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26.5.17

JOGO PERIGOSO - PARTE V





Tinham passado oito dias desde que o advogado estivera no escritório, dando-lhe conta da cedência de quotas do irmão para o seu cliente e deixando-a de mãos e pés atados, já que o irmão que raramente ia à fábrica, tinha-lhe passado uma procuração e ela geria a empresa, com liberdade absoluta. Reuniam-se apenas uma vez por ano, para apresentação de contas e divisão de lucros nos anos em que os havia. Com a venda da sua parte, o irmão teria anulado a procuração, coisa de que ela não se apercebera, pois não precisara usá-la recentemente. Agora, para qualquer decisão que envolvesse investimento, tinha que esperar pelo novo sócio, e nem sequer sabia por onde ele andava.
Felizmente conseguira acabar a encomenda, a tempo, mas com aquela máquina parada, (segundo o técnico precisava de uma peça que tinha que ser importada,) tivera que pôr o pessoal a trabalhar por turnos, o que ia reduzir a margem de lucro da encomenda. Naquela manhã de terça-feira, acabara a sua volta pela fábrica, e dirigia-se ao seu gabinete, quando ao passar pelo escritório, Madalena a informou de que um cavalheiro a aguardava, precisamente lá. Dissera-lhe que era o novo sócio, e ela introduzira-o no gabinete. Soltou um suspiro. Finalmente resolvera aparecer.
Abriu a porta do gabinete. Um homem alto, de fato cinzento encontrava-se de costas junto à janela.
- Bom dia -. Saudou tentando não dar à voz a entoação agreste que advinha da sua raiva. Afinal de contas, o culpado daquela situação era o irmão, não o desconhecido.
O homem voltou-se. Calmamente. Quase com indolência. Um lampejo de admiração perpassou pelos seus olhos cinzentos, ao encarar a jovem. Encaminhou-se para ela.
- Bom dia. David Ribeiro- disse estendendo-lhe a mão
- Daniela Pinto,- apresentou-se retribuindo o cumprimento.
-Daniela? – Ele repetiu com estranheza
- É. Parece que os meus pais não primavam pela imaginação.
Ele esboçou um sorriso. Olharam-se por momentos fixamente. Como dois opositores estudando-se mutuamente. Depois ela disse:
- Sente-se. Temos muito que conversar.