20.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXXIV



foto do google

Dias depois, Isabel tentava esquecer o seu desconcerto, embrenhando-se no trabalho. Ainda não ganhara coragem de contar à amiga, o que se tinha passado naquela Sexta-Feira. Por sorte, nessa manhã, Hans telefonou-lhe da Alemanha. Tinha um novo trabalho para ela, desta vez uma coisa diferente e muito especial. Ele e Anne iam casar e queriam a sua presença como madrinha. Hans era um grande amigo. Fora ele que a recebera quando ela ganhara, quase em início de carreira, o concurso para novos talentos e fora ele quem já lhe arranjara alguns contratos vantajosos para a Alemanha. Vivia com Anne há alguns anos, mas agora queriam oficializar a relação.

-Não queremos que o Peter nasça antes do casamento.

Isabel ficou maravilhada. Então eles iam ser pais. Apesar de Hans ter feito o convite quase em cima da hora, faltavam cinco dias para o casamento, aceitou sem hesitar.
 Desligou.
- O Hans vai casar e convidou-me para madrinha, disse com a alegria duma criança a quem prometem um brinquedo novo.
Amélia, já tinha ouvido falar muito deste alemão. Levantou-se e foi até à secretária de Isabel.
-Quer dizer que te vais ausentar de novo? E para quando é o casório?
- Sábado.
- Este sábado?- Espantou-se Amélia. Como é possível? Desculpa mas o teu amigo é doido.
Isabel riu.
- Luísa, liga para o aeroporto e vê se consegues marcar voo para amanhã à tarde ou para Quarta. Amélia, preciso de ti, esta tarde para me ajudares na compra da “fatiota”
- Retiro o que disse. O teu amigo não é doido. Vocês são doidos.
Isabel não respondeu. Afinal aquele convite era como uma bênção divina. Seria maravilhoso rever os amigos e sobretudo sair à rua sem recear encontrar Luís.
Não sabia ao certo se temia o homem ou os sentimentos que ele lhe despertava. Mas sabia que temia encontrá-lo de novo.
Nessa mesma tarde depois de despachar as coisas mais urgentes saiu com Amélia para escolherem a "toilette" para a cerimónia. Escolheu um vestido longo em crepe cor de vinho,  que punha em destaque a beleza do seu colo, e ombros. Sapatos de salto alto em cetim bordado e uma pequena bolsa a condizer. A empregada da loja disse-lhe que não era necessário ser tudo a condizer, a moda actual permitia jogar com as cores, mas Isabel não estava muito convencida disso, e sentia-se mais confortável assim. Como o clima na Alemanha era diferente, comprou também um bolero em veludo, cor de marfim para o caso de precisar.
- Se o homem dos olhos cinzentos te visse assim, nunca mais te largava. E se ele for o padrinho?
Estremeceu
- Não sejas tonta Amélia.
- Eu? Já pensaste nas voltas que a vida dá e nas coisas estranhas que nos acontecem?
 -Não tenho pensado noutra coisa nos últimos tempos.
 Quando dois dias depois se despediam no aeroporto Amélia disse-lhe.
 - Um casamento é sempre uma óptima ocasião para se arranjar namorado. Oxalá o padrinho seja interessante.
 Não pode deixar de rir. E retorquiu:
 - Não estou à procura de namorado, muito menos vou lá com essa intenção. Vou porque adoro aqueles dois e estou muito feliz por eles.
 - Era bem melhor que estivesses feliz por ti,- resmungou Amélia.


                                             


15 comentários:

Pérola disse...

Uma história que bem podia estar a acontecer agora.

Beijo

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

A historia está a ficar interessante vamos lá a ver se o casamento dá alguma coisa?.
Um abraço.

Isa Sá disse...

Acompanhando a história!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Mariangela do Lago Vieira disse...

Ih não sei não Elvira...será o que estou pensando?
Impossível não é!
Vou aguardar!
Abração e bom dia amiga.
Mariangela

Edumanes disse...

E se o homens dos olhos cinzentos for o padrinho. Tudo pode acontecer, o que para ambos seria uma agradável surpresa. Quem sabe?
É o que se saberá nos próximos capítulos!

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

António Querido disse...

OLÁ AMIGA Elvira BOM DIA!
Depois de ler e antes de comentar, lembrei-me da nossa amiga Laura que não tem aparecido, sabe se está doente, ou qual o motivo da sua ausência?

Com o meu habitual abraço.

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Hum! O que será que está por vir?
Curiosa, muito curiosa.
Um abraço querida amiga Elvira e que tudo esteja bem com você.

Blog da Gigi disse...

Ótimo dia!!!!!!!!!!! Beijos

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não está a ser fácil
(por ocupação, dispersão...)
mas lá a vou lendo
comentado,
página sim, página não

Catarina disse...

Adorei :)

Ana Freire disse...

O blog está espectacular, Elvira!
Já não passava por aqui, há algum tempo... Vou começar de trás para a frente, para acompanhar os capítulos em falta da história!... Já passo por aqui, depois...
Beijinhos
Ana

© Piedade Araújo Sol disse...

seguindo...
está a ficar muito interessante.
beijo
:)

Ana Freire disse...

Voltando por aqui, novamente...
Agora sim!!!! Já tenho este conto em dia! E vai ser impossível perder os próximos capítulos de vista...
Algo me diz, que lá na Alemanha... a história vai-se compor...
Beijinhos! Adorei, ter lido todos estes capítulos de rajada! E a história, está mesmo muitíssimo bem construída, tal como todos os ambientes da mesma!...
Ana

Maria Sem Limites disse...

Estive agora a colocar em dia as leituras por aqui :D

Pedro Coimbra disse...

Vai haver encontro(s) inesperado(s) no casório.
Um abraço