a olhava fixamente. Ela susteve-lhe o olhar, sem pestanejar, num claro desafio, que o deixou surpreendido. Retomou a palavra
- Espero que cheguemos a um entendimento, não é agradável trabalhar em clima de guerra, mas se for essa a sua posição, acredite que não costumo fugir das contrariedades.
Levantou-se. À jovem pareceu ainda mais alto do que quando entrara no gabinete e o vira de costas. Não se parecia nada com o playboy que aparecia nas revistas. Aquele homem tinha uma personalidade forte, e uma grande dose de autoconfiança, o que o levava a ser um adversário temível. E fora bem claro nas suas intenções. Tinha que ir com cautela, ou a sua vida daí para a frente podia transformar-se num inferno.


17 comentários:

Edumanes disse...

Dois ambiciosos e teimosos. Declarando guerra um ao outro. Vai haver luta, nenhum querendo pelo outro ser derrotado. A guerra conduzi-los-a à destruição,
se por esse caminho enveredarem. O melhor que têm a fazer é optarem pelo diálogo construtivo da paz. Juntarem os trapinhos e serem felizes para sempre!

Tenha uma boa noite e um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
DOIS CONTENDORES QUE SE EQUIPARAM, VAI SER MUITO BOM VER A SEQUÊNCIA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

AvoGi disse...

Todo o cuidado é pouco quando enfrentamos um teimoso
Kis :=}

Janita disse...

Duas fortes personalidades que não 'casaram' lá muito bem, neste primeiro encontro. Ele está a ser arrogante, ai está, está!!
Eu também não iria gostar que outra pessoa decidisse tratar-me pelo nome próprio, claramente numa atitude provocatória. :)

Um abraço.

Odete Ferreira disse...

Já tinha lido os dois primeiros capítulos, agora os restantes.
Mais uma interessante trama, bem sustentada por conhecimentos do meio em que se desenrola.
Parabéns, Elvira. Cá estou a acompanhar.

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar um bom fim de semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Berço do Mundo disse...

Vejo que caio aqui num episódio cheio de emoção. As personagens são muito vívidas. A ver se consigo pôr-me a par de toda a estória.
Beijinho para a Elvira com votos de um lindo fim-de-semana
Ruthia d'O Berço do Mundo

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
gosto deste tipo de novelas e vou acompanhar este jogo sempre que possível.
B.F.S.
JAFR

António Querido disse...

Vou esperar pelos próximos capítulos, para ver se as coisas acalmam!

Vou ao almoço e pôr o carro em marcha até à aldeia.
BOM FIM DE SEMANA.

aluap Al disse...

Uma palavra de louvor para a Daniela, pois como leio muitas coisas de antigamente, muitas fábricas portuguesas fecharam por a Coroa ter deixado entrar no nossos país tecidos indianos de roldão. Hoje, o material barato vem da China, sobretudo, mas naquela altura, terá sido a Índia (Goa) a origem de tecidos muito mais baratos do que os que eram feitos cá.
Para o "Sr. Ribeiro" também uma palavra de louvor por querer usar mecanização "nossa" para produzir.
Estou a começar a gostar deste conto.
Bom fim de semana.
Abraço.

Os olhares da Gracinha! disse...

Fortes personalidades que vão dar que falar!!!bj e gosto

Tintinaine disse...

A Daniela entrou ao ataque e já estou a ver que vai sair á defesa, pois o adversário não é peco.

Majo Dutra disse...

Aturá-lo no mesmo gabinete?!
O conto está a ficar empolgante!
Abraço, Elvira.
~~~~~~~~~~

redonda disse...

Parece que se avizinham tempestades :)

Smareis disse...

Os dois tem personalidade forte, isso vai acabar em paixão.
Beijos!

Berço do Mundo disse...

Grande confronto

Rosemildo Sales Furtado disse...

Dizem os mais entendidos no assunto, que dois bicudos não se beijam. Acho que não vai ser bem assim não, a não ser que os bicos desapareçam. Estou gostando.

Abraços,

Furtado