24.1.17

UMA NOITE DE INVERNO - PARTE II





Regressou de Angola decidido a deixar o mar. A procurar outro rumo de vida, um novo futuro. Mas não era fácil. Mal terminara a primária, começou a ir ao mar. O seu pai era pescador, o seu avô fora pescador, e antes do seu avô, todos os homens da família tinham sido pescadores. Alguns tinham ficado por lá, desaparecidos em naufrágios. O mar mandara outros para terra, feitos cadáveres. Ele não queria aquela vida. Não escapara do inferno da guerra para acabar no fundo do mar. Mas que sabia ele fazer mais? Nunca aprendera outra profissão. Porém, acreditava que nunca era tarde para dar uma volta no seu destino.  Arranjou trabalho numa oficina de automóveis. Começou por lavar carros. Quando não tinha que fazer, ia ajudar os mecânicos. Comprou livros para aprender a teoria, a prática ia aprendendo no dia-a-dia. 
Alzira, a mulher era modista. Tinha uma boa clientela, não lhe faltava trabalho. Era uma boa mulher. Asseada, poupada, e trabalhadora. Mas, embora isso não fosse pouca coisa, para ele não chegava. Não que estivesse a pensar separar-se, ou tivesse deixado de amar a mulher. Mas que estava desiludido com a vida matrimonial isso era um facto.
Num tempo, em que a sociedade dizia, que a honra da mulher estava no meio das suas pernas, elas não aprendiam a ser mulheres. Eram educadas para serem boas esposas, e mães. Aprendiam de meninas, a cozinhar, arrumar uma casa, costurar, cuidar dos filhos. As mães diziam às filhas que era sua obrigação “servir” o marido quando lhe dava  a vontade, para que ele não procurasse na rua, o que a mulher não lhe dava em casa. Muitas falavam do sexo como algo sujo, que a mulher só devia consentir, porque era preciso perpetuar a espécie. Alzira fora criada nesses preceitos. A igreja também punha o carimbo de pecado, em tudo que não fosse estritamente necessário para a procriação. Ninguém ensinava à mulher, que o sexo era um complemento do amor, e que o seu corpo tinha os mesmos direitos a desfrutar da intimidade que o dos homens.
Com o homem era diferente. A eles tudo era permitido. Eles estudavam, viajavam, frequentavam bordéis. Aprendiam a tirar todo o prazer que o corpo lhes podia dar. 
Com a mesma tenacidade com que lutava para melhorar a  sua vida profissional, Luís propôs-se ensinar à esposa, tudo o que desejava para tornar a vida intima do casal mais empolgante.



18 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Vou ficar à espera dessa "aula" que o Luís vai dar à mulher.
Um abraço e boa semana.
Andarilhar || Dedais de Francisco e Idalisa || Livros-Autografados

António Querido disse...

Percebo e aguardo o próximo capítulo!
Uma boa semana.

Taty disse...

Ansiosa pelo próximo capítulo!
Bjus
Taty
Na Casa dos Abrantes
Canal

Emília Pinto disse...

Vivi esses tempos em que os nossos jovens tinham de ir para u Ultramar; o meu irmão esteve na Guiné e o meu marido também. Tempos muito tristes. Quanto à vida de casados dos protagonistas, era assim, mesmo e vai ser dificil que ela mude, mas, pode ser! Vamos lá ver como se desenrolam os acontecimentos. Ainda não li o final da última história, mas ierei ler, com toda a certeza. Tudo de bom, querida amiga e obrigada por mais um belo conto que fala duma época que tentam apagar, mas não conseguirão. Causou muito sofrimento! Beijinhos

Emilia

Bell disse...

Uau, vamos aguardar.

bjokas =)

✿ chica disse...

Tá me saindo danadinho ele,rs...bjs praianos,chica

Rui disse...

Nessa altura, muitos casamentos ficaram "incompletos" , ou "imperfeitos" por essa questão de a mulher não chegar a conhecer o seu corpo ! :(
Uma barbaridade incentivada, desde criança, pela igreja, que tanto mal fez a tanta gente nesse capítulo ! :(
Só que não era hábito o divórcio e "parecia mal" ! ... e assim lá se ia vivendo, de um certo modo, com alguma infelicidade conjugal !

Vejamos o que acontecerá ! :)

Abraço

Anete disse...

Estou gostando de Uma Noite de Inverno... O bom relacionamento de um casal tem que ter íntimo companheirismo em todos os sentidos...
Vamos ver o px capítulo... Penso que será caliente... Rsss...
Abraço

Prata da casa disse...

Uma história "picante", Elvira? Vamos lá a ver como será a aula.
Bjn
Márcia

Smareis disse...

Aguardo o próximo capitulo.
Beijos e ótima semana!

Os olhares da Gracinha! disse...

Por momentos recuei à minha adolescência...estou a gostar! Bj

Os olhares da Gracinha! disse...

Por momentos recuei à minha adolescência...estou a gostar! Bj

Edumanes disse...

O pescador não quer mais o mar,
porque, antes quer ser mecânico
para junto da sua Alzira, estar
com empolgante amor romântico!

Tenha uma boa noite amiga Elvira.

Elisa Bernardo disse...

Tenho de vir aqui com calma por-me a par do que já ficou para trás. Há fases assim, mas nunca me esqueço de si. Um grande beijinho querida Elvira.

Pedro Coimbra disse...

Assim já está bem.
Não é ir procurar à rua o que se não tem em casa, é fazer com que em casa haja o que se quer, o que ambos querem.
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

seguindo...a historia promete

:)

Ana Freire disse...

E seguindo a história... já na parte 3...
Estou a gostar imenso! Como sempre, uma leitura agradável, leve e super cativante... com um fantástico enredo!...
Beijinhos
Ana

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira
Quem tinha que ensinara era a mãe, mas que marido bom.
Beijos
Minicontista2