27.1.17

UMA NOITE DE INVERNO - PARTE V




Mas Luís sentiu um aperto no coração. Não conhecia ninguém que tivesse aquela doença, mas um amigo tinha-lhe contado que a cunhada dele sofria dela e o que lhe disse era suficiente para aterrorizar qualquer um. Fez perguntas ao médico, quis saber com que podia contar e se podiam fazer alguma coisa para impedir a doença de progredir.
E o neurologista explicou-lhe

"A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras).
Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária.
À medida que as células cerebrais vão sofrendo uma redução, de tamanho e número, formam-se tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Esta situação impossibilita a comunicação dentro do cérebro e danifica as conexões existentes entre as células cerebrais. Estas acabam por morrer e isto traduz-se numa incapacidade de recordar a informação. Deste modo, conforme a Doença de Alzheimer vai afetando as várias áreas cerebrais vão-se perdendo certas funções ou capacidades."

Disse ainda que “ As células nervosas do cérebro comunicam umas com as outras através da libertação de substâncias químicas; que são denominadas por neurotransmissores. A acetilcolina é um neurotransmissor importante para a memória. As pessoas com Doença de Alzheimer têm níveis baixos de acetilcolina no cérebro. As enzimas designadas colinesterases destroem a acetilcolina no cérebro. Se a sua ação for inibida, mais acetilcolina estará disponível para a comunicação entre os neurónios.”
Então para tentar controlar o avanço da doença, ele receitou um inibidor de colinesterase, o  Rivastigmina, informando que o efeito deste medicamento variava muito de pessoa para pessoa, dado que havia pessoas que estabilizavam no ponto atual da doença, outras a progressão tornava-se muito mais lenta, e outras ainda, a doença continuava a sua evolução de destruição como se não tomasse medicação.
E dado que Alzira já tinha problemas de estômago em vez de cápsulas, receitou o medicamento em adesivos transdérmicos, de 5 e 10mg, com a recomendação de que poria todos os dias, um de 5 mg no primeiro mês e ao fim desse tempo passaria para os 10 mg.




17 comentários:

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
a história está a ficar um pouco triste mas a vida tem destas coisas e vamos esperar que algo se modifique até ao fim .
JAFR

✿ chica disse...

Essa doença é indesejada...Quando chega, surpreende! bjs, chica

Isa Sá disse...

a passar para acompanhar a história...

Isabel Sá
Brilhos da Moda

António Querido disse...

Além da continuidade da história, tive uma aula de medicina, OBRIGADO amiga!
Que a chuva desate o saco com o meu abraço.

Rui disse...

Uma doença horrível, Elvira ! ... e provavelmente muito pior para os outros do que para o próprio/a ! :((

Bjs

Socorro Melo disse...


Meu Deus, ainda é pior do que eu pensava! Excelente trabalho amiga. Parabéns!

Os olhares da Gracinha! disse...

E agora é aprender a lidar com a doença! Bj

Bell disse...

É o terror de todo adulto com idade avançada.
Infelizmente não tem cura mas pode ser amenizada.

bjokas =)

Luiza Maciel Nogueira disse...

Quando a tristeza toma conta da memória fica cada vez mais difícil viver.


Beijo

Silenciosamente ouvindo... disse...

Pois é amiga, uma história que narra a vida
com todas as suas vertentes e a doença é
sempre a mais terrível.

Bjs. e bom fim de semana.
Irene Alves

Cadinho RoCo disse...

É incrível como existem nomes tão complicados na medicina.
Cadinho RoCo

Janita disse...

Diz-se que o melhor nunca vem para o fim. Cada vez mais acredito nisso. A idade já vai trazendo as suas mazelas, mas se se perde o raciocínio, é morrer em vida. Uma doença terrivelmente devastadora para quem sofre e, pior ainda, para quem cuida.

Um abraço, bom fim de semana, Elvira.

Prata da casa disse...

Tenho pavor deste tipo de doença incapacitante.
Bjn
Márcia

Tais Luso disse...

E através de um belo conto, com a vida tão normal, vem o inevitável! E não sabemos se estamos escritos nessa triste história, se algum dos nossos queridos estará... Penso que todos tem alguém conhecido que vive a cuidar de alguém assim, ou está passando por esse tormento. Muito bem narrado, Elvira, chegou na doença de mansinho... A explicação está ótima, não deixa dúvidas ou perguntas.
Beijo, amiga!

Edumanes disse...

Quando na vida de Luís e sua Alzira, tudo parecia estar bem, acontece o inesperado desassossego dessa maldita doença!
Tenha uma boa noite, e um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

José Lopes disse...

Algo que todos temem à medida que envelhecem.
Bfdsemana
Cumps

lua singular disse...

Oi Elvira,
Essa doença é terrível. como se percebe no começo?
Beijos
Lua Singular