14.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXVIII




A campainha tocou e a senhora levantou-se rapidamente. O coração dizia-lhe que era o filho. Abriu a porta e uns braços fortes levantaram-na e rodopiaram com ela.
- Pára filho. Pões-me tonta.
- E como está a mulher mais linda do mundo? – Perguntou Luís enquanto a punha de novo no chão
Parecia impossível que a mulher pequena e franzina pudesse ser a mãe daquele homem.
- Há quase 15 dias que não apareces nem dás notícias, - queixou-se a mulher. Tinha acabado de comentar com o teu pai, que afinal estares em Lisboa ou na Índia, para nós era a mesma coisa.
Entraram na sala e Luís abraçou o homem que se levantara ao vê-lo entrar. Foi um abraço forte emocionado que fez os olhos da mulher encherem-se de água. Era sempre assim quando se encontravam. Os dois grandes amores da sua vida.
Luís era fisicamente muito parecido com o pai. A mesma altura, embora o pai fosse mais magro. O desenho da boca e o queixo voluntarioso. Da mãe herdara os belos olhos cinzentos.
- Íamos jantar. Jantas connosco?
- Claro, mãe. Porque julgas que apareci a esta hora? - Riu. Não me apetecia jantar no hotel. E depois tenho novidades para vos contar.
- O casal trocou um olhar onde havia uma ténue esperança, mas nem um nem outro se atreveu a dizer nada.
- Fiz hoje a escritura da minha casa. Já contratei um decorador. Dentro de duas semanas deve estar pronta. Depois vão lá conhecê-la, e retribuo o jantar.
  - Que bom filho. Fico tão contente. Estar num hotel é bom em férias. Mas para viver é muito frio, muito impessoal, - disse a senhora. E acrescentou: - Isso quer dizer que estás a pensar assentar?
- Se por assentar, queres dizer, passar uma temporada em Lisboa, talvez sim. Se te referes às ideias do costume digo-te já que não.
A mãe dirigiu-se à cozinha. Luís sentou-se no sofá, ao lado do pai, e encetaram uma animada conversa. Luís gostava da casa dos pais, admirava o amor que os unia, sentia-se bem entre eles, e mesmo quando andava em viagem, muitas vezes se surpreendia a pensar neles. O pior era a mania que a mãe tinha de querer vê-lo "arrumado".
A mãe voltou chamando-os para a mesa.
 Foi um jantar animado. A senhora não se cansava de fazer perguntas, e quase não jantou, mais preocupada em olhar com enlevo o rebento, ainda que o frango de cabidela estivesse uma delícia.





17 comentários:

Às Bolinhas Amarelas disse...

É tão bom tomar o pequeno almoço a ler o que escreve, mesmo bom. Obrigada por me proporcionar momentos destes, pena é que durem pouco!

beijinho e um bom dia

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Hoje vim cedo, tentando recuperar as partes perdidas! À medida que vamos lendo mais empolgante fica a narrativa. Parabéns e obrigada, Elvira, pela partilha de tão interessantes escritos!

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história.

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Fê blue bird disse...

A casa dos pais é sempre reconfortante.
Vou seguindo com atenção a sua história.

Um beijinho grato

Rogerio G. V. Pereira disse...

Cabidela
é o meu prato de maior saída
faço-a avinagrada
como, aliás, tudo na vida

e gostam do meu sabor

(claro que te vou lendo...)

Ana S. disse...

Ah a refeição na casa dos pais tem outro sabor. A comidinha da mãe bate a de qualquer chef renomado!
Abraço

maria madeira disse...

Vou começar a ler desde o inicio. Inicio deste mês de Janeiro.2016, tenho andado um pouco afastada da blogosfera e dos textos dos blogs, como a Elvira saberá. Só assim faz sentido para perceber a história. Mas já sabe a minha opinião, escreve bem, escreve com alma. Gosto muito, já não posso dizer o mesmo do frango de cabidela que passo :))

Edumanes disse...

Luís, braços fortes, olhos cinzentos. Será que é o homens que anda a desassossegar o coração de Isabel? Mas para saber se é ou não é, terei de ler os próximos capítulos!
Boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Gaja Maria disse...

Tão bom de ler :)

Pedro Coimbra disse...

É curioso que todas as mães têm essa mania.
Para depois, muitas delas, terem ciúmes das noras.
Vá-se lá entender as mulheres!!
Bfds

Maria Sem Limites disse...

Mais uma vez gostei bastante e fiquei com uma vontade eenorme de ler mais. Beijinhos.

Maria Sem Limites disse...

Mais uma vez gostei bastante e fiquei com uma vontade eenorme de ler mais. Beijinhos.

Duarte disse...

Cunhadas, noras, são sempre pontos de encontro desordenados, de difícil adaptação. Mas também existem as excepções!
Como sempre, gostei.
Abraços de vida

Elisa Bernardo disse...

Continuo por aqui :) já li os textos mas agora ando a deixar o meu feedback porque quando li não tive oportunidade de comentar ;)
Beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.com

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Muito empolgante o seu conto, gosto muito.
Um abraço querida Elvira.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira, boa tarde!
Muito bom esse desenrolar, deixa eu ler o outro pra saber mais!! rss...
Um abração!!
Mariangela

Ana Freire disse...

mais um capitulo lido , deste magnifico enredo!
Muitos parabéns pelo talento!
Admirável!!!!
Bjs
Ana