7.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXII

                                               foto do google
Fez uma pausa. Passou a mão pela testa num gesto habitual quando algo a incomodava. Depois continuou
- Sabes que adoro crianças, e sempre sonhei ser mãe. Talvez seja o meu relógio biológico que alterou o meu equilíbrio hormonal e emocional, ou quem sabe o facto de me encontrar sozinha no mundo, pois como sabes sou filha única de pais que também não tinham irmãos. O certo é que ultimamente tenho-me sentido diferente. E de vez em quando, dou comigo a pensar como seria diferente se tivesse um homem a meu lado. Um homem que partilhasse o meu amor, as minhas preocupações, os meus sonhos, e a minha loucura. Claro que tento compensar com o trabalho, é nele escondo as minhas fraquezas, e os meus desejos.
Calou-se e por breves instantes escondeu o rosto entre as mãos. Amélia foi até junto dela e poisou a mão sobre o seu ombro.
- As férias estavam quase a acabar – prosseguiu Isabel. No Sábado esbarrei na praia com um homem que me segurou nos seus braços por breves instantes. E não sei o que me aconteceu mas esse homem mexeu comigo. Santo Deus como mexeu. Penso nele de dia, sonho com ele de noite. Estou desorientada.
- E depois? Não falaram? Não trocaram número de telefone? Não sabes como encontrá-lo?
Isabel abanou a cabeça e então contou o encontro do dia anterior, e de como ela fugira da estação de serviço de Palmela.
-Ó Isabel, tu estás irremediavelmente apaixonada - sentenciou Amélia.
- Estás louca! - Como posso estar apaixonada por um homem que mal conheço? De quem, nem o nome conheço?
- Sempre achei que a tua fortaleza, a tua indiferença para as coisas do coração, era mais aparente que real. És uma mulher dedicada e sensível. Basta ver como cuidaste dos teus pais. Julgaste viver um grande amor…
- Não julguei. Eu vivi um grande amor – interrompeu Isabel
- Será Isabel? Eras uma menina ingénua e sonhadora que nada sabia da vida. Aos dezoito anos, não nos apaixonamos pelo homem. Enamoramos-nos do próprio amor. O homem, vem por acréscimo. E se muitas vezes é o companheiro ideal, que nos vai acompanhar pelo resto da vida, na maior parte das vezes transforma-se num pesadelo antes dos primeiros dez anos. Culpa deles, ou nossa? Que interessa. Consegues olhar para esse tempo e comparar-te à Isabel que eras nesse tempo? Claro que não. Quem nos diz, que se o Fernando não tivesse partido,  teria acompanhado a tua evolução? Ou quem sabe, não ficaria lá atrás no seu cantinho? Quem sabe se vocês, seriam hoje um casal feliz, ou se estariam divorciados? Ninguém.

20 comentários:

Blog da Gigi disse...

Abençoado dia!!!!!!!!!! Beijos

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Amores e duvidas um prossegue o outro.
Estou a gostar.
Um abraço.

António Querido disse...

OLá amiga Elvira, BOM DIA!
Já respondi à sua mensagem, e vou aqui evocar dois ditados populares portugueses que deve conhecer: ( Não há mal que sempre dure, nem bem que não acabe)!
Este o seu marido e filho da escola, conhece: (Lua deitada, marinheiro de pé)!...

Saúde da boa para os dois com o meu abraço.

Odete Ferreira disse...

Grande sabedoria, a da Amélia!
Seguindo, com muita curiosidade.
:)

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Amélia, muito sábia e verdadeira amiga.
Estou gostando cada vez mais querida Elvira, um abraço.

Aflores _ disse...

Quem sabe? Ninguém sabe...

Grato por esta partilha blogosférica.

Bom ano.

Tudo de bom.

Mariazita disse...

Acredito que este conto seja muito interessante (como é habitual...) mas vai já bastante adiantado, por isso não poderei segui-lo.
Aguardo o próximo, agora que tenho mais tempo livre :)

Desejo que o Novo Ano lhe traga dias muito felizes, junto de sua linda família.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Edumanes disse...

O homem desconhecido mexeu com ela. Isabel diz que está desorientado. Eu penso é ela está apaixonada? Como ainda está na flor da idade, é que deve aproveitar as coisas boas que lhe estão à mão de semear!

Continuação de uma boa tarde, amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Anete disse...

O suspense continua na vida da Isabel... Gosto que escreve com toques psicológicos, Elvira.
Aguardo o próximo texto.
Beijos. Boa noite

Crocheteando...momentos! disse...

Ninguém sabe que fim teria!
Interessante seus contos...bj

esteban lob disse...

Envidiable es tu imaginación, Elvira, adaptada a la realidad y muy bien condensada y explicada.

Afectuoso saludo austral.

Janita disse...

Como o coração tem razões que a razão desconhece, ninguém sabe o que pode o coração da Isabel sentir por uma pessoa que mal conhece.
Há amores à primeira vista que perduram para sempre.
Já outros que aparentemente são sólidos e de longa duração, podem desfazer-se em espuma, de um momento para o outro.
Veremos o que nos vai trazer o seguimento deste conto.
Um abraço.

PS-Elvira, como não vejo o seu e-mail deixo-lhe o meu:
fgmncf@gmail.com

Majo disse...

~~~
Muito bom, Elvira.
~~~ Muito bom.
~~~~~~~~~~~~~~

Pedro Coimbra disse...

Repito, um romance que se anuncia.
Bfds
Um abraço

Isa Sá disse...

Continuando a acompanhar...

Bom fim de semana!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Laura Santos disse...

Muitas questões aqui expostas que têm toda a razão de ser.
Não poderemos ficar agarrados ao que poderia ter a vida sido, porque a vida tal como era não continuou sendo.
xx

Andre Mansim disse...

A Isabel não sabe bem o que quer, mas ainda bem que tem a Amélia.

Andre Mansim disse...

A Isabel não sabe bem o que quer, mas ainda bem que tem a Amélia.

Portuguesinha disse...

Pura verdade!
Ficar a viver na ilusão do sonho construído... Um sonho que nunca desapontará, nunca terá conflitos, nunca terá mágoas... porque não existiu tempo para as viver.

Ana Freire disse...

Recordações, dúvidas, incertezas... num mix super empolgante!
Já ansiando ler o próximo capitulo...
Bj
Ana