19.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXXIII







O telemóvel tocou. Isabel pousou o livro e atendeu. Era Amélia a reforçar o convite para irem ao tal bar. Isabel voltou a descartar qualquer hipótese de sair. Desligou e olhou para o relógio. Dez e vinte, era muito cedo para se deitar, mas a chamada fizera-a perder o interesse pela leitura. Que fazer? Olhou o portátil na mesinha de bambu e vidro junto ao sofá. Mas não lhe tocou. Na verdade navegava tanto por questões de trabalho que em casa muito raramente o abria. Aconchegou o robe ao corpo seminu e estendeu-se no sofá. Fechou os olhos e reviveu a cena dessa tarde. Quem seria aquele homem? Luís. Ele dissera que se chamava Luís. Bom pelo menos a partir de agora o desconhecido tinha nome. Mas isso mudava alguma coisa? Lembrou-se da mãe. Ela sempre dizia que cada um nasce com o seu destino traçado. Costumava dizer que não há coincidências. As coisas acontecem, para seguir a ordem natural, dos caminhos do destino de cada um. Ela não acreditava muito no destino. Sempre acreditou que o destino, é obra do que cada um faz na vida. Agora já não tinha tanta certeza disso. Ela não fizera nada para trazer para a sua vida aquele homem, nem os estranhos desejos que a assaltavam desde que o conhecera.
Será que a mãe tinha razão? Que ele estivera sempre no seu destino, à espera da hora certa para aparecer? E se assim era, que papel ia interpretar no teatro da sua vida? Seria um grande papel, ou era uma figuração apenas? De súbito deu-se conta de algo muito estranho. Ultimamente quase não se recordava de Fernando. E quando o recordava tinha dificuldade em lembrar as suas feições. Que estranho poder tinha aquele homem para invadir assim a sua vida e a sua mente, e esvaziar a gaveta das memórias que ela guardou com esmerado cuidado durante quase 20 anos?
 Isabel jamais acreditaria que situações assim acontecessem na vida real. E porque haviam de lhe acontecer logo a ela? Que já tinha desistido de ter uma família e estruturara toda a sua vida, sobre recordações? E agora que fazer? Esperar que o destino ou lá o que era os juntasse de novo? Tentar esquecer e reconstruir a muralha atrás da qual vivera todos aqueles anos? E se voltassem a encontrar-se o que ela faria? Tentaria dar uma hipótese a si mesma com dizia Amélia, ou fugiria de novo? E mais importante que tudo. Quem lhe dizia que o homem não era comprometido? E ainda que o não fosse quem lhe dizia que se ia interessar por ela? Um homem como ele devia ser como uma flor à beira de uma colmeia.
Exausta acabou por adormecer ali mesmo no sofá.



                                             

12 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

O destino é uma coisa tramada mas por vezes muito reconfortante.
Um abraço.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira bom dia!
A Amélia tem razão amiga.
A Izabel não pode desperdiçar esta chance que o destino lhe mostra...
Quem sabe pode dar certo!
Um ótimo dia pra você!
Abraços!!
Mariangela

Tintinaine disse...

Eu sim, acredito no destino. Está tudo escrito no livro da nossa vida desde que nascemos.
Diz-se que Deus nos deu o «livre-arbítrio» para decidirmos que caminho seguir quando chegamos a uma encruzilhada, mas ... é ele que nos guia.

Isa Sá disse...

Eu não sei se acredito no destino...às vezes sim...

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Silenciosamente ouvindo... disse...

O destino? Temos o nosso caminho traçado desde que nascemos
ou não?
São as tais dúvidas que andarão sempre connosco.
Estou seguindo, com o interesse de sempre.
Bjs. e desejo que se encontre bem.
Irene Alves

Anete disse...

Torcendo de cá pela virada na vida dos dois... Um novo tempo virá e os unirá esperançosamente, creio.
O meu abraço nesta tarde de 3a feira.

Edumanes disse...

Há muitas coisas em que eu não acredito. Mas acredito no destino! E só o destino é que os irá juntar se for esse o destinos deles. Podem dar as voltas que derem, mas quanto tiver de acontecer, acontece mesmo!
Pelo desenrolar do novelo tudo indica de que as duas pontas da linha se vão unir uma à outra!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Que suspense amiga Elvira e a curiosidade só aumenta, um abraço.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Que suspense amiga Elvira e a curiosidade só aumenta, um abraço.

Pedro Coimbra disse...

Faço muitas vezes essa pergunta a mim próprio - será que existe o destino?
O tal que me mandou para Macau para ser feliz??
Um abraço

Ana Freire disse...

Dúvidas e incertezas... em mais um capitulo arrebatador... e avançando para o último aqui publicado...
Bj

Elisa Bernardo disse...

Continuando a ler...perco uns dias sem poder comentar mas não passo sem vir acompanhando tudo!
Muitos beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.pt